Alguns partidos já divulgaram os seus cabeças-de-lista por Setúbal às próximas eleições (desculpem lá o 'bairrismo', mas como vamos eleger deputados só me estou a preocupar com os candidatos pelo meu distrito).
O PS avança com António Vitorino, o PSD com Fernando Negrão, a CDU com Francisco Lopes, o BE com Fernando Rosas e o PND com Maria Augusta Montes. Não sei ainda qual o candidato do CDS-PP, nem se o MRPP, o PH, o MD, o PNR ou o POUS vão concorrer por aqui.
Pela amostra, os partidos mais representativos neste distrito apostaram em força. Analisando as bases de apoio, sabemos que Vitorino, Negrão e Lopes já asseguraram o lugar na AR, assim como os respectivos números 2. (O PS até terá garantido à partida os números 3 e 4 da lista).
Por isso, quem estiver indeciso acerca do seu voto, precisará de olhar para os números 3 e seguintes das listas de PS, PSD e CDU, e para os cabeças-de-lista dos restantes partidos concorrentes.
É que convém eleger deputados que sejam uma mais-valia na AR, não um grande grupo de yes-men para fazer número na altura das votações...
Esperemos então pelas listas completas.
E que 2005 seja um ano melhor para todos!
Comentários a entradas acerca do acordo entre PSD e MPT e sobre o emprego e o desemprego.
Poeira por Aí
"Eu queixo-me do mesmo em http://reciclemos.weblog.com.pt.
É certo que se podia tentar criar um, mas já não vai a tempo destas eleições... e se calhar era um exagero haver três partidos ecologistas em Portugal!"
Speaker's Corner Liberal Social
"Raciocínio interessante e adequado à realidade nacional, especialmente na parte relativa à fraca aposta em pessoal especializado por parte dos gestores de pme's nacionais.
Por exemplo, na minha área de formação - a da comunicação social - conheço casos de quem ficou desempregado com pouco mais de 35 anos e que, agora, dificilmente encontra emprego no sector, apesar da experiência acumulada, a qual seria muito importante para alguns elementos mais inexperientes que estão nas redacções."
Ardia em febre e sentia que, internamente, o seu corpo se mexia de forma anormal, provocando distúrbios de vária ordem. Não era coisa que lhe agradasse, mas pouco podia fazer contra isso.
Chegou a pensar que talvez um descanso lhe fizesse bem, mas sempre tinha ouvido dizer aos mais velhos que “parar é morrer”... e morrer era coisa que não lhe agradava!
Ia continuar a dar as voltas que sempre tinha dado, fazendo de conta que nada se passava. Afinal, tudo nela permanecia praticamente inalterado.
A água continuava a ser o elemento maioritário do seu corpo, o sol a sua fonte de luz e inspiração, só as cores que apresentava a quem a via é que já não eram tão boas, mas nisso quase não se reparava, pois vivia num corrupio constante.
Ainda ponderou a hipótese de insolação como causa para a febre, mas afastou-a prontamente pois o sol continuava a ter a intensidade de sempre. O sol só poderia ser um problema se as suas defesas estivessem em baixo, devido à acção de vírus ou bactérias malignas.
Desconfiava seriamente que era esse o problema, mas não foi ao médico. Limitou-se a esperar que a acção das suas defesas internas e de algumas bactérias benignas fizesse desaparecer o problema.
Mal sabia ela que as defesas internas não distinguem as bactérias benignas das malignas nas suas acções de combate, e levam tudo à frente... por vezes em números aterradores.
É que, nesses momentos de purga, só escapam mesmo alguns organismos com um sexto sentido muito apurado.
Prestem atenção ao anúncio da Lotaria de Fim de Ano e vejam como a Santa Casa da Misericórdia promove os valores da família...
A pouca actividade cibernética que tive durante o Natal resumiu-se aos comentários de Boas Festas que se seguem, acrescidos de um outro que me tinha esquecido de aqui colocar.
Àqueles a quem não desejei um Feliz Natal de forma personalizada, peço desculpa e aproveito para o fazer agora, com efeitos retroactivos ;-)
Pé de Meia...
"É caso para dizer "com a verdade m'enganas". :)
Feliz Natal!"
Congeminações
"Boas festas, Raul!"
Ondas
"Bom Natal Octávio!"
Ondas
"A amostra comprova que a cozinha pode muito bem ser a nona arte!
Espero que o sabor fosse tão bom quanto o aspecto (ou ainda melhor, se possível)! ;-)"
Bioterra
"Obrigado também eu pela referência, João. Foram comentários como os teus que me fizeram recuar na decisão de encerrar o blog e deixá-lo passar, durante uns tempos, por uma fase de actualizações menos regulares."
Comentário à entrada "O PSD encontrou os seus "Verdes" - Boas Festas", no Adufe.
"Soube da notícia logo de manhã e também me passou pela cabeça a comparação com "Os Verdes", tão criticados pelo MPT devido à sua recorrente ligação ao PCP.
De hoje em diante, não mais essa crítica poderá ser repetida pelo Partido da Terra, dado que os seus responsáveis optaram por uma táctica eleitoral semelhante.
Eu teria preferido que o MPT concorresse sozinho, pois assim saberia em quem votar.
Mas como tal não vai suceder, só desejo que recolha os votos de que necessita para eleger pelo menos um deputado. Sempre era mais uma voz diferente no Parlamento."
O meu amigo Rui aderiu à blogosfera, trazendo até ela a sua Comunidade das Cinzas, onde se vai dedicar sobretudo a experiências literárias de escrita automática.
E já que falo em blogs alheios, queria aqui destacar o excelente trabalho que é desenvolvido todos os dias pelo Octávio Lima no Ondas. Quem quer estar informado sobre o que se passa no mundo a nível ambiental tem neste blog a sua melhor referência em português.
No seguimento da entrada anterior, deixo aqui o depoimento emocionado que me chegou via e-mail de alguém que esteve à beira de sucumbir à Quinta das Celebridades.
É longo, mas vale a pena ler até ao fim, para ver como é que se chega a determinados estados de alma...
Depoimento emocionado de um tal Zé Português* sobre a sua experiência com as drogas.
*(nome fictício para protecção pessoal)
Tudo começou quando eu era criança apenas e me deram a ouvir umas musiquinhas dos Mini Stars, Eu vi um sapo, e coisas assim.
Depois já tinha eu uns 14 anos e um amigo chegou, com aquela conversa de que tens de experimentar, depois quando quiseres é só parar... A coisa até é divertida, etc e tal. E eu acedi, ingénuo e fui na dele.
Primeiro ele ofereceu-me coisas leves, disse que eram coisas bem portuguesas Vamos brindar com vinho verde, coisas de “raiz da terra, que não fazia mal, eram músicas bem portuguesas e tal”… e deu-me ainda – lembro-me bem… – um disco inofensivo do Marco Paulo, outro do Clemente e logo em seguida um do Toni Carreira. Achei baril, uma cena bem portuguesa. Pensei cá para mim: “esta coisa é um bocado kitsch mas enfim… ondas de amor foleiro, tipo empregadinha de balcão… ok.” Não vinha mal ao Mundo.
Mas não eram. Sem eu saber, eram por vezes produtos adulterados, grandes orquestras e tal, mas com a música estrangeira já empacotada, tás a ver. Algumas cenas eram trazidas de fora, com traduções duvidosas, versões com poemas reciclados, amores de pacotilha, etc. E eu a pensar que aquilo era tão português como o vinho verde.
Mas a escolha foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais frequente.
Comecei a frequentar romarias onde o conjunto de baile cantava Apita o comboio para o pessoal pular e reinar e Adeus mãezinha vou partir como slow para o pessoal poder atracar e tal.
Aí conheci um mano que me levou para uma outra trip bem diferente. O tipo era novo católico activo e ofereceu-me um disco do Padre Borga para aumentar a minha fé. Ora eu já tinha ouvido umas canções evangélicas quando era puto, dos Maranata e do António Sala, e fiquei ainda mais indeciso nas minhas escolhas religiosas.
A coisa mexeu muito comigo. Aquela coisa do Jesus da Galileia não sei quê cheirava-me a catolicismo new age um bocado pró pindérico. Mas o caso é que dei por mim a consumir entre grandes ataques de riso. Uma curtição. Baril.
Comecei a ficar agarrado. Foi aí que um belo dia acabei comprando pela primeira vez. Lembro-me de que cheguei à loja e pedi:
- “Dê-me um CD do Emanuel; aquela do pimba, faz favor!” – baixei os olhos e disse que era para oferecer a um amigo, só para gozar…
Era o princípio de tudo!
O vendedor – o man conhecia bem esta timidez inicial - deu-me a experimentar algo diferente e ofereceu-me um CD antigo da Linda de Suza a cantar oh malhon malhon, acompanhado a bateria e guitarra eléctrica. Uma ganza.
Ele dizia que era “giro, meras curiosidades, para ouvir sem complicação e assim, sabe, … coisa leve...” Dizia o mangas: - “Já temos tanta pressão na nossa vida que um tipo precisa é de se evadir… e tal”.
Depois informou-me que “coisas engraçadas doutros tempos também ainda temos: - Artur Garcia, António Calvário, Madalena Iglésias, Gabriel Cardoso, o que quiser, letras bonitas, tudo canções de amor, um mimo.”
Ouvi de tudo um pouco e comecei a ficar aturdido, um pouco envergonhado; mas voltava sempre, por vezes só para ouvir um bocadinho e fumar uma passa. Exultei com a vitória de Rui Bandeira no Festival. Decorei as emocionantes letras do Marante. Seguia os Excesso e os Milénio para todo o lado.
Mas aí o vendedor começou a atacar-me com coisas piores: o Tchan, o Duo Ele e Ela, É o bicho, e muitas coisas mais.
Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que não me fizesse pensar na minha dependência e de preferência que me fizesse mexer os quadris como eu nunca fizera antes.
Então, esse meu amigo levou-me um dia a uma romaria a sério, daquelas com muito fogo e milhares de pessoas onde vi pela primeira vez um concerto do Roberto Leal! E aí eu dei pulos, pô…!
Esta dependência galopante passou a ser o centro da minha vida, a razão do meu existir. Pensava só em consumir mais e sentia essa necessidade por todo o corpo, só já suspirava por estas cenas e só vivia para aquilo! Drogava-me com doses maciças de Big Brother e lia tudo sobre a Lili Caneças. Ouvia Miguel e André com paixão.
Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e um tipo começa a querer cada vez mais, mais, mais... Comecei a correr atrás das romarias e concertos do Nel Monteiro e da Mónica Sintra, comprava as revistas que tinham na capa os lábios novos da Bibá, os namorados da Elsa Raposo, sei lá…
Comecei também a frequentar o sub mundo das cassettes piratas e a correr atrás de tudo o que encontrava.
Foi a partir daí que começou a minha decadência.
Resolvi experimentar algo mais pesado e esse mesmo dealer ofereceu-me um dia um CD de Micaela e outro da Romana para eu “experimentar novas sensações”. Foi fundo, meu.
Mas depois de muito tempo de consumo as sensações que esta droga nos dá perdem de novo o efeito e um mano começa a querer cada vez ainda mais...
Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, um piercing no sobrolho e o peito depilado. Ouvia o Saúl e delirava com o bacalhau quer’alho e o Quim Barreiros e suas lições de culinária. Decidi entrar nas cenas fortes.
Deu-me uma panca e comprei todos os discos com canções do Crispim; entrei para um grupo de fans da Simara. Tornei-me um junkie.
Só já era feliz com outros viciados como eu, e a minha maior ambição era fazer um casting para integrar aquele concurso do “ponha a mão no capot até cair” ou “coma aí uma parga de minhocas só para a gente se rir”!
Ia aos shows todos da Ágata onde cantava em coro aquelas músicas que nos puxam ao sentimento, e onde eu e mais outros 12 infelizes tão “agarrados” como eu dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos gritos e sinais combinados.
Lembro-me que não perdia um programa do Big Show nem do Carlos Ribeiro Tinha ataques de raiva se àquela hora não conseguisse ter a minha dose desses programas. Ficava furioso e os olhos saíam-me das órbitas.
Já via a Chiquita em sonhos, ouvia o Toy a gritar comigo, decorava rap urbano e imaginava a Cinha Jardim a dirigir-se para mim a cavalo em slowmotion.
Delirava, claro.
Endividei-me para comprar a linha de jóias da Lili e o trem de cozinha da Filipa. Tinha descompensado completamente.
Acordava e parecia que o mundo mudava todos os dias qualquer coisa. Os ministros e secretários de Estado pareciam suceder-se a um ritmo impressionante, o que também não ajudava nada. Um dia acordei e o Barroso já não ‘tava cá; tinha outro nome e parece que mandava era na Europa.
Vivia em imponderabilidade permanente.
Foi terrível! Eu já não percebia onde estava! Eu já não pensava mais!!!
Mas como o meu sentido crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e as letras imbecis, nada disso também me ralava. O meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Queria lá saber!
A fase negra ainda estava por vir: - Cheguei ao fundo do poço, ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar o Zé Cabra e a achar que aquilo sim, era Cultura popular portuguesa! Comecei a ter delírios profundos e a dizer coisas sem sentido.
Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam mostrar-me o caminho das pedras... A minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ver todos os meus horários condicionados e dominados pela música pimba, pelo futebol, pelo álcool e pela mais poderosa droga do mercado: a Quinta das Celebridades.
Hoje estou internado numa clínica. Os meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. O meu tratamento está a ser muito duro:
Doses cavalares de canções e cantores portugueses de qualidade, sobretudo os que não posso encontrar facilmente na Rádio nem na TV. Fica-me trabalhoso e caro encontrar tão raros produtos naturais, mas são totalmente imprescindíveis para a minha recuperação. Se só ouvir as play lists ouço sempre mais do mesmo. Há pois que procurar “os intocáveis”.
Em relação a coisas lá de fora ando a tratar-me com Bossa-Nova, Rock antigo, Country, Beatles, Rhythm & Blues. Coisas assim. Redescobri os franceses Barbara, Brassens, Ferre, Becaud, Adamo. Ando a redescobrir a Piaf e o Brel. O velho Sinatra, o Regiani, o Serrat. O Paolo Conte, que eu até pensava que era um futebolista italiano. O Amâncio Prada que eu pensava que era um toureiro espanhol.
O médico disse-me que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozart, Vivaldi, Verdi, Rossini, Bach... Meia dúzia de sopranos por dia pela manhã e meia dúzia de tenores ao deitar. São antibióticos muito fortes que espero não me façam mal. Usei uma vez um chamado Manoel Oliveira e ia sucumbindo.
Agora tenho medo.
Tenho medo de sair de casa; mas também tenho medo de ficar em casa. Eles descobrem-me e oferecem-me drogas, insidiosa e diariamente pela Televisão.
Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a este tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a nossa saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e oferecem drogas. Com a conivência encapotada das mais altas instâncias intelectuais.
Se você não reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante. Vai perder as referências culturais e definhar fatalmente. Vai trocar tudo o que é essencial pelo que é acessório. Vai pensar que Jorge de Sena, Eduardo Lourenço e Virgílio Ferreira são nomes de corredores da Sicasal. Vai viver para a fama efémera e a lantejoula dourada. Vai adular e consumir apenas produtos imbecis e seus derivados.
Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique desporto, faça muito sexo, leia um bom livro, conviva mais e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:
* Ligue a TV o menos possível – a imbecilidade anda à solta;
* Não escute nada que venha de multinacionais suspeitas;
* Se lhe derem um CD, procure saber a que programas de TV esse artista foi;
* Não compre um disco que tenha mais de 6 pessoas na capa;
* Não vá a shows em que os suspeitos façam coreografias certinhas e ensaiadas;
* Mulheres e adolescentes em geral gritando histericamente são outro indício;
* Não compre nenhum CD de capa encarnada, amarela e verde berrante;
* Se ouvir amor a rimar com dor, desconfie sempre;
* Não compre nenhum disco que tenha vendido mais de um milhão de cópias;
* Não escute nada em que o cantor não consiga falar português correcto e coerente;
* Duvide da qualidade tão apregoada das playlists - elas censuram todos os outros;
* Tente só ouvir música e canções de qualidade. Elas existem. Procure-as. São verdadeiros Centros de Apoio para a alma.
Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela!!!! Eu sei que você vai conseguir!!!
Diga não às drogas!!
Por favor, ajudem a passar esta mensagem.
(Versão corrigida e adaptada para Portugal por APSCB)
Desde Janeiro que aqui fiz propostas sobre o sistema eleitoral, redes de transportes escolar ou o salário mínimo nacional.
Também dei a conhecer uma versão alternativa de um artigo do Público, mostrando que o ângulo de abordagem muda tudo numa notícia, lancei uma petição e até abri a porta a quem quisesse criar uma teoria da constipação.
Com tudo isto, não deixa de ser um bocado frustrante que esta seja a entrada mais comentada do blog...
... a génese do MRPP (ou de outros partidos à esquerda do PCP) estivesse ligada aos serviços secretos e tivesse como única intenção desmantelar o legítimo movimento comunista português?
Parece uma daquelas teorias repetidas por comunistas com a mania da perseguição, não é?
Pois... mas a fórmula foi aplicada na Holanda e resultou. E só veio a público devido à onda de críticas à eficácia dos serviços secretos holandeses, a qual levou o antigo agente secreto Frits Hoekstra a lançar um livro sobre façanhas da instituição e o "ex-líder maoísta" Chris Petersen (pseudónimo do cidadão Pieter Boevé) a confessar a sua "grande aventura" da década de 1970.
Sobre o caso holandês, leiam-se os artigos:
. "Comrades fooled by the party that never was", no australiano Sydney Morning Herald
. "Fake communist party scam fooled Mao Zedong", no Mail & Guardian Online, da África do Sul
. "Operation Roter Hering", no alemão Spiegel Online
Também saiu um artigo no "Wall Street Journal" de 3 de Dezembro, assinado por Andrew Higgins, mas não está disponível gratuitamente online.
Não espantaria ninguém que a operação em causa - chamada de "Projecto Mongol" pelos holandeses e de "Operação Arenque Vermelho" pela CIA (sim, também esteve envolvida) - tivesse tido uma réplica portuguesa.
Ou serão os serviços secretos nacionais menos ardilosos do que os dos Países Baixos? Ou menos próximos da CIA, já que falamos nela?
Se eu quisesse transformar isto numa teoria da constipação, podia invocar a imensa semelhança entre o símbolo do PCP e o do MRPP (como é que foi aprovado, apesar de ser, supostamente, proibido por lei?) ou o percurso político de alguns ex-maoístas.
Mas como não o quero fazer, falo apenas dos factos holandeses e das minhas dúvidas portuguesas. Sem provas, tudo o que se possa pensar não passará de conjecturas.
A Lei de Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais, datada de 20 de Junho de 2003, entra plenamente em vigor a 1 de Janeiro de 2005, pelo que as próximas legislativas serão as primeiras disputadas nos novos moldes.
Quer dizer, plenamente não será o termo mais adequado pois, por qualquer razão que desconheço (e que gostaria que me explicassem, se souberem), o artigo 8º - Financiamentos proibidos - está definido como excepção, o que significa que, ou já entrou em vigor, ou não vai entrar em vigor tão cedo.
Eis o conteúdo:
Artigo 8.º
Financiamentos proibidos
1 - Os partidos políticos não podem receber donativos anónimos nem receber donativos ou empréstimos de natureza pecuniária ou em espécie de pessoas colectivas nacionais ou estrangeiras, com excepção do disposto no número seguinte.
2 - Os partidos políticos podem contrair empréstimos junto de instituições de crédito e sociedades financeiras nas condições previstas na alínea f) do n.º 1 do artigo 3.º
3 - É designadamente vedado aos partidos políticos:
a) Adquirir bens ou serviços a preços inferiores aos praticados no mercado;
b) Receber pagamentos de bens ou serviços por si prestados por preços manifestamente superiores ao respectivo valor de mercado;
c) Receber ou aceitar quaisquer contribuições ou donativos indirectos que se traduzam no pagamento por terceiros de despesas que àqueles aproveitem.
Saber de algo em primeira mão (como é capaz de ter acontecido com o Daniel Oliveira) ou sabê-lo com recurso a fontes oficiais (nem sempre actualizadas em tempo útil) é completamente diferente e origina desfasamentos entre os interlocutores de uma conversa.
Foi o que se passou comigo no caso da entrada "O golpe", no Barnabé, acerca do Projecto de Lei nº 281/IX.
"Daniel,
Não sei qual foi a fonte para este post mas, de acordo com o Boletim Informativo da AR, a discussão das alterações à lei eleitoral dos órgãos das autarquias locais está marcada para sexta-feira, 10 de Dezembro, às 10 horas.
E em cima da mesa vai estar apenas o projecto do PS.
Seja como for, estou contra o documento em causa (Projecto de Lei nº 281/IX), uma vez que, em nome de uma pretensa estabilidade governativa, ele abre a porta a executivos camarários de uma só cor política, o que só pode ser bom para os 'tachos'..."
"Daniel,
Afinal parece que este post foi precipitado.
De acordo com um comunicado do PS, não há condições para discutir a proposta social-ista (tentei por três vezes escrever esta palavra sem o hífen e não deu... tentem corrigir este erro, porque é ridículo não se poder escrever isto)."
"O Boletim Informativo da AR já tem a discussão agendada para a tarde de quinta-feira, como é referido no post. É o último ponto da ordem de trabalhos.
Porém, é pouco provável que avance, dada a posição já tomada pelo PS e o facto de 2005 ser ano de autárquicas (é complicado justificar uma mudança da lei a menos de um ano das eleições)."
Achei curiosa a proposta de António Manuel Dias de mudar o Hino Nacional.
Sugere este programador informático que "A Portuguesa" seja posta de parte, sendo substituída por "Grândola, Vila Morena", canção que incita à fraternidade e ao respeito e que está intimamente ligada à luta do povo português pela liberdade, após quase cinco décadas de ditadura.
Já "A Portuguesa" é mais belicosa, ou não tivesse sido escrita em 1890 como resposta ao Ultimato do Império Inglês, que reclamou para si territórios ultramarinos portugueses situados entre Angola e Moçambique (aliás, originalmente não era "contra os canhões, marchar, marchar" mas "contra os bretões, marchar, marchar").
Ora, se Portugal já não tem colónias em África e até faz parte da União Europeia (onde também estão os ingleses), que sentido faz manter um Hino com semelhante origem?
Dada a presença de Portugal na UE - cujo "Hino da Alegria" exprime ideais de liberdade, paz e solidariedade -, não será mais coerente ter um Hino Nacional como "Grândola, Vila Morena"?
Além disso, do actual Hino Nacional quase todos os cidadãos conhecem apenas a primeira estrofe, enquanto que de "Grândola, Vila Morena" sabem certamente mais. Aliás, muita gente até sabe toda a letra da canção de Zeca Afonso, que é mais simples do que a escrita por Henrique Lopes de Mendonça.
Tenho para mim que um referendo a uma eventual alteração de hino seria bastante participado, mais não seja porque "a malta" ia querer ter uma palavra a dizer sobre a música a cantar antes dos jogos da Selecção Nacional! :-)
Seguem abaixo as letras de ambas as canções:
A Portuguesa
(Henrique Lopes de Mendonça / Alfredo Keil)
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo,
O esplendor de Portugal
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória.
Às armas! Às armas!
Sobre a terra e sobre o mar!
Às armas! Às armas!
Pela Pátria lutar!
Contra os canhões marchar, marchar!
Desfralda a invicta bandeira
À luz viva do teu céu
Brade a Europa à terra inteira
Portugal não pereceu!
Beija o solo teu jucundo
O oceano a rugir d'amor
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco d'uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios d'essa aurora forte
São como beijos de mãe
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
Grândola, Vila Morena
(José Afonso)
Grândola vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade
Dentro de ti ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
E se houvesse um entendimento acerca da uniformização dos nomes dos ministérios e secretarias de Estado no organigrama governamental? Não seria mais fácil para todos?
Pelo menos sempre acabava com algumas incoerências existentes online, que expus inicialmente na entrada Democracia Representativa, do blog Alternativa.
"Gosto da ideia do organigrama governamental com 18 ministérios e subsequentes secretarias de estado, desde que o mesmo possa ser mudado pelo parlamento por uma maioria de dois terços (se a sociedade evolui não convém que a organização das instituições seja imutável).
Por exemplo, com uma uniformização dos nomes evitavam-se incoerências como as que se notam ao analisar a presença do governo na Net. Se não, vejamos:
- O Ministério da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar está alojado em www.mdn.gov.pt (os Assuntos do Mar ficaram à margem do URL).
- O Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas está em www.min-agricultura.pt (as pescas afundaram-se e as florestas arderam aquando da passagem para o ciberespaço).
- O Ministério das Finanças e da Administração Pública também só faz referência à primeira parte do próprio nome (www.min-financas.pt)
- O mesmo acontece com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas (www.min-nestrangeiros.pt).
- O endereço do Ministério da Segurança Social, da Família e da Criança (MSSFC) está alojado em www.msst.gov.pt, numa referência ainda ao trabalho, sector que mudou entretanto para o Ministério das Actividades Económicas e do Trabalho (MAET).
- Já que falamos no MAET, diga-se que, segundo o Portal do Governo (www.portugal.gov.pt), este não tem página oficial... O que, de certo modo, faz sentido, porque, com referência a essa sigla, não existe qualquer endereço. Mas os assuntos relativos a esta pasta estão presentes em www.min-economia.pt, o anterior nome do ministério...
- Por fim, e ainda segundo o Portal do Governo, o Ministério do Turismo (MT), o Ministério das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional (MCALHDR) e o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT) não têm presença oficial na Internet, o que é uma falha enorme para quem diz apostar no "Governo Electrónico".
Isto já para não falar na confusão que é a lógica dos nomes dos domínios: ou são "min-nome.pt" ou "sigla.gov.pt".
Neste caso, havendo a opção por uma das duas fórmulas, a uniformização dos nomes é algo que, tecnicamente, demora pouco a fazer. Haja vontade!"
Ainda no Alternativa, na entrada Debates Parlamentares, voltei a insistir na necessidade de mudança do actual sistema de eleição de deputados para a Assembleia da República.
O texto segue abaixo:
"Diz o Nuno: "Qual é a vantagem de eleger um deputado em Beja, Aveiro ou Madeira, se depois este é constitucionalmente obrigado a defender o País e não a região por onde foi eleito?"
A primeira vantagem é a ilusão (raramente transformada em realidade) de que assim os deputados estão mais próximos dos eleitores.
A segunda é o aumento do número de deputados do PSD e do PS, graças ao sistema de apuramento dos mandatos. (E o método de Hondt não tem culpa nenhuma. A responsabilidade é toda dos 22 círculos parciais de eleição).
No fundo, a vantagem é toda para as grandes máquinas partidárias, pois os eleitores nada ganham com a existência de 22 círculos de eleição."
A entrada que se segue é longa e retirada de um debate no Alternativa sobre o Combate à Abstenção.
Os comentários foram 'postados' entre 4 e 8 de Novembro.
"Concentrando-me sobretudo no objectivo principal deste debate, definido pelo Nuno Peralta como o combate ao abstencionismo, gostaria de recordar que muita da abstenção que existe em Portugal é fruto de cadernos eleitorais desactualizados.
Temos uma grande abstenção técnica no país, a qual não desaparecerá tão cedo se não se alterar a lógica que preside às eleições legislativas e que beneficia a "fraudezinha" da não actualização dos cadernos eleitorais.
Enquanto o número de deputados por círculo for definido a priori pela Comissão Nacional de Eleições, nenhum círculo eleitoral regional tem interesse em actualizar os seus cadernos. Para quê? Para perder peso a nível nacional? Nem pensar! Deixem-se ficar os mortos e as duplas inscrições que não fazem mal a ninguém. Afinal de contas, a sua presença só altera as estatísticas.
O problema é que este desleixo origina situações de injustiça entre círculos, como a que ocorreu nas Legislativas 2002 entre os Açores e Évora. Enquanto 88 mil açorianos elegeram cinco deputados, 89 mil alentejanos elegeram três. Mais mil votos, menos dois deputados...
Por isso, penso que a melhor forma de combater os números da abstenção seria instituir um círculo nacional único, em que o número de deputados estivesse definido à partida, sem contas prévias por parte da CNE.
Aí não haveria tantos interesses regionais em manter cadernos eleitorais desactualizados (as vantagens passariam a "resumir-se" ao maior número de vereadores em determinada autarquia e ao aumento dos vencimentos de alguns presidentes de junta... mas isso são outros quinhentos)."
"O sistema alemão é, sem dúvida, um ponto de partida interessante para quem quer extrapolar um sistema alternativo para Portugal. Aliás, em parte, foi nele que me baseei para escrever o livro "Reciclemos o Sistema Eleitoral!" (passe a publicidade). Seria realmente interessante testar a aceitação do duplo voto em Portugal.
Voltando à entrada do Nuno, outra boa forma de combater a abstenção seria o voto electrónico... e já nas próximas eleições, se possível.
Mas atenção, quando falo em voto electrónico, refiro-me a um sistema presencial como o actual, em que as máquinas estejam nas mesas de voto e, se possível, emitam um papel com a opção do eleitor, que deverá em seguida dobrá-lo e colocá-lo na urna, só para o caso de ser necessária uma contagem manual devido a problemas informáticos.
No fundo, convém sobretudo que se possa votar em qualquer ponto do país que tenha uma mesa de voto. É bom para o cidadão, que fica com a vida facilitada, e até é bom para a economia, porque promove o "vote fora cá dentro" no dia das eleições.
Logicamente, sendo favorável a um sistema de votação presencial, discordo de votos por correspondência e por SMS. Afinal, a política não é um jogo de sorte nem um concurso televisivo (apesar de por vezes o parecer)."
"Não sei o que originou os círculos uninominais na Alemanha, mas em Portugal deveria ser algo com expressão histórica (os actuais distritos, porque não?) ou feito com base na democracia bioregional (eu depois explico este conceito).
Penso que são de evitar todo o tipo de construções artificiais como as recentes Comunidades Urbanas ou Grandes Áreas Metropolitanas, claros exemplos de gerry mandering (manipulação deliberada de fronteiras políticas)."
"Caro JP, por ocasião das Presidenciais 2001, o STAPE admitia que pudessem existir em Portugal meio milhão de eleitores "fantasma", um número que não podia confirmar com exactidão pois para tal dependia de terceiros, como as comissões recenseadoras locais. E tinha-se acabado de fazer uma limpeza aos cadernos eleitorais...
Aliás, segundo declarações de fonte do STAPE ao JN, a desactualização poderia dever-se a "uma certa vantagem" das comissões recenseadoras locais em não eliminar os "fantasmas".
Levanta-se ainda outra questão em relação aos círculos: porque é que as legislativas são as únicas eleições em que o apuramento dos representantes não depende do total de votos do universo eleitoral?
Isso acontece nas presidenciais, nas europeias e nas autárquicas. Só não se passa nas legislativas. E depois espantam-se que as pessoas pensem que estão a votar para um primeiro-ministro...
Vejamos o caso de outro ângulo. Se as autárquicas se processassem do mesmo modo que as legislativas, em Setúbal, por exemplo, os nove vereadores do executivo camarário seriam todos da CDU, apesar da coligação PCP-PEV só ter tido 54% dos votos. Os 24% de votos no PS não valeriam os dois vereadores que valem e os 15% do PSD/PP não se traduziriam no mandato de Duarte Machado.
Só por aqui se depreende que o apuramento em vários círculos favorece os partidos mais votados à custa da representatividade."
"Caro carlos a.a., para mim o voto é um direito, um dever e uma arma.
. Um direito porque é a oportunidade que tenho de me pronunciar sobre quem me representa politicamente.
. Um dever porque tenho consciência de que só tenho autoridade para criticar quem governa se tiver participado no acto que levou à sua eleição (mesmo que tenha votado em branco).
. Uma arma porque é uma das formas que os cidadãos têm para alterar o rumo do seu país, da sua região, do seu concelho ou da sua freguesia."
"Face ao sistema actual, sou mais favorável à "evangelização" de que fala o Rui, do que à imposição do acto de votar porque "o caminho para a responsabilização individual não se faz compulsivamente. Na prática vota quem se sente motivado e se calhar quem se sente mais bem informado para o fazer"...
No entanto, a estes argumentos pode-se responder que quem não se sentir identificado, bem informado ou suficientemente motivado para votar tem a opção de votar em branco, expressando assim o seu protesto pelos candidatos ou pelo sistema político em vigor.
Todos temos consciência de que a obrigatoriedade do voto é uma ideia tremendamente impopular, que seria entendida como um ataque aos direitos dos cidadãos. Para a pôr em prática, qualquer governo teria de encontrar boas justificações e dar condições para que os cidadãos pudessem exercer esse dever com naturalidade. E é aqui que entra o voto electrónico.
Com o voto electrónico seriam criadas condições para que os eleitores pudessem votar em qualquer ponto de Portugal ou até numa terra estrangeira onde exista uma embaixada ou consulado português (defendo mesmo que a votação dos emigrantes passe a ser feita, regra geral, presencialmente nestes locais e não por correspondência, como acontece actualmente).
Obviamente, a opção pelo voto electrónico acarreta um grande investimento em equipamentos, investimento esse a que, em todos os actos eleitorais, temos de acrescentar o dinheiro dos contribuintes que é gasto nas campanhas de sensibilização para o voto da CNE (só nas últimas Europeias foi gasto um milhão de euros).
Se passasse a ser obrigatório, não era preciso sensibilizar ninguém para votar. Bastava que as pessoas tivessem conhecimento da mudança, o que se poderia fazer, sem custos para os contribuintes, através da comunicação social.
Com a obrigatoriedade do voto, todos os cidadãos passariam a ter responsabilidade directa pelos representantes eleitos e o resultado eleitoral poderia ser considerado mais legítimo (veja-se ainda hoje a troca de argumentos relativamente à validade dos referendos nacionais).
Além disso, facilitava-se a actualização dos cadernos eleitorais, pois seria mais fácil confirmar se quem não compareceu o fez por opção ou porque, simplesmente, já não existe naquele círculo (morreu ou mudou de terra).
Poucas pessoas duvidarão, como diz o Nuno, da democraticidade da Austrália, do Brasil ou da Bélgica, países em que o voto é obrigatório. Mas se se quiser implementar tal sistema em Portugal, é necessário que os seus executores fundamentem bem as razões dessa opção e se preparem para uma descida a pique nas sondagens de popularidade.
Resumindo: no sistema que temos, sou a favor da "evangelização" proposta pelo Rui, mas num "mundo ideal" seria mais favorável à proposta do Nuno, uma vez que a democracia não se faz só de liberdades e direitos, também implica deveres."
"Rui, os teus argumentos são fortes e conseguiram pôr-me na dúvida quanto à minha opção num "mundo ideal". Afinal, num mundo ideal o voto obrigatório seria desnecessário, uma vez que todos saberiam os seus deveres sem precisarem de ser coagidos a exercê-los...
Além disso, a minha mulher lembrou-me de que existem pessoas que não votam por motivos religiosos, como as Testemunhas de Jeová.
Ora, estando a liberdade religiosa inscrita na Constituição, não se pode obrigar alguém a ir contra os seus princípios só para cumprir um direito/dever cívico como votar."