junho 30, 2004

Esmola? Nem pensar!

Em comentário a uma entrada de Pedro Guedes, do Último Reduto, sobre o livro "Reciclemos o Sistema Eleitoral!", um leitor identificado como Corcunda, questionou se a proposta apresentada não seria uma esmola para os partidos pequenos. A resposta dada segue abaixo.

"Pergunta o Corcunda se este não será "um livrito a pedir uma esmola para os partidos pequenos".
Garanto-lhe desde já que não é. O objectivo que tive ao escrever o livro foi o de procurar uma solução em que os cidadãos se revissem, independentemente da sua opção política.

Se os pequenos partidos saem favorecidos com essa lógica é porque, na realidade, têm uma base de apoio nacional que o justifica. Não é esmola, é terem aquilo que lhes pertence por representarem determinada parte da população.

Se eu quisesse favorecer deliberadamente os partidos pequenos defendia um método de apuramento como o de Saint Lague, em vez do de Hondt. Garanto-lhe que, com esse método, o MPT - partido em cujas listas concorri às Europeias - elegeria um deputado sem grande esforço.
Porém, isso resultaria numa grande pulverização da AR, tornando o país quase ingovernável... e não é isso que defendo.

Quanto às "margens de votação mínima" de que fala, também chamadas de cláusulas-barreira, elas são proibidas na nossa Constituição (artº 152º, nº 1), embora existam na prática. E, em círculos como os do interior e os da diáspora, até já chegaram aos 35%!"

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 28, 2004

Compasso de espera

Durão Barroso diz esta terça-feira se vai apresentar ou não a demissão do cargo de primeiro-ministro para assumir a presidência da Comissão Europeia.

Caso esse cenário se concretize, Jorge Sampaio terá de decidir se indigita um novo primeiro-ministro, sustentado pela configuração actual da Assembleia da República, ou se convoca eleições antecipadas.

Se optar pela indigitação de um novo primeiro-ministro, o Presidente da República estará a seguir a via da estabilidade do ciclo eleitoral, o que não é sinónimo de estabilidade política.
Para que a estabilidade política se verifique, é necessário que os portugueses reconheçam legitimidade ao novo governo. E isso só acontecerá se o nome escolhido por Sampaio agradar ao Bloco Central (PSD + PS).
Porquê? Porque se é certo que o PSD venceu as últimas Legislativas, também é verdade que dois anos e meio depois o PS recolheu nas Europeias um apoio semelhante ao que obtivera em 1999, em plena época guterrista.

Porém, essa solução não deverá agradar nem a socialistas, nem a social-democratas, pois um governo de Bloco Central neste momento corre o risco de desgastar a imagem de ambos os partidos.

Por esse motivo, a marcação de eleições antecipadas para o mais breve possível - Outubro, talvez, de modo a coincidir com as eleições regionais na Madeira e nos Açores - parece a única solução para o caso de Durão Barroso abandonar o barco.

Esta situação levaria a que a governação do país parasse durante uns meses, afectando ainda o crescimento económico, que deveria ficar em standby, à espera dos resultados.
Além disso, os partidos teriam de preparar as listas e a campanha eleitoral em tempo recorde, com tudo o que isso implica em termos de logística e de custos, já para não falar de riscos.

Com a saída de Durão, será preferível para o PSD concorrer coligado com o CDS-PP ou sozinho?
E o PS? Avançará com Ferro Rodrigues, apesar da sua baixa popularidade, ou procurará alternativas?
Conseguirá a CDU suster a queda que tem vindo a sofrer a cada eleição que passa? E manterá o BE a tendência para subir? Será que algum outro partido vai, no meio da confusão, eleger deputados?

Para já, resta-nos ficar à espera da decisão de Durão Barroso, prometida para esta terça-feira. Quanto a Jorge Sampaio, provavelmente só decidirá depois da final do Euro'2004. Também só nessa altura é que o país lhe dará a atenção que este assunto exige...

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 08:51 PM | Comentários (3) | TrackBack

junho 25, 2004

As perguntas que se impõem

É quase certo que Durão Barroso vai ser o próximo presidente da Comissão Europeia, sucedendo-lhe Pedro Santana Lopes no cargo de primeiro-ministro de Portugal.
Perante semelhante notícia, algumas questões se impõem:

1. Como é que alguém cujo partido perde as eleições no seu país pode ser nomeado para um cargo tão importante como o de presidente da Comissão Europeia?

2. Como é que, em nome de uma pretensa estabilidade, Jorge Sampaio não parece com vontade de convocar eleições legislativas antecipadas?

3. Como é que os telejornais abrem com esta notícia e lhe dedicam cinco minutos e depois passam quase uma hora de festejos em torno do futebol?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:00 PM | Comentários (4) | TrackBack

junho 24, 2004

Tributo a Giacometti este sábado

A iniciativa “As Tradições do Mundo Rural: Tributo a Giacometti”, que recordará o etnomusicólogo corso que estudou as raízes da cultura popular portuguesa, vai reunir dia 26, em Setúbal, figuras do cinema, música e antropologia.

Servindo de tema a uma tarde intercultural no Museu do Trabalho Michel Giacometti, no ano em que se celebra o 75º aniversário do nascimento do estudioso francês, a sessão terá lugar entre as 15 e as 18 horas e a entrada é livre e gratuita.

A sessão arrancará com a exibição de excertos do documentário “Polifonias – Paci è Saluta, Michel Giacometti”, realizado por Pierre-Marie Goulet e produzido por Paulo Trancoso, da Costa do Castelo Filmes, que vão estar presentes para falar da película e da sua continuação, neste momento a ser ultimada.

Seguir-se-á um debate sobre o resgate de tradições do mundo rural, com intervenções de Luísa Tiago Oliveira, docente do departamento de História do ISCTE e uma das colaboradoras nas recolhas orientadas por Giacometti em 1975, e de Jorge Freitas Branco, director do Departamento de Antropologia do ISCTE e um dos responsáveis pelo estudo da colecção etnográfica Michel Giacometti patente no Museu.

Para fazer a ponte entre o passado e a actualidade, estarão também presentes elementos da Associação Casa Rural, um projecto maioritariamente constituído por jovens que recolhem alfaias agrícolas e objectos tradicionais nas zonas da Marateca e do Poceirão, no concelho de Palmela.

A encerrar a sessão, haverá um lanche-convívio acompanhado da actuação do Grupo Coral de Peroguarda “Alma Alentejana”, agrupamento de cante alentejano fundado em 1936 na aldeia onde está sepultado Michel Giacometti.

Esta iniciativa é fruto de uma parceria entre o Museu do Trabalho e o grupo dinamizador da Associação Michel Giacometti, e conta já com os apoios da Biosani (Moinhos Vivos), da Maranata, da Casa Ermelinda Freitas, da Adega Cooperativa de Palmela, da Adega Cooperativa de Santo Isidro de Pegões, da Casa Agrícola Horácio Simões, da Queijaria Artesanal Vítor Fernandes, da Companhia Nacional de Carnes, das Tortas de Azeitão, da Sesibal e da Serrasumo – Refrigerantes da Arrábida, que fornecerão produtos gastronómicos típicos da região.

A deslocação do Grupo Coral de Peroguarda será possível graças ao apoio da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 03:50 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 23, 2004

Fundamentar é fundamental

Sempre que criticamos algo ou alguém, convém que o façamos de forma justificada, apresentando argumentos válidos e, se possível, avançando com propostas alternativas adequadas à situação que merece a nossa crítica.
Por isso, é essencial que nos informemos sobre as condições e as regras que pendem sobre os alvos da nossa crítica, de modo a não corrermos o risco de, indevidamente, difamar uma entidade ou pessoa.
Vem isto a propósito de uma entrada de João Tilly sobre a má construção de uma notícia da Lusa...

Sem se informar primeiro sobre o que é o jornalismo de agência e quais as suas regras (eu conheço-as porque estagiei lá), João Tilly decidiu pegar numa notícia da Lusa e criticá-la parágrafo a parágrafo.
Eis a minha resposta à análise por ele feita:

"Antes de fazer críticas aos "escrevinhadores de jornalismo" da Lusa, tente informar-se sobre algumas regras básicas de jornalismo de agência.
1. A repetição do nome Felgueiras soa mal, mas em agência a regra é a de identificar sempre o melhor possível a pessoa em causa, pelo que o nome era imprescindível no primeiro parágrafo.
2. Penso ser perfeitamente perceptível que 11 e 16 aparecem assim por serem superiores a 10, enquanto cinco, quatro, três e dois surgem por extenso em virtude de serem inferiores a 10.
3. A lista de arguidos era extensa demais para ficar num só parágrafo, daí a separação em dois. Caso não saiba, o jornalismo de agência é caracterizado pelos parágrafos curtos.
4. É verdade que "estes últimos todos" não soa bem, mas pelo menos é coerente com a fórmula que estava a ser usada: nome do arguido seguido da profissão.
Se a peça fosse de minha autoria, teria optado por algo como: "(...) António Bragança da Cunha, professor, e os industriais Anastácio Macedo, Guilherme Almeida, Joaquim Pinto, José Manuel Silva, Carlos Teixeira e Maria Augusta Neves.""


Sei que esta é já a segunda vez que aqui escrevo sobre críticas, em meu entender, mal fundamentadas de João Tilly. Se o faço não é por nenhuma embirrância especial contra este senense, mas porque gostaria de o ver fundamentar melhor algumas das opiniões que emite.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:05 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 22, 2004

Qual será a posição?

Estou curioso por saber qual é a posição do Desenvolvimento Sustentável acerca da questão da barragem no Sabor, mas ainda não me responderam.

Deixei lá este comentário há quase uma semana:

"Até agora, os únicos argumentos que, em meu ver, defendem um desenvolvimento sustentável são os da Plataforma Sabor Livre.
No entanto, apelar a este governo não deve servir de nada, até porque a opção da barragem também é defendida pelo autarca socialista de Torre de Moncorvo, que me parece estar apenas a pensar no curto prazo.
Contudo, penso que se as forças locais se movimentassem, o governo pensaria duas vezes antes de avançar com o projecto.

Por esse motivo, lancei um apelo no Reciclemos! à Secção de Desenvolvimento Sustentável do PS, para que sensibilizasse Aires Ferreira para a posição ambientalista, que me parece a médio e longo prazo mais benéfica para a região... Isto, apesar de não saber qual a vossa posição sobre este assunto, a qual até pode ser favorável à barragem... É?"

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

Comentado em casa alheia

Aqui ficam dois comentários feitos em casa alheia. No Blogue de Esquerda (II) e no Ma-Schamba.

Blogue de Esquerda, a 19 de Junho:

"Está mesmo tudo de pernas para o ar.
Até o Blogue de Esquerda já quer saber como se endireita! :)"


Ma-Schamba, a 18 de Junho:

"Se um dos princípios que o sistema democrático tenta seguir é o da igualdade entre os cidadãos, então não há motivos para discriminar alguém com base na sua localização geográfica.
Achei curioso vê-lo tocar neste assunto, pois há uns meses atrás escrevi sobre o voto dos emigrantes nas eleições que aqui faltam: as legislativas (http://reciclemos.weblog.com.pt/arquivo/062187.html)."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:37 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 18, 2004

Escapou-me esta

Quando pensava que tinha encerrado de vez o que escrevi sobre as Europeias 2004, eis que reparei neste comentário que fiz acerca da abstenção.

"Diz o AnTóino que: "Os eleitores não votam porque estão cansados de eleger sempre os mesmos. Para estes, a ABSTENÇÃO é o pior que lhes pode acontecer."

Nada mais errado! O que de pior lhes pode acontecer é não serem eleitos. E, ao absterem-se, os eleitores não impedem que "os mesmos" voltem a ser eleitos uma vez e outra e outra.
Isso só acontecerá se os eleitores actuarem, seja formando novos partidos ou votando naqueles que já existem, e que têm nas suas fileiras pessoas competentes e honestas, mas às quais falta o apoio mediático que possuem aqueles a quem o AnTóino chama "os mesmos".

Quanto à importância atribuída à abstenção... não vê que isso acontece porque em Portugal há uma tendência para encontrar bodes expiatórios?
Os votos em branco - que representaram mais de 2,5% dos votos - não servem como bode expiatório para as derrotas eleitorais. Por isso não são referidos no discurso dos derrotados. Nem no dos vencedores, uma vez que também são um protesto contra as suas propostas."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:40 PM | Comentários (1) | TrackBack

Comentários às Europeias

Para encerrar de vez a análise das Europeias neste blog, aqui ficam os comentários que fiz em (o vento lá fora) e no Barnabé.

Comentado em (o vento lá fora), a 14 de Junho:

"Na prática, pouquíssimo mudou. O PS tinha 12 deputados e continua com eles. O CDS-PP e a CDU tinham dois e eles lá vão continuar. Só houve a troca de um deputado do PSD por um do BE. O outro "laranjinha" (eram 9 passaram a 7) perdeu-se devido às novas ponderações resultantes do alargamento.
Por muito que também esteja saturado deste governo, estes resultados não representam um cartão vermelho."


Comentado no Barnabé, a 15 de Junho:

"Em resposta ao Daniel:
O cabeça de lista era Orlando Alves, se não estou em erro, e o Garcia Pereira era o nº 2.
E não fui ao site do MRPP. Tenho é uma tendência natural para prestar atenção aos partidos mais pequenos. :)"


Comentado no Barnabé, a 16 de Junho:

"No "distrito vermelho" houve mais um caso:
Na freguesia de São Martinho, em Alcácer do Sal, a coligação teve menos de 2% e ficou em quarto lugar, atrás da CDU, do PS e... do MRPP."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:09 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 17, 2004

Defeito profissional

Nunca coloquei o ping necessário para que as minhas entradas sobre o assunto aparecessem no espaço Ter Voz nas Europeias 2004, uma belíssima ideia que foi posta em prática no weblog.com.pt.
O mesmo já me tinha acontecido aquando do "Aqui posto de comando", dedicado aos 30 anos do 25 de Abril.

Não foi nada contra ambas as iniciativas, foi mesmo um problema de rotinas. É que antes de publicar qualquer entrada costumo ler o que escrevi. Se tudo estiver bem, a minha tendência é publicar a entrada de imediato. Nem olho para o espaço de envio de pings...
Deve ser um defeito profissional adquirido no jornalismo, no qual, por vezes, a urgência de informar dá origem a resultados menos completos do que os desejados.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 16, 2004

Futebol amargo

A propósito da derrota de Portugal no jogo inaugural do Euro'2004 contra a Grécia - que já não atormenta tanto os adeptos depois da vitória de hoje sobre a Rússia - o ns, do Laranja Amarga, referiu outras situações, em que as derrotas de Portugal teriam feito história.

Porém, após alguma pesquisa, descobri que tais situações não foram pioneiras, embora se tenham situado entre o pelotão da frente do seu género.
Reproduzo em seguida os comentários deixados a 15 e 16 de Junho:

"Lamento informar, mas em 2002 não fomos os primeiros europeus a serem derrotados por uma equipa asiática num Mundial de futebol.
Em 1966, a Coreia do Norte venceu a Itália por 1-0, resultado que viria a ditar o afastamento dos transalpinos num grupo em que também figuravam a União Soviética e o Chile.
E, nesse Mundial, foi Portugal que "vingou" a derrota europeia, ao bater os coreanos por 5-3, depois de ter estado a perder por 0-3!"

"Depois de alguma pesquisa, descobri que também não fizemos história em 1986.
É que, em 1982, a Argélia derrotou por 2-1 a República Federal da Alemanha e tornou-se na primeira equipa africana a vencer uma europeia numa fase final de um Mundial de futebol.
Os golos foram marcados por Madjer, Rummenigge e Belloumi."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:04 PM | Comentários (0) | TrackBack

O maior atentado ambiental dos últimos anos

O ministro Arlindo Cunha, responsável pela pasta das Cidades, Ordenamento do Território e "Ambiente", viabilizou o avanço da barragem no Baixo Sabor, contra os pareceres técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e os argumentos da Plataforma Sabor Livre, que está a estudar a hipótese de contestar a decisão nos tribunais nacionais e comunitários.

Tudo aponta para que a decisão tenha sido tomada para servir os interesses económicos da EDP, como explica Pedro Almeida Vieira numa entrada colocada a 15 de Junho no seu Estrago da Nação.

Os políticos a quem cabe tomar as decisões pensam no curto prazo, nunca no médio e muito menos no longo, e tentam passar a imagem de que os ambientalistas não querem o desenvolvimento da região, o que é falso.

Em notícia publicada no DN há algumas semanas, o socialista Aires Ferreira, presidente da câmara de Torre de Moncorvo, assumia-se como grande defensor do projecto e acreditava que a barragem ia trazer desenvolvimento à sua região, fomentando o comércio durante o tempo da construção e ajudando a fixar as populações naquele concelho transmontano.

No entanto, o contacto da jornalista que escreveu o artigo com a população jovem de Torre de Moncorvo demonstrava que a barragem era indiferente para a fixação de pessoas. Isso consegue-se com o emprego, que o próprio autarca reconheceu que não ia chegar à região com a barragem no Baixo Sabor.

A opção por um turismo de qualidade em contacto com a natureza selvagem do rio Sabor não será melhor para o desenvolvimento de Moncorvo, como defende a Plataforma Sabor Livre? Cria empregos, gera riqueza e leva pessoas diferentes a Torre de Moncorvo, dando maior animação à região.

Outra questão: Será que a produção de electricidade - que se pode obter de outras formas renováveis que não a hídrica - compensará a destruição irreversível do vale de Felgar, "uma das zonas mais férteis de Trás-os-Montes" e onde se produz anualmente cerca de 60.000 litros de azeite de elevada qualidade? Pois é. Mais riqueza e alguns empregos que se perdem com a opção da barragem.

Dito isto, será que a barragem, ao invés de ser o elemento fixador de populações defendido por Aires Ferreira, não acabará por promover o abandono progressivo dos territórios rurais?

Para travar esta barragem, não parece valer a pena apelar ao governo. Afinal, o Ministério nem sequer deu atenção aos técnicos do ICN.
Restam assim as opções de assinar a petição "Por um rio Sabor sem barragens!" e esclarecer a população local sobre os prós e contras deste projecto e das suas alternativas. Sem o apoio da população local à barragem - que existe em virtude das promessas de desenvolvimento - será mais difícil avançar politicamente com o projecto.
E, neste sentido, gostaria de terminar lançando um apelo aos bloguistas do "Desenvolvimento Sustentável": dado que fazem parte do PS, tentem fazer ver ao vosso camarada Aires Ferreira o erro em que incorre com o apoio àquele que é considerado "o maior atentado ambiental dos últimos anos".

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:32 AM | Comentários (2) | TrackBack

Santos da casa não fazem milagres

Em São Barnabé (Almodôvar), a coligação PSD/CDS-PP obteve uma das suas melhores percentagens alentejanas - 39,5% - e foi a segunda força mais votada.
E para provar que santos da casa não fazem milagres, o BE teve apenas 1%, a par do PPM e da Nova Democracia.

(Entrada especialmente dedicada ao Barnabé, que decidiu destacar os resultados das Europeias nas freguesias de São Pedro da Cova (Gondomar) e Sarilhos Pequenos (Moita))

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:31 AM | Comentários (0) | TrackBack

junho 15, 2004

Trabalho de jornalista

Os esclarecimentos do Rui, do Adufe, a propósito da divulgação feita pelo INE de dados relativos à inflação e às contas trimestrais é um verdadeiro serviço público.
Por desconhecimento próprio ou para tentar tirar partido da ignorância alheia, não é raro vermos pessoas que inventam teorias da conspiração que em nada beneficiam a vida em sociedade, uma vez que aumentam a desconfiança geral.

O que mais me choca - especialmente por ter formação em comunicação social - é ver jornalistas a entrarem nesse jogo de desinformação, seja por inocência, por conivência, por desinteresse, por cansaço, por autocensura ou por pressões externas.

As perguntas que o Rui coloca - e às quais responde logo a seguir por conhecer bem os procedimentos internos do INE - deveriam ter sido colocadas por um jornalista, e a resposta merecia ser difundida num órgão de comunicação social. Sem isso, o INE arrisca-se a parecer instrumentalizado em situações em que não o está.

Por fim, e parafraseando o Rui, deixo aqui um conselho aos meus colegas jornalistas: "perguntem porquê antes de dispararem. Mas perguntem mesmo. Quem está neste ofício, prezando acima de tudo a isenção, agradece. Essa é a nossa principal defesa. Se dispararem antes de perguntar poderão estar a prestar um excelente serviço precisamente àqueles que querem atacar."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:01 PM | Comentários (0) | TrackBack

Oposição pede legislativas antecipadas

Em virtude do resultado negativo obtido pela coligação de direita nas Eleições Europeias - menos de 40% dos votos -, a oposição de esquerda pediu a antecipação das eleições legislativas previstas para 2006, uma vez que a vontade expressa nas urnas demonstra que a coligação de governo já não tem o apoio da maioria dos eleitores.

Não, não foi em Portugal. Foi na Áustria.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 04:00 AM | Comentários (0) | TrackBack

junho 14, 2004

Europeias dos Pequeninos

Entre os pequenos partidos, as alterações também foram mínimas. Comecemos esta análise pelos três mais votados:
O PCTP/MRPP subiu ligeiramente a sua votação, mas isso é capaz de se dever a factores externos às suas propostas (ver as análises de Barnabé e Jaquinzinhos a este propósito).
A Nova Democracia captou 33.952 votos, ou seja, 1% do eleitorado. Para primeira experiência não é mau, mas tendo em conta o investimento feito na campanha e a cobertura mediática de que foi alvo por parte de alguns órgãos de comunicação, este será um resultado que sabe a pouco.
Também falado na comunicação social nos últimos dias de campanha, embora pelas piores razões, o PPM desceu o seu score, provando que longe vai o final da década de 80 e as elevadas votações nos monárquicos (muito graças à projecção mediática de Miguel Esteves Cardoso).

Passando para os três menos votados:
O POUS voltou a descer e desta feita ficou abaixo dos 5000 votos. Será que vale a pena continuar a insistir?
O mesmo se aplica ao PDA que, embora tenha subido a sua votação, não chegou sequer aos 5500 votos.
Quanto ao PNR - que tinha três bloguistas nas listas - cativou 8.119 pessoas com os seus ideais nacionalistas, o que não é de descurar, dado ser esta uma primeira tentativa.

Dito isto, restam os três que obtiveram pouco mais de 13 mil votos.
Para o MPT - Partido da Terra este foi um resultado quase tirado a papel químico das Europeias de 1999, enquanto o Partido Humanista, que se estreou em Europeias, obteve uma votação superior à das Legislativas 2002.
Igualmente estreante, o Movimento pelo Doente foi aquele que mais me surpreendeu... sobretudo devido aos motivos do voto nesta nova força política. É que, no dia das eleições, a minha mulher ouviu um eleitor que tinha ido à mesma mesa de voto que nós dizer para outro: "Como sou um romântico, votei no partido que tinha o coração".

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:49 PM | Comentários (0) | TrackBack

Só uma ligeira correcção de rumo

Uma análise aos números destas Europeias em Portugal mostra-nos que tudo ficou praticamente na mesma quanto à representação portuguesa no Parlamento Europeu (PE).
O PS tinha 12 eurodeputados e manteve-os. A CDU e o CDS-PP tinham 2 eurodeputados e também não viram esse número alterado.
Mudanças mesmo só ocorreram com o PSD, que de 9 mandatos desceu para 7. Um perdeu-se para o Bloco de Esquerda, que foi certamente o vencedor do dia, enquanto o outro se deveu às novas ponderações resultantes do alargamento, que dão a Portugal menos um lugar no PE.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:07 PM | Comentários (0) | TrackBack

Recorde mínimo de votos desperdiçados

As Europeias 2004 em Portugal tiveram um recorde mínimo de votos desperdiçados na conversão dos escrutínios em mandatos.
No total, o número de votos inúteis ascendeu a 249.405, o que corresponde a 7,63 por cento dos escrutínios depositados em partidos (excluem-se aqui os votos brancos e nulos).
Registe-se ainda que todos os votos na coligação PSD/CDS-PP foram aproveitados.

Por ordem descrescente, aqui ficam as perdas registadas por partido:

CDU 58017 MPT 13512
BE 41619 PH 13202
PCTP/MRPP 36102 PNR 8119
PND 33952 PS 6047
PPM 15464 PDA 5412
MD 13682 POUS 4277
Publicado por Luís Humberto Teixeira em 04:25 PM | Comentários (0) | TrackBack

Censura

Os dois comentários que se seguem pouco têm a ver um com o outro, excepto o facto de ambos falarem de censura e silenciamento.

Grão de Areia, a 1 de Junho:

"Curioso... Peguei exactamente no mesmo trecho de Mário Mesquita como ponto de partida para uma entrada sobre blogs e censura, disponível em http://reciclemos.weblog.com.pt/arquivo/114939.html."


Arte de Opinar, a 14 de Junho:

"É preciso não esquecer que ainda mais silenciado que o PND foi o PCTP/MRPP, e que mesmo assim obteve 36 mil votos."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 03:51 PM | Comentários (0) | TrackBack

Criticar é fácil

Criticar é fácil, e por esse motivo muita gente diz mal de tudo e mais alguma coisa, sem nunca pensar nas razões que estão por detrás daquilo que está a criticar.
Eu próprio tenho alturas em que critico sem razão. Porém, tento não usar demasiado a má língua para denegrir algo que desconheço, ou sobre o qual não estou bem informado.

Vem isto a propósito de um comentário que deixei a uma entrada de João Tilly sobre o nosso serviço público de televisão.
Queixava-se o João de excesso de futebolização da estação pública, tendo por base o teor das notícias encontradas numa pesquisa ao termo "Ronald Reagan" (sem aspas) no sítio da RTP.

É óbvio que o futebol tem demasiado tempo de antena quando comparado com outras áreas da vida portuguesa porventura mais importantes. Mas se é isso que se quer criticar, arranjem-se argumentos fortes, mais válidos, como os minutos excessivos dados pelos telejornais a questões menores (em termos de interesse público) como alguns aspectos da vida pessoal dos jogadores ou dos dirigentes.

Segue-se o comentário:

"Já pensou que isso talvez se deva ao facto de, nos últimos anos, Ronald Reagan não ter sido motivo de qualquer notícia, por estar afastado da política e padecer de um grave problema de saúde?
Além disso, as restantes 66 não se referem só a futebol. Duas falam do porta-aviões Ronald Reagan e uma outra refere o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble.
Ou seja, os Ronalds do futebol têm direito a 63 notícias, o que mesmo assim não me parece excessivo, uma vez que a informação desportiva também faz parte do serviço público e o espaço temporal da pesquisa é superior a um ano (a última notícia é de Fevereiro de 2003). E isto representa uma média inferior a uma notícia por semana."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 01:05 PM | Comentários (4) | TrackBack

A liberdade de divergir

O facto de fazer parte de uma lista de um partido não implica que se concorde com tudo o que essa força propõe. Foi essa a mensagem que pretendi passar num comentário colocado a 6 de Junho no Dito.Cujo.

A liberdade de poder ter uma opinião divergente é do melhor (e mais saudável) que há em democracia. Por isso, nos links deste blog estão paragens tão díspares como o Ondas, o Último Reduto, o Blasfémias, o Barnabé, o Speakers Corner Liberal Social e o Congeminações.

Pode-se dizer que partilho da visão de Voltaire acerca do debate de ideias - "Não concordo consigo, mas daria a minha vida para que o pudesse dizer" -, sem com isso colocar em causa a tentativa de convencer quem pense de forma diferente da minha acerca da validade dos meus argumentos.

Penso que deve ser essa a essência de um debate sério e inteligente: expressar abertamente as nossas opiniões e ouvir as dos outros com idêntica abertura, sem preconceitos.

Dito isto, aqui fica o comentário deixado no Dito.Cujo:

"O MPT vai ser a minha escolha e devo dizer que também não concordo com a ideia do senado e dos círculos uninominais, na forma como esta surge descrita no programa do partido.
Apesar desta discordância, aceitei fazer parte das listas às Europeias quando me convidaram. Até porque nessa altura já era pública a minha posição acerca do assunto, devido ao lançamento do livro "Reciclemos o sistema eleitoral!", no qual - depois de verificar que mais de 700 mil votos válidos são ignorados no apuramento de mandatos - proponho a instauração de um grande círculo nacional e de 22 círculos uninominais, correspondentes aos actuais círculos de eleição (contas feitas, o parlamento ficaria mais plural e recuperavam-se mais de meio milhão de votos).
De certo modo, penso que o convite que me foi feito demonstra a abertura de algumas pessoas na direcção do MPT a esta possibilidade, em lugar da ideia do senado e dos círculos uninominais que consta do programa político."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:23 PM | Comentários (0) | TrackBack

A vontade de votar e não poder

Nem toda a abstenção que se registou foi voluntária. Houve quem quisesse votar mas não pudesse, devido a um qualquer impedimento, previsto ou imprevisto, de chegar a horas à mesa de voto.
Sobre este assunto, fiz três comentários no Papel de Parede: a 2 de Junho, sobre a necessidade do voto à distância, e ontem e hoje, sobre a minha tentativa frustrada de testar o voto electrónico.

"Foi por pensar em situações como essa (que não são assim tão raras) que, em http://reciclemos.weblog.com.pt/arquivo/105661.html, proponho uma medida que permitirá que os cidadãos votem em qualquer lugar de Portugal, desde que as eleições sejam de âmbito nacional e exista uma mesa de voto."


"Então e o compromisso em Bragança (http://papeldeparede.weblog.com.pt/arquivo/115917.html)? Foi adiado? ;-)"

"Pois... estava desatento e não reparei no autor do post. :P
Sofri o mesmo problema que a Maria - apesar da minha freguesia ter o voto electrónico, este não estava disponível na minha mesa de voto. :("

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:08 AM | Comentários (0) | TrackBack

Opções para os abstencionistas

Sim. Tenho uma questão contra a abstenção. Não compreendo como é que alguém pode pensar que, ao não exercer um direito que possui, está a protestar contra quem o vai governar.
Por isso, em resposta a um post de João Tilly em defesa da abstenção, eis o que disse a 3 de Junho:

"Caro João,
Se está tão revoltado assim contra o "sistema" tem duas opções:
1. Votar fora desse sistema. Há candidatos com provas dadas em termos de cidadania, e com inegável valor profissional nas suas áreas, que estão na corrida em listas de pequenos partidos. Votar neles é mostrar que nem só de mediatização e gastos imensos em cartazes se fazem as eleições.
2. Criar o seu próprio partido, juntando-se a um grande grupo de pessoas às quais reconheça competência e honestidade. O processo complicou-se recentemente, e para estas eleições já não dá.

Defender a abstenção só servirá para se enganar a si mesmo. Seguir essa via nada resolve, mas é, infelizmente, a escolha de muitos portugueses, seja por comodismo ou por desalento.
Quando é que as pessoas vão perceber que está nas mãos delas mudar o rumo às coisas e que o voto é uma das poucas armas que têm para fazer face ao "sistema"?
Enquanto o seu feudo não for posto em causa, os líderes dos partidos do costume nunca se vão mexer.

Veja-se o que acontece na AR. O único deputado que consegue levar Durão Barroso aos arames é Francisco Louçã. Porquê? Porque, além de ser um bom parlamentar (concorde-se ou não com as suas ideias), Louçã é quase exterior ao sistema, tendo por isso uma postura que colide com a inércia de quem está instalado e acomodado.
O BE sabe que tem de dar nas vistas para manter o espaço que conquistou ou aumentar a sua representação. Daí a sua atitude mais activa.

Muitos outros pequenos partidos também têm esta postura activa, alertando para questões importantes que passam ao lado da maior parte da população. Por dificuldades de penetração no jogo mediático são normalmente ignorados pelos eleitores, que não conhecem as suas propostas.

Porém, quem está descontente com os candidatos do costume pode sempre votar no pequeno partido que mais se aproxime dos seus ideais, correndo assim o risco de acelerar a regeneração necessária da política portuguesa, a qual tarda a implantar-se dentro das principais forças.
Uma forma fácil de, eventualmente, se decidir por um partido pequeno é ver os tempos de antena com atenção e procurar traços de inovação e frescura. Ela anda por lá."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:52 AM | Comentários (0) | TrackBack

junho 13, 2004

Abstenção e abstencionistas

Na entrada "ABSTENCIONISTAS livres num país de POLÍTICOS CORRUPTOS: hoje vamos ter mais uma esmagadora maioria absoluta! E só precisamos de 31,5%", escrita por João Tilly, comentei o seguinte:

"O problema de alguns abstencionistas é que não se dão ao trabalho de analisar todas as candidaturas. Olham para a imagem passada pela comunicação social, generalizam e dizem, como o João, "vamos escolher entre um conjunto de ladrões e outro conjunto de corruptos?".
Porém, nessa análise rápida apenas apreciam 4 ou 5 listas, e não as 13 que concorrem a estas eleições, por exemplo.
Por isso, não acredito que alguém possa pensar que entre os mais de 300 candidatos portugueses ao Parlamento Europeu não existam pessoas sérias e honestas, que coloquem a causa pública à frente dos seus interesses pessoais.

Eu não gosto de generalizar, até porque nem todos os abstencionistas o são por vontade. Existe muita abstenção técnica (os chamados eleitores "fantasma", que rondam o meio milhão de inscritos) e involuntária (devido a uma viagem inadiável, uma doença súbita ou mesmo por morte do eleitor)."

Quanto às contas - os tais 31,5% necessários para os abstencionistas "vencerem" as eleições - prefiro fazê-las no final, para trabalhar com dados objectivos e não com projecções.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:05 AM | Comentários (2) | TrackBack

junho 12, 2004

Vale a pena pensar nisto

"Os maus governantes são eleitos pelos bons cidadãos que não votam"
George Jean Nathan (1882-1958)

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:04 AM | Comentários (2) | TrackBack

junho 09, 2004

2004: as mortes antes das eleições

As eleições deste ano de 2004 na Península Ibérica parecem amaldiçoadas.
A 11 de Março, três dias antes das eleições legislativas em Espanha, um atentado provoca a morte de 200 pessoas. A campanha foi suspensa e os acontecimentos desse dia e dos seguintes levaram muitos mais espanhóis a votar.
Agora, em Portugal, morreu em plena campanha o cabeça-de-lista do partido que vai à frente nas sondagens, fruto de uma paragem cardíaco-respiratória.
Faltam quatro dias para as eleições, mas penso que por cá dificilmente se vão verificar os níveis de votação ocorridos em Espanha.
As razões são várias: o fim-de-semana prolongado, o desinteresse normalmente associado às Europeias ou o Euro'2004, isto só para falar em três.

Fora isso, estes dois actos eleitorais na Península Ibérica têm um ponto comum: a imprevisibilidade do resultado na sequência de uma notícia chocante.
Se, por um lado, o factor emocional da morte de Sousa Franco pode beneficiar eleitoralmente o PS, também é certo que as circunstâncias em que tal ocorreu podem prejudicá-lo... Mas isso é o menos importante para já.

O que é triste é ver que só a morte consegue acabar, nem que seja por momentos, com os insultos e o baixo nível da discussão entre adversários políticos, sejam eles de partidos diferentes ou do mesmo partido.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 02:55 PM | Comentários (2) | TrackBack

junho 07, 2004

Bacelar Gouveia no debate desta noite

O professor de direito Jorge Bacelar Gouveia, oriundo da área política do PSD, vai ser outra das presenças no debate sobre o sistema eleitoral que se realiza hoje, pelas 21h30, no Auditório 1 da Feira do Livro de Lisboa.
Esta presença, confirmada há instantes, aumenta assim a diversidade de opiniões no debate marcado para esta noite.
Quem quiser dar também o seu contributo, colocar questões ou ouvir as propostas dos intervenientes, pode aparecer. A entrada é grátis. ;-)

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 06:13 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 06, 2004

Debater o sistema eleitoral na Feira do Livro

Esta segunda-feira, dia 7, pelas 21h30, vou estar no Auditório 1 da Feira do Livro de Lisboa a apresentar o livro "Reciclemos o sistema eleitoral!", numa sessão que contará com a presença de António Filipe, deputado do PCP.
Foram convidados elementos de outras forças partidárias, mas devido às acções de campanha não poderão estar presentes.
Deste modo, o debate far-se-á entre o autor do livro (eu), o deputado António Filipe e todos os elementos do público que queiram discutir formas de melhorar o nosso sistema eleitoral ou simplesmente colocar questões acerca do mesmo.

Para essa sessão, além das propostas constantes do livro, vou levar os resultados de um estudo que terminei há pouco tempo sobre o desperdício de votos em todas as eleições legislativas desde 1975 e nas quatro eleições europeias que tivemos até hoje. Para que se compreenda melhor a necessidade de reciclar este sistema eleitoral.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 08:03 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 05, 2004

Jornalismo e Literatura: Inimigos ou Amantes?

Na próxima terça-feira, às 21h30, pelo menos três bloguistas vão estar reunidos no Auditório 2 da Feira do Livro de Lisboa para participar no debate "Jornalismo e Literatura: Inimigos ou Amantes?".
São eles Pedro Mexia (Fora do Mundo), José Mário Silva (BdE) e Joel Neto (Não Esperem Nada de Mim), aos quais se junta a também jornalista-escritora Cláudia Galhós. A moderação estará a cargo da jornalista Helena de Sousa Freitas.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

Ofereçam-lhes uma agenda mais completa

Esta é a agenda do Governo para hoje, 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente. Não me espanta. Afinal, o MCOTA é o único ministério sem presença oficial na Internet.

É por estas e por muitas outras que, nestas Europeias, eu vou por aqui.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:27 PM | Comentários (5) | TrackBack

Durão Barroso esteve "à beira do abismo"...

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Ambiente, por isso decidi ver qual a forma escolhida pelos jornais para abordar a efeméride.
De tudo o que li, retive especialmente o artigo "Durão Barroso esteve "à beira do abismo"", de Pedro Garcias, no Público.

Nesta notícia, preocupa-me a hipocrisia do discurso de Durão Barroso, que afirma que o ambiente "é um elemento estrutural da política de desenvolvimento do país" e promete um reforço do investimento no sector... Isto quando as áreas protegidas deixaram de ter orçamento próprio e, ao que tudo indica (diz Pedro Garcias), o governo está a pensar em autorizar a construção da barragem do Sabor, contra o parecer do ICN e a mobilização de tanta gente na Plataforma Sabor Livre (só dou estes dois exemplos para me cingir à notícia e não me alongar demasiado...).

Uma última nota para Arlindo Cunha que, nesta sua primeira aparição pública, acusou os ambientalistas mais críticos de terem uma "visão urbana do Ambiente", equiparando-os a "mangas de alpaca", que "não sujam os pés na lama".
Obrigado senhor ministro, por ter frisado a sua ruralidade (lembrou-me uma figura de outros tempos...) e por ter deixado claro quais são as prioridades do Ministério das Cidades, do Ordenamento do Território e do... qual era mesmo este último?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:05 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 02, 2004

Petição atribulada

A petição acerca das privatizações começou ontem a circular e apresenta já 20 assinaturas. No entanto, têm sido vários os problemas técnicos, com algumas pessoas a queixarem-se de que o seu nome não fica registado, apesar de terem feito tudo bem, e outras a sofrerem do mal inverso, surgindo duas vezes na base de dados.
Enquanto tento resolver este assunto, podem visitá-la em http://www.petitiononline.com/privatiz/petition.html, pois ainda que ela mude de sítio, quem a assinar e ficar registado será imediatamente transferido para uma eventual segunda versão, sem precisar de voltar a inserir os seus dados.

É importante frisar que esta petição não é contra as privatizações, como erradamente intitulei uma entrada neste blog.
Em meu ver, uma privatização nada tem de mal - até é uma operação financeira que se pode mostrar vantajosa para o Estado, ao dar-lhe verba para investir em sectores carenciados.
Mas o que ela precisa é de ser justificada, bem executada e pensada de forma a não colocar em causa a sustentabilidade futura do país e dos seus cidadãos. É isso que se exige.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:34 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 01, 2004

Insistir nas Europeias

Lutando contra a ideia mediatizada de que, nas próximas eleições Europeias, só temos à escolha 2, 4 ou 5 partidos, vou andando pelos blogs a falar dos chamados partidos pequenos, que juntamente com os outros formam as 13 listas concorrentes.

Barnabé, a 20 de Maio:

"E, para completar o comentário do Luís Lavoura, concorrem também o MRPP, o Partido da Terra, o PPM, o Partido Humanista, o POUS, o PNR, o PDA e o Movimento do Doente. Porém, como estes partidos não gastam rios de dinheiro em campanha (seja por falta de verbas ou por respeito para com a situação económica de grande parte dos portugueses), a comunicação social não fala deles, o que dá a ideia de que nem sequer existem e de que não são opções válidas no dia das eleições. Mas são."


Dito Cujo, a 1 de Junho:

"Quais são os partidos pequenos de que já ouviu falar e nos quais não se revê?"

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 06:12 PM | Comentários (0) | TrackBack

Eu disse isto?! - sobre ambiente

A política ambientalista, a importância da ecologia e o novo ministro do ambiente, respectivamente no Observador, no (o vento lá fora) e no Afixe.

Observador, a 19 de Maio:

"Para um grande partido de esquerda ou de direita é simples assimilar os conceitos da política ecológica, seja pelo cariz social da questão(esquerda), seja pela conservação da natureza (direita).
Cumprir com as promessas feitas quando estas entram em conflito com assuntos mais próximos dos verdadeiros ideais destes partidos é que é outra conversa...
E aí que reside o problema da direita ou da esquerda se aproveitarem do "mercado" eleitoral ecologista. É que, ao fazerem-no, acabam por ofuscar os partidos ecologistas, impedindo-os de propor, em sede própria, políticas realmente amigas do ambiente.
Nesses partidos convivem muitas vezes pessoas que poderiam ser consideradas de direita ou de esquerda, as quais tentam, através do debate, ultrapassar as suas divergências e trabalhar em nome de um objectivo comum: o planeta.
Porém, se o fim dos complexos ecológicos à direita representasse um maior peso político para pessoas como Carlos Pimenta,vê-lo-ia, obviamente, com bons olhos. E a mesma lógica aplica-se à esquerda.
Não sou tão pessimista (realista) quanto o Paulo, mas reconheço que isso talvez se deva à vontade de manter a esperança, face a tudo o que vai acontecendo por este mundo fora..."


(o vento lá fora), a 19 de Maio:

São realmente poucos os que querem saber disso, e é aí que os ambientalistas precisam de começar a aplicar toda a sua inteligência, para fazer ver às pessoas que salvaguardar o ambiente é urgente!
Se é certo que os portugueses não estão tão sensibilizados para as questões ambientais quanto os escandinavos (cujos partidos ecologistas estão entre os três maiores), também não é menos verdade que isso se pode mudar. O que é preciso é usar a inteligência e encontrar formas eficazes de fazer passar a mensagem."


Afixe, a 21 de Maio:

"Ainda mais estranho é que o mesmo jornal diga que Arlindo Cunha substituirá Theias e o aponte noutra como nome muito falado para comissário em Bruxelas. Ou a remodelação é temporária e cosmética, a pensar nas Europeias, ou então não sabem o que fazer com o actual presidente da comissão de coordenação e desenvolvimento regional do Norte."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 06:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

Eu disse isto?! - sobre advogados

Sem intenção de generalizar a prática (exploradora) de um elemento a toda a classe, comentei o que se segue abaixo no blog Os Cães Ladram e a Caravana Passa, a 18 de Maio.

"É realmente preocupante o estado desta classe. No ano passado, a minha mulher contribuiu para a causa. Depois de consultar as leis, ficou com uma pequena dúvida quanto à possibilidade de avançar com um processo contra uma empresa que nos queria enganar.
Para a esclarecer decidiu falar com um advogado conhecido da minha sogra. Este ouviu-a durante cinco minutos e depois disse: "Sim, a lei está do seu lado, tal como diz. São 50 euros. E se quiser que eu envie uma carta para pressionar a empresa são só outros 50."
Escusado será dizer que nos ficámos pelo primeiro contributo. Mas só para impedir que o senhor perdesse clientes, quando saisse do consultório para colocar a carta nos correios..."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:53 PM | Comentários (2) | TrackBack

É já amanhã

Vamos lá ver se temos tanta capacidade de mobilização via internet e sms como a que os espanhóis tiveram no dia 13 de Março...

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 02:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

Petição online

Já está online - http://www.petitiononline.com/privatiz/petition.html - a petição pela legitimação popular das privatizações de património público estratégico ou muito importante.

O nome é longo e talvez um pouco complexo, mas o objectivo é simples: fazer com que o Estado português apenas possa vender património que a todos pertence – como as Águas de Portugal ou a Companhia das Lezírias – com o aval expresso dos cidadãos.

Durante as campanhas eleitorais, nenhuma força política nos fala em privatizar seja o que for. Porém, os últimos executivos têm alienado património muitas vezes estratégico - como é o caso das telecomunicações ou da energia - para equilibrar as contas públicas.

Se é certo que estas receitas extraordinárias podem ser importantes para fazer face a dificuldades orçamentais pontuais, não é menos verdade que a alienação de património estratégico põe em risco o desenvolvimento sustentável do país e, em algumas situações, até os direitos fundamentais dos cidadãos.

Por isso, é importante assinar esta petição e levar a Assembleia da República a alterar a Lei do Referendo, de modo a que os cidadãos possam finalmente ser autorizados a decidir sobre o destino a dar ao património que, por ser público, lhes pertence.

Esta petição tem por objectivo reunir o máximo de assinaturas para mostrar aos nossos governantes que os cidadãos não querem ficar alheados de processos de decisão determinantes para o seu futuro.

Escusado será dizer que se agradece que esta petição seja divulgada pelo maior número possível de pessoas.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 02:30 PM | Comentários (1) | TrackBack