Já que para mim vai ser um bocado difícil estar este sábado, 2 de Outubro, pelas 18h30, no auditório da Fundação Eugénio de Andrade, no Porto, agradecia a quem lá fosse que desse um abraço e os parabéns ao meu amigo Rui Lage, que lá vai lançar o seu mais recente livro (o último não será, certamente).
A obra chama-se "Berçário", é editada pela Quasi, e será apresentada pelo professor universitário Arnaldo Saraiva em simultâneo com "Não me morras", de Eduarda Chiote, da &etc.
O encenador e actor João Paulo Costa fará a leitura de um pequeno conjunto de poemas de "Berçário" e "Não me morras".
Para quem não sabe como ir ter à Fundação Eugénio de Andrade, aqui fica a informação: Rua do Passeio Alegre, n.º 584 (mesmo no início do jardim do Passeio Alegre, para quem se estiver a deslocar no sentido Ribeira-Foz).
A polémica em torno do concurso de professores ainda não vai ficar por aqui. Soube de fonte bem colocada que em Setúbal existem escolas onde há turmas sem professor quando houve professores que as colocaram como primeira opção. Isto não seria nada de estranho... não fosse o facto de estes professores terem sido colocados noutros estabelecimentos de ensino!
Faça-se a computador, faça-se à mão, parece que já não há remédio para esta colocação!
José Magalhães continua muito activo em relação às casas na Arrábida.
Veja-se esta entrada e esta.
Como é que se chega a isto?
Como é que um país se sujeita a uma humilhação e a uma perda de oportunidades como esta?
Se calhar da mesma forma que se chega a um estado tal que uma pessoa entrevistada para a televisão a propósito das rendas da casa, perante a questão do jornalista se achava que a nova lei ia afectar a classe média, desabafou dizendo que "a classe média já não existe, isto agora é só ricos e pobres".
Cá o estão para provar as reformas milionárias de gestores que passam menos de um ano em instituições públicas, quando comparadas com os 200 euros mensais que ganham pessoas que trabalharam uma vida inteira. É esta a política de justiça social deste país...
Esta entrevista a David Justino feita por Isabel Leiria, do Público, e Raquel Abecasis, da Renascença, apresenta mais uma versão dos acontecimentos que terão levado ao escândalo da colocação dos professores para 2004/05.
A serem verdadeiras as declarações de David Justino, parte das culpas deste processo cabem a Joana Orvalho, directora-geral dos Recursos Humanos da Educação, que as terá assumido em carta enviada a David Justino, quando este ainda era ministro.
Confesso que a primeira vez que ouvi falar em Joana Orvalho foi no blog de Tiago Azevedo Fernandes. Até então, e apesar do seu importante cargo, nunca tinha ouvido falar dela.
E isto leva-nos até um problema que já tinha ocorrido aquando do caso de Diana Martins da Cruz, há cerca de um ano: o da visibilidade das diversas pessoas que ocupam lugares de decisão na máquina do Estado.
Pessoas que conheço e que trabalharam directamente com Pedro Lynce garantem-me que é uma pessoa honesta que não alinharia em esquemas como o que motivou a sua demissão. Dizem-me que o mais provável é que tenha assinado de cruz aquilo que o director-geral do Ensino Superior, Luís Filipe Ferreira, lhe colocou à frente, por uma questão de confiança técnica.
Sempre que alguma coisa corre mal, a comunicação social - e sobretudo aqueles que através dela fazem a sua política - ataca desde logo as figuras visíveis, porque o que se pretende é a polémica, o escândalo e não o apurar de responsabilidades reais e a resolução dos problemas.
E é neste ponto exacto que a entrevista de David Justino se torna interessante. Ao que parece, o ex-ministro pediu a criação de uma comissão de inquérito, fosse em que moldes fosse, para apurar o que estava a correr mal nas colocações de professores, só que, de início, "o PSD não se mostrou muito aberto"...
Agora, o governo já decidiu avançar com essa comissão, possivelmente devido a toda a repercussão que o caso teve. Mas isso não nos impede de ficar a pensar o que terá motivado o desinteresse inicial pelo apuramento de responsabilidades...
Embora não tenha escrito até ao momento nada sobre o assunto aqui no blog, tenho andado atento à questão da demolição de casas ilegais na Arrábida, anunciada pelo ministério de Luís Nobre Guedes, que tem ele mesmo uma habitação na zona.
Mas ainda não é desta que vou escrever. Por agora vou só reencaminhar para esta entrada no República Digital, escrita pelo deputado socialista José Magalhães, que reside na Aldeia da Piedade, em pleno Parque Natural da Arrábida. É elucidativa q.b..
Para complementar o post anterior, aqui fica um comentário (só com uma ligeira alteração) que coloquei no BdE:
"Por muito que ache a situação escandalosa, não considero que mandar Maria do Carmo Seabra para a rua seja a solução.
A ministra só está no cargo há dois meses e não será por culpa exclusiva dela que o sistema deu barraca.
Agora, seria interessante que os professores deste país, que ficaram com as vidas suspensas devido a esta brincadeira, se unissem e levassem os responsáveis a tribunal, exigindo-lhes indemnizações pelos danos causados a nível pessoal, familiar e profissional.
Convinha ainda que fossem os verdadeiros responsáveis - estejam eles nos mesmos postos ou noutras paragens - a contribuir substancialmente, do seu bolso, para essas indemnizações, para não desbaratar ainda mais dinheiro dos cofres do Estado.
É que não faz muito sentido que professores e pais paguem uma boa parte de uma eventual indemnização, já que foram os principais lesados..."
Sempre que algo corre mal na área de intervenção de determinado ministério, há sempre quem peça "a cabeça" do ministro, por ser necessário retirar ilações políticas das situações.
Porém, não é com a demissão da ministra Maria do Carmo Seabra que o escândalo da colocação dos professores para o ano lectivo 2004/05 se vai resolver e que 50 mil professores ficam a saber onde vão leccionar.
Afinal, Maria do Carmo Seabra só é ministra desde Julho, e este processo já estava a correr mal antes disso. Aliás, o processo já tinha corrido mal em 2003/04...
Eventuais responsabilidades políticas poderiam ter sido pedidas a José Barroso (ele só foi Durão com os portugueses), mas agora ele está em Bruxelas, ou a David Justino, actualmente sentado na Assembleia da República, nas bancadas da maioria.
O que há em comum entre os dois processos - o de 2003 e o deste ano - é o software criado pela empresa informática Compta, de cuja administração faz parte Couto dos Santos (ex-ministro da Educação nos tempos de Cavaco Silva).
Tendo tão ilustre figura na empresa, os responsáveis pela programação não podem dizer que não tinham forma de saber todas as informações acerca do funcionamento do processo de colocação de professores. Afinal, um ex-ministro da Educação deveria sabê-lo melhor do que ninguém.
Quando, nos tempos de Durão Barroso e David Justino, se assinou o contrato com a Compta, deveriam ter sido feitos testes completos ao software, antes de o colocar a resolver situações na prática.
Qualquer empresa miniminamente profissional faz isto SEMPRE, até para não ficar mal vista. Se a Compta o fez não se sabe, pois os seus responsáveis ainda não falaram em público sobre este assunto...
Esperemos então. A auditoria ao que correu mal em Setembro de 2003 é conhecida em Novembro de 2004 (diz a ministra), e aí, apesar das culpas óbvias, é provável que a empresa informática seja transformada no bode expiatório.
Ou talvez nem isso... no final das comptas, é preciso ver que estamos em Portugal.
Realiza-se sábado, 18 de Setembro, pelas 17 horas, a 5ª Marcha Anti-Tourada e de Defesa Animal, que terá lugar no Parque Eduardo VII, em Lisboa.
A iniciativa é geralmente pacífica, passando pela rotunda do Marquês de Pombal, segue para a Avenida Fontes Pereira de Melo, passa pela Avenida da República e termina no Campo Pequeno.
Quem quiser ver como costuma ser, tem aqui fotografias da 4ª Marcha, embora nada substitua a ida ao local.
Soube que há um grande órgão nacional em que as novas regras de estilo internas aconselham a substituição da palavra "vermelho" pelo termo "encarnado", dada a conotação política da primeira.
Gostava de saber que alternativas terão os autores destas regras para a palavra "popular" ou para cores como "laranja", "rosa" ou "verde". Afinal, também elas estão conotadas politicamente...
O projecto começou há cinco anos e tem divulgado imenso a música e dança tradicionais, tanto de Portugal como de outras partes do mundo.
Falo obviamente do At-Tambur, portal homónimo do conjunto musical que, com o seu CD de estreia, foi nomeado para o Prémio José Afonso.
Recomendo vivamente uma visita a este portal e, já que estou com a mão na massa, também ao meu "vizinho" Crónicas da Terra (está alojado no weblog.com.pt), que está a levar a cabo um passatempo bastante interessante na área da world music.
Testes rápidos para aferir tendências políticas de esquerda ou de direita.
Pontuem os dois conjuntos de palavras que se seguem e coloquem na caixa de comentários. As respostas desta pequena brincadeira chegarão dentro de uns dias.
as portas que Abril abriu nunca mais ninguém as cerra
seremos contra a invasão do Iraque não estamos dispostos a morrer para defender os vossos valores
Ao fazer uma busca na Internet, descobri o "2º relatório de progresso do Estudo sobre o Sistema de Transportes Colectivos de Passageiros da Área Metropolitana de Lisboa", elaborado em Dezembro de 2002 pelo gabinete de estudos e projectos Proplano.
Nele se diz que a idade média dos autocarros que circulam na AML é superior a 14 anos e que o imobilismo deste sector está "intimamente ligado à sua génese e à falta de vontade política para alterar o status quo".
Se fosse só neste sector...
No Bioterra, o João Paulo Soares reproduziu um artigo de opinião de Luís Salgado de Matos sobre o estudo da revista Proteste que indicava que ir de automóvel para Lisboa saía mais barato que ir de transportes públicos.
Como muito bem realça o seu autor, o estudo não leva em conta os custos que um automóvel tem para quem possua um, desde a aquisição até aos seguros, sem esquecer a manutenção ou mesmo a carta de condução. E tudo isto custa dinheiro (e muito).
Pois é. Mal vai a coisa quando um estudo de uma revista dedicada à defesa do consumidor se esquece de todos estes factores, comparando apenas os gastos de combustível de um automóvel com os gastos de um passe social...
Com todos estes factores, também eu tenho de ponderar se é de questionar o preço a que estão os transportes públicos em Portugal, uma vez que é preciso ver que as empresas precisam de colmatar as despesas com a aquisição e manutenção de veículos e o pagamento de salários aos motoristas e restantes funcionários, por exemplo. (Alguém sabe quanto custa um autocarro?)
O que se segue é parte do relato de Anna Politkovskaya acerca do que se passou em 2002, nas horas em que esteve no teatro Dubrovka, em Moscovo, a tentar mediar a libertação de crianças que eram mantidas reféns por um comando checheno.
"(..) Falo-lhe na libertação das crianças mais velhas.
"Crianças?", diz ele. "Durante as operações russas na Chechénia vocês ficam com as nossas de 12 anos para cima, por isso vamos manter as vossas".
Fazem isso para vingar a perda? "Não. Para que vocês sintam como é", responde ele. (...)"
Se a frase do rebelde checheno corresponder a uma realidade, é de ficar a pensar no que andarão a fazer os militares russos nas zonas que pretendem a saída da Federação. Tudo a coberto de uma tal de "luta global contra o terrorismo", como lhe chamam Vladimir Putin e George W. Bush.
Infelizmente, nada do que eu aqui disser pode devolver a vida às crianças e adultos que a perderam em Beslan, na Ossétia do Norte.
Por isso, deixo apenas aqui um facto pouco divulgado e que, talvez, quem sabe, podia ter alterado o desfecho deste caso: o envenenamento de Anna Politkovskaya.
Digo isto porque esta jornalista não tem, junto dos grupos separatistas da Federação Russa, a imagem da russa alinhada com o Kremlin, muito em virtude dos seus artigos e livros críticos - para ambos os lados - acerca da guerra na Chechénia.
Além disso, Anna Politkovskaya foi uma das pessoas que tentou mediar a crise de reféns no teatro Dubrovka, em Outubro de 2002, a qual terminou, tal como a de Beslan, da pior maneira, com a morte de 118 reféns após a intervenção das forças russas.
Por esse motivo, ninguém melhor que ela poderia ter mediado a libertação dos reféns na escola de Beslan, talvez recordando aos sequestradores o desfecho trágico no teatro Dubrovka.
Segundo notícias locais citadas pelo Comité para a Protecção dos Jornalistas, foi com esse objectivo que Anna Politkovskaya se dirigiu, a 1 de Setembro, do aeroporto de Moscovo para o de Rostov-on-Don, de onde partiria em direcção a Beslan, não fosse o envenenamento de que foi alvo.
A jornalista garante que a intoxicação só pode ocorrido no avião, onde lhe serviram um chá, dado que não comeu nada antes de embarcar no segundo avião (a entrada num primeiro avião foi-lhe negada).
Logo na chegada a Rostov-on-Don, a repórter russa começou a sentir-se mal e foi levada para o hospital, onde ficou internada e lhe foi diagnosticado o envenenamento. No dia seguinte foi transferida para Moscovo, horas antes do início da intervenção armada na escola de Beslan, a qual provocou, ao que tudo indica, mais de 200 mortos e inúmeros feridos.
Aqui há uns tempos fui passear para a zona centro do país e, quando estava ali para os lados de Arganil e Góis, deparei-me com uma placa de identificação de localidade que dizia "Alegria".
Seguiam-se meia dúzia de casas, muito verde e o lugar acabava pouco depois.
É bom saber que, nos tempos que correm, existe tal coisa como alegria neste país, por mais pequena que seja.