outubro 28, 2004

Alga - um nome a fixar

Assisti ontem, no Forum Luísa Todi, em Setúbal, ao primeiro concerto da Alga.
Fui completamente às cegas, sem saber o que me esperava, uma vez que era um espectáculo composto apenas por músicas originais, em inglês, escritas por uma jovem portuguesa de 16 anos.
Fiquei cativado logo na primeira música, na qual se notavam algumas influências celtas. Seguiram-se canções com um ligeiro toque de jazz, acompanhadas de uma presença em palco segura, com Alga (nome artístico de Alexandra Boga) a denotar um grande à vontade para lidar com uma sala quase cheia.
Após pouco mais de uma hora, o concerto terminou com a música que lhe dava nome - "Mistakes" - a qual me ficou no ouvido até esta manhã... é bom sinal.
Resumindo: boa voz, a fazer lembrar Kate Bush em determinados momentos, letras simples e um conjunto de músicos bastante competente. Ou seja, um nome a fixar por todo o potencial que demonstra.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:50 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 25, 2004

Estado de seriedade

Senhor primeiro-ministro,
Agora que o seu governo já teve 100 dias de estado de graça, pode começar a trabalhar a sério. Deixe as piadas para os humoristas profissionais.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:27 PM | Comentários (1) | TrackBack

Rua Viriato (onde fica a sede do "Público")

O pastor Viriato é historicamente visto como uma figura importante na afirmação da identidade lusitana.
Se assim é, porque é que o trânsito na Rua Viriato, em Lisboa, segue a lógica britânica? Ainda se fosse na Praça de Londres...

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 01:08 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 20, 2004

O bónus do sistema

Na Madeira, o PPD/PSD obteve 53,67% dos votos (73.904 em 137.693) e 64,7% dos mandatos de deputado (44 em 68).
Ou seja, teve um "bónus" superior a 11% na conversão dos votos para mandatos, devido à configuração do sistema eleitoral madeirense.

No entanto, este "bónus" poderia ter sido ainda maior, próximo dos 15%.
Para tal, seria necessário que 10.751 eleitores 'laranja' não tivessem ido votar, fazendo descer o número de votos no PPD/PSD e o número de votos total.
Se assim fosse, com 63.153 dos 126.942 votos depositados nas urnas, o partido vencedor das eleições regionais na Madeira teria ficado com 49,75% dos votos, sem deixar de conquistar 64,7% dos mandatos de deputados.

E aí todos iriam ver como o sistema eleitoral madeirense pode permitir que uma força com menos de metade das intenções de voto venha a ocupar quase dois terços do Parlamento Regional...

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

Assim se demonstra a importância de um sistema eleitoral

Alberto João Jardim obtém 53% dos votos na Madeira, mas fica com 64% da representação parlamentar.

Carlos César conquista 56% dos votos nos Açores, e elege 59% dos deputados do parlamento regional.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:13 PM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 16, 2004

Recado aos ilhéus

Não se esqueçam: a eleição de amanhã é para deputados, não para Presidentes do Governo Regional.
Bom dia de reflexão!

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:56 AM | Comentários (2) | TrackBack

Açores

Este domingo os açorianos vão eleger a assembleia regional do arquipélago e, entre os candidatos a um lugar de deputado, está Manuel Moniz, do MPT, que defende alterações ao sistema eleitoral açoriano.

Com o objectivo de aproximar eleitos e eleitores, o subdirector do Diário dos Açores defende a separação da eleição do Presidente do Governo Regional da eleição dos deputados, na qual os deputados deverão ser eleitos pelos concelhos e votados individualmente, sem necessidade de figurar numa lista partidária.
Assim se acabaria com os deputados invisíveis que os açorianos recebem como "bónus" por terem votado na pessoa que querem para Presidente do Governo Regional.

Ora, a despersonalização do voto em São Miguel - ilha pela qual Manuel Moniz se candidata - faz com que os deputados trabalhem mais para os seus partidos do que para a população que os elegeu, ao contrário do que acontece em outras ilhas, onde a elevada visibilidade do parlamentar junto da população lhe dá maiores responsabilidades nesse campo.

No entanto, o aspecto mais polémico da proposta de Manuel Moniz é a redistribuição do número de deputados pelo arquipélago, assente num sistema que reflecte a população de cada ilha (embora salvaguardando o peso de cada uma para não perturbar a unidade açoriana) e que possui círculos mistos de ilha e concelho.

Ou seja, nas ilhas que têm mais de um concelho, como é o caso de São Miguel, o número de deputados destinado a essa ilha deverá ser dividido pelos vários concelhos, de acordo com o peso populacional.
Assim, e após o aumento do número de deputados por São Miguel de 19 para 25, Ponta Delgada ficaria com 12, a Ribeira Grande com 6, Lagoa com 3, Vila Franca do Campo com 2 e Povoação e Nordeste com 1 cada.

E é neste deputado único por um círculo que está o problema, uma vez que, segundo o Tribunal Constitucional, "cada círculo elege sempre, pelo menos, dois deputados", dado que os sistemas eleitorais em vigor em Portugal estão estruturados no princípio da representação proporcional.

Mas aqui já estamos a entrar numa questão de pormenor que pode ser facilmente resolvida em sede própria. No fundo, a proposta de Manuel Moniz é muito interessante e poderá, a ser aplicada, fazer com que os açorianos - e os micaelenses, em particular - se sintam mais bem representados e mais próximos dos seus deputados.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:53 AM | Comentários (0) | TrackBack

Madeira

Uma das propostas do Bloco de Esquerda para as eleições regionais na Madeira é a criação de um único círculo que englobe todo o arquipélago, por forma a acabar com a continuada disparidade entre os resultados eleitorais e a sua tradução em número de deputados, a qual desvirtua os princípios da representação e da proporcionalidade democráticos.

Neste ponto, o BE tem inteira razão, uma vez que em todas as eleições regionais realizadas desde o 25 de Abril na Madeira o PPD/PSD obteve sempre um número de deputados 10% superior aos votos expressos no partido.
Em 1976, obteve 60,7% dos votos e 70,7% dos mandatos. Em 1980, conquistou 67% dos votos e 79,5% dos mandatos. Em 1984, obteve 69% dos votos mas 80% dos lugares no parlamento. Em 1988, foi preferido por 63,5% do eleitorado mas era como se representasse 77,3%. Em 1992, a relação foi de 58% para 68,4%. Em 1996, de 57,9% para 69,5%. Por fim, em 2000, o PPD/PSD (ou melhor, Alberto João Jardim) conquistou 57,2% dos votos mas obteve uma representação parlamentar correspondente a 67,2%.

Perante tamanha disparidade continuada é legítimo questionar quem tem sido o principal prejudicado com isto. A resposta imediata seria todos os outros partidos, o que é verdade. Porém, entre estes o mais prejudicado tem sido claramente o CDS-PP, que em 2000 obteve quase 10% dos votos dos madeirenses, mas foi como se só representasse 5% na assembleia regional.

Agora já compreendo melhor a impossibilidade de uma coligação entre estes dois partidos na Madeira...


Encolher a Assembleia Regional

Outra das propostas do BE é diminuir o número de deputados na Madeira para 47. Não sei como é que o BE chegou a este valor, mas a verdade é que, se o aplicarmos a um círculo único, os bloquistas mantêm o mesmo número de deputados que possuem com o sistema actual. Assim ninguém os pode acusar de querer aumentar a representação parlamentar às custas de uma alteração do sistema eleitoral. Gente avisada.

Embora a redução proposta seja boa para os cofres do Estado, parece-me escusado que seja tão drástica, mais por uma questão de comparação com os Açores do que com outra coisa.
É que, de acordo com os cadernos eleitorais, a Madeira possui mais eleitores que os Açores, pelo que à primeira vista não faz sentido ter um número de deputados inferior ao dessa região autónoma.

Mas isto digo eu, que não sou ilhéu. Se calhar esta distinção até se justifica pelas diferenças geográficas entre um território e outro, e a respectiva necessidade de representação de diversas realidades.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:45 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 11, 2004

Inaceitável!

Segundo o Sítio do Sindicato dos Jornalistas, o FBI confiscou dois servidores da rede Indymedia em Londres, a pedido dos governos suíço e italiano.
Um dos sítios regionais afectados por esta apreensão foi o Centro de Média Independente de Portugal, assim como o da Galiza e o do Brasil, só para referir três dos mais de vinte que foram vítimas desta acção.

Esta atitude concertada de autoridades norte-americanas, britânicas, suíças e italianas contra uma rede de jornalismo independente foi já considerada pela Federação Internacional de Jornalistas como "intolerável e intrusiva". E com toda a razão!

Por este caminho, se a moda pega, qualquer dia as autoridades entram pelos escritórios do Paulo Querido a dentro e confiscam-lhe os servidores, só porque não gostaram de algo que um dos bloggers publicou.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:41 PM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 10, 2004

Quinta das Celebridades

Fizeram-me chegar uma mensagem de protesto contra a "Quinta das Celebridades", por esta constituir uma ofensa para os mais desfavorecidos.
Podem contar comigo nesta acção. Basta-me olhar para as capas das revistas cor-de-rosa nas bancas para saber que não se perde nada em não ver aquilo.

"A todos os que apoiamos os sem abrigo; os pobres e mais necessitados;
as crianças abandonadas nas ruas; os que vivem na solidão e abandonados;
Em nome de todos estes pedimos que não liguem os vossos televisores para a TVI nas 24 horas dos dias 12 - 13 e 14 de Outubro para baixar ao máximo as audiências e assim nos manifestarmos em protesto contra o programa "Quinta das Celebridades" e o que ganham os seus participantes. Isto é uma ofensa a todos os que nós apoiamos.
Não liguem a TVI e passem esta mensagem ao maior número de amigos, sff."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:22 AM | Comentários (13) | TrackBack

outubro 08, 2004

Euromilhões

Se as minhas contas não estiverem erradas, existe uma hipótese em 76.275.360 de eu acertar hoje no Euromilhões. Ou seja, o prémio está no papo...

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 04:20 PM | Comentários (3) | TrackBack

Nobel da Paz para uma ecologista

"A paz na Terra depende da nossa capacidade de cuidarmos do nosso ambiente".
Estas foram algumas das palavras usadas para justificar a atribuição do Prémio Nobel da Paz à ecologista queniana Wangari Maathai.

Era bom que este fosse um sinal de que o mundo está a regressar ao rumo que tinha antes de 11 de Setembro de 2001 (alguém se lembra de quais eram as prioridades nessa altura?), mas infelizmente ocorreu no mesmo dia que três atentados mataram dezenas de pessoas no Egipto.
Ou seja, as entrelinhas políticas que um Nobel da Paz costuma ter vão ser quase de certeza esquecidas na análise mediática que, se dedicar tempo de antena suficiente ao assunto, apenas falará do facto de esta ser a primeira mulher africana a receber este prémio (o que é bastante relevante).
Agora, ecologista? Mobilizadora de milhares de pessoas em torno de um desenvolvimento sustentável? Merecedora de 98% de votos na eleição para o parlamento? São dados públicos, mas se os média falarem disto têm os meus parabéns.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:12 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 06, 2004

Vamos a ver se sabem esta

Que líder partidário foi acusado de não saber pensar e, quando lhe foi pedida uma reacção a essa acusação, remeteu para a sua assessoria de imprensa?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 04:07 PM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 05, 2004

Eleições Regionais

Já começou a campanha para as eleições regionais, nas quais estão envolvidas cinco forças políticas na Madeira (PSD, PS, CDS-PP, CDU, BE) e sete nos Açores (PS, PSD/PP, CDU, BE, MPT, PDA, PPM).
Um ponto em comum entre ambas as Regiões Autónomas é que, nesta campanha, existem partidos empenhados em debater o respectivo sistema eleitoral: MPT nos Açores e BE na Madeira.
São propostas diferentes, cada qual adequada a uma realidade regional distinta e, tirando um ou outro aspecto que gostaria de ver limado, penso que ambas são válidas. Irei analisá-las por aqui, dentro de alguns dias.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 01:14 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 04, 2004

Preemptiva ou preventiva?

Reparei que, quando se fala na guerra no Iraque, há quem use, como se de sinónimos se tratassem, as expressões "guerra preemptiva" e "guerra preventiva".
Analisando a definição destes dois conceitos no dicionário, podemos ver que possuem sentidos distintos:

- Preventiva: executada por medida de segurança, profiláctica.

- Preemptiva: este termo deriva de preempção, palavra que, juridicamente, significa "cláusula contratual pela qual o primitivo vendedor tem preferência para readquirir o objecto vendido, caso este seja posto à venda; preferência na compra".

A primeira expressão não deixa dúvidas, mas a segunda - que tem sido muito usada pela administração Bush - pressupõe que os Estados Unidos venderam algo que era seu (o Iraque) a Saddam Hussein, e que este, há cerca de ano e meio, colocou o país à venda, razão pela qual os americanos activaram a sua preferência de compra... à força, porque o ditador iraquiano não queria cumprir essa cláusula do contrato.

(Se calhar estava em letras pequeninas, junto à parte em que falava exaustivamente acerca dos poços de petróleo do Iraque, a qual Saddam leu na diagonal porque se queria concentrar na trama do seu livro "Zabiba e o Rei".)

Qual delas será a mais adequada a este caso concreto?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 01:25 AM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 02, 2004

Fantastisch

Também através do Frederico, cheguei ao "Que Praga", onde encontrei estas Charadas do Desgoverno.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:50 AM | Comentários (1) | TrackBack

Ainda mais activo que José Magalhães...

... está o autor de A Nobre Casa de Guedes. (via Para Mim Tanto Faz)

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:42 AM | Comentários (1) | TrackBack

Empatados da Vida

Já não me lembro onde é que vi a notícia, mas lembro-me bem da história porque a achei muito interessante.

Os "Empatados da Vida" - Baptista-Bastos, Mário Ventura, Mário Zambujal, Eugénio Alves, José Manuel Saraiva e Vítor Bandarra - vão passar a divulgar todos os meses aqueles que, em sua opinião, foram o melhor e o pior artigo que saiu na imprensa, convidando os respectivos autores para um almoço. E, no final do ano, também dirão qual foi o melhor e o pior de entre os livros portugueses publicados.

Está bem de ver que a difusão destas selecções causará, certamente, polémica, algo que Baptista-Bastos considerou, em declarações à Lusa, se não estou em erro, como saudável, uma vez que o jornalismo e a literatura estão a falhar no seu dever de criar opinião e tensão ao nível social e cultural.

O primeiro veredicto dos Empatados da Vida - cujo nome deriva do facto de não se considerarem nem vencedores nem vencidos da vida - será emitido em Outubro e espera conseguir despertar as consciências mais adormecidas.

Além das escolhas, os seis intelectuais prometem apresentar as "listas negras" que existem nos jornais portugueses e que fazem com que certos nomes nunca tenham lugar nas suas páginas. Vai ser interessante ver quem as publicará...

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:35 AM | Comentários (0) | TrackBack