maio 31, 2004

Hoje e sempre a censura está presente

Partindo da morte de José Augusto Seabra, Mário Mesquita usou o seu Espaço Público para falar dos vários tipos de censura, realçando a da abundância. Destaco o final:

"A dificuldade do cidadão comum residirá em separar a informação do ruído ou em construir a sua própria agenda pessoal por entre a torrente informativa quotidiana, veiculada pelas agências noticiosas, televisão, rádios, jornais e sítios da Internet. Como dizia José Augusto Seabra, as formas e os tipos de censura são "capilares", renovam-se e modernizam-se. Mais informação - ao contrário do que julgávamos, noutros tempos - não é automaticamente sinónimo de melhor informação ou de eliminação do boato."

Perante isto, importa questionar os blogs e a sua função social. Serão eles mais uma fonte de ruído, que apenas aumenta a informação já excessiva que recebemos todos os dias? Ou servirão como filtros daquilo que realmente interessa, produzidos por um opinion maker e que simplificam a tarefa dos cidadãos?

Caso a segunda opção seja a mais correcta, terei de ser levado a reanalisar alguns "pré-conceitos" que tive até hoje.

Quanto aos blogs sem opção de comentários, sempre pensei eu que eram pouco democráticos, dado que não permitiam o princípio do contraditório imediato, do debate de ideias interactivo.
Mas, quem sabe, talvez a impossibilidade de comentar, como acontece no Abrupto, seja apenas uma forma do responsável do blog defender a sua linha de pensamento, de modo a não confundir as mentes de quem o vê como formador de opinião.

Do mesmo modo, a eliminação de comentários a posteriori por parte do gestor do blog, como acontece de vez em quando no Barnabé, poderá não ser o "lápis azul" que parece à primeira vista, especialmente se os comentários removidos forem ofensivos, difamatórios ou completamente alheios ao assunto abordado.

Não sei se os autores de um ou outro blog recorrem a esta "censura do silenciamento" para evitar a "censura da abundância". Isso só eles poderão confirmar ou desmentir.
No entanto, uma coisa é certa: hoje e sempre a censura está presente.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 08:04 PM | Comentários (2) | TrackBack

maio 28, 2004

Água Pública

Já que estamos nesta onda de petições, aconselho todos os que considerem que a água é um património que deve ser preservado nas mãos de todos os cidadãos a assinar o abaixo-assinado pela gestão pública da água.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:00 PM | Comentários (2) | TrackBack

Petição contra as privatizações

Como prometido, o texto da petição sobre as privatizações está pronto. Poderá ainda sofrer algumas alterações, mas serão certamente de pormenor.
Esta versão pretende ser o mais simples e directa possível, razão pela qual não foram introduzidos alguns dos comentários propostos pelas pessoas a quem solicitei contributos.
Agradeço a todos os que contribuíram com as suas opiniões na fase de elaboração do texto e espero que a solução apresentada abaixo lhes agrade.

PETIÇÃO PELA LEGITIMAÇÃO POPULAR DAS PRIVATIZAÇÕES DE PATRIMÓNIO PÚBLICO ESTRATÉGICO OU MUITO IMPORTANTE

Tendo em conta que o património público é um bem de todos os portugueses, consideramos que a sua gestão deve ser feita em benefício destes numa perspectiva de longo prazo, o que implica a salvaguarda de património estratégico ou particularmente relevante em determinados sectores.

Foi com crescente preocupação que, durante as últimas legislaturas, assistimos a uma vaga de privatizações que, para obter receitas extraordinárias, levou à alienação de património essencial para o equilíbrio do país, como as telecomunicações, a energia ou a água, cujo processo está em curso.

Esta situação é ainda mais grave se tivermos em conta que essas privatizações nunca foram tema de debate durante as campanhas eleitorais e que recuperar esse património para o domínio público representa um esforço muito superior ao de aliená-lo.

Assim, requerem os abaixo-assinados, no exercício do direito de petição:

. Que todas as privatizações de património público relevante sejam referendadas, para que os verdadeiros proprietários desse património – os cidadãos – possam decidir sobre o destino do mesmo.


O primeiro passo a dar nesse sentido será a abertura de uma excepção para as privatizações na Lei do Referendo, uma vez que as questões e os actos de conteúdo orçamental, tributário ou financeiro estão excluídos do âmbito do referendo (artigo 3º, número 1, alínea b).

Vivendo nós em democracia, não faz qualquer sentido que os portugueses não se possam pronunciar sobre a alienação de património estratégico que lhes pertence.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:05 AM | Comentários (2) | TrackBack

maio 27, 2004

Salário menos mínimo

Faz hoje 30 anos que foi instituído o salário mínimo nacional. Sobre a evolução do mesmo, os dados disponíveis apontam para uma diminuição do poder de compra por ele permitido, factor que é ainda mais preocupante se o analisarmos à luz dos padrões europeus.
E já nem sequer falo da “Europa desenvolvida”, porque apesar de recebermos subsídios comunitários há 18 anos, dois dos novos países da União Europeia já nos ultrapassaram neste ponto: em Malta e na Eslovénia o salário mínimo ronda os 500 euros; por cá continua abaixo dos 400.
Apesar disto, estou já a imaginar a forma como os nossos governantes vão falar do nosso salário mínimo em 2005, independentemente do aumento que lhe fizerem: “Encurtámos claramente a diferença entre o salário mínimo português e a média europeia. Como vêem, os sacrifícios que pedimos aos portugueses não foram em vão!”
E os números vão dar-lhes razão, porque em países como a Eslováquia, a Estónia, a Letónia ou a Lituânia, o salário mínimo é inferior a 150 euros, o que puxa qualquer média para baixo!

Se o estado das finanças públicas é realmente tão mau como nos querem fazer crer, deixo aqui uma sugestão que permitiria melhorar o poder de compra de muitos portugueses sem complicar demasiado as finanças do Estado.
Passo 1: calcular o salário médio nacional.
Passo 2: tomar como referência a inflação estimada e adicionar-lhe um por cento (ou mais).
Passo 3: calcular o valor bruto desse aumento aplicado ao salário médio.
Passo 4: aplicar esse valor bruto a todos os salários.

Vamos então exemplificar com dinheiro a sério.
O salário médio nacional rondará os 750 euros. Prevendo-se uma inflação de 2,8%, vamos adicionar-lhe o tal um por cento, o que dá 3,8%.
Ora, 3,8% de 750 euros é 28,5 euros, o que implica que quem ganha o salário médio passa a receber 778,5 euros, enquanto quem recebe o salário mínimo de 366,5 euros, vê o seu ordenado subir para 395 euros, o que representa um aumento de quase 7,8%!

Mas, como tudo, esta medida também tem contras... quem ganhar acima de 1020 euros terá um aumento inferior à inflação prevista. E quanto mais se receber, menor será o aumento. Por exemplo, quem tiver um ordenado de 5000 euros, terá um aumento de 0,0057%, o que ainda assim é melhor do que um eventual congelamento do salário.

O mesmo raciocínio aqui proposto para os salários poderia ser seguido para as pensões de reforma, de maneira a aproximá-las realmente do salário mínimo, como tantas vezes prometem os partidos durante as campanhas eleitorais.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:41 PM | Comentários (4) | TrackBack

maio 26, 2004

Dia 2 de Junho não metam gasóleo nem gasolina

Chegou-me por e-mail e passo a reproduzir:

DIA 2 JUNHO NÃO METAM GASÓLEO NEM GASOLINA

Vamos fazer um boicote às gasolineiras. No dia 2 de Junho ninguém abastece nem um litro de combustível...
Se não pusermos cobro a isto agora nunca mais conseguiremos parar a subida dos preços!
Sim, porque mesmo que preço do barril de petróleo desça, os preços dos combustíveis mantêm-se, tal como ficou provado no passado fim-de-semana, em que o crude desceu abaixo dos 40 dólares/barril... Alguém notou a diferença?

Por favor, ajudem a espalhar esta mensagem por e-mail, SMS, folhetos nos cafés, centros comerciais e nas ruas e perto dos postos de combustível!

Somos nós que mandamos no País!!! Sem nós o País não anda!!! Se pelo menos 50% dos Portugueses aderirem no dia 2 Junho, isso representará uma quebra muito grande. E com uma ameaça de um novo boicote as gasolineiras até vão tremer!!!!!!

Reencaminhem esta mensagem, enviem sms e escrevam folhetos a dizer:

DIA 2 DE JUNHO NÃO METAM COMBUSTÍVEL!!

Vamo-nos unir!!!

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 06:11 PM | Comentários (2) | TrackBack

Informativo

A petição sobre as privatizações está a andar. Já foram recolhidas várias opiniões e o texto final está quase pronto.
Até ao final da semana devo dar mais novidades, pois o objectivo é entregá-la o mais breve possível na AR, de preferência antes das férias de Verão, e com o máximo de assinaturas.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 02:04 AM | Comentários (1) | TrackBack

maio 22, 2004

Privatizações

Como cidadão, estou farto de privatizações feitas ao desbarato. Não que tenha algo visceral contra elas, pois reconheço que há coisas que estão melhor nas mãos de privados do que do Estado.
E é por isso que defendo que a gestão até poderá ser privada, desde que se criem normas para salvaguardar o interesse público e o património não saia das mãos do Estado.

É que quando falamos de património público estamos a falar de bens comuns, muitas vezes estratégicos para o futuro - como a água - ou importantes em termos florestais, agrícolas, ambientais e mesmo económicos - como a Companhia das Lezírias. E depois de se privatizar é extremamente complicado levar a cabo o processo inverso.

Outro aspecto que acho inadmissível é que a participação do cidadão nos processos de tomada de decisão seja rigorosamente retórica. Veja-se o que nos conta Pedro Almeida Vieira nas suas Farpas Verdes LVII, de 2 de Abril, acerca da discussão pública do Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão de Dióxido de Carbono (PNALE).

Por isso estou decidido a enviar uma petição à Assembleia da República (mais uma para juntar às 83 que por lá "marinam", uma delas há já 12 anos) que obrigue a que todas as privatizações de património público relevante sejam levadas a referendo, de modo a que sejam os verdadeiros donos do património - e não um grupo de "gestores" eleitos por quatro anos e que nunca colocam essas privatizações nas suas promessas de campanha - a decidir sobre o futuro do mesmo.

Quem é que me quer ajudar na redacção da petição e a levar isto adiante?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 09:45 AM | Comentários (3) | TrackBack

maio 21, 2004

O Cavalo de Tróia

Na abertura da campanha "Portugal Positivo", Vasco Pulido Valente foi um autêntico cavalo de Tróia, tendo mesmo dito que "se houver mais dinheiro as pessoas começam logo a sentir-se melhor, nem precisam deste tipo de conferências".
Baseando a sua argumentação numa análise a séculos de história, VPV lembrou a tendência portuguesa para atribuir as culpas sempre a uma minoria e não ao grosso da população, sendo que esses bodes expiatórios acabam por criar uma sensação de "completa impunidade".

O bode expiatório actual, segundo VPV, são os políticos. Seja de forma merecida ou não, são eles que arcam com as culpas pelo que vai mal. Vai-se dizendo que "eles são todos iguais" e fala-se mal a torto e a direito.
(A propósito desta tendência para dizer mal dos outros, já dizia o Padre António Vieira que "e suposto que à Espanha lhe coube a cabeça [do diabo], cuido eu que a parte dela que nos toca ao nosso Portugal, é a língua")

E propostas, onde é que as há? E alternativas, quem é que as cria? As pessoas! Mas para isso têm de sair da confortável posição de espectadores da vida e passarem a ser actores. Os principais candidatos a cargos políticos não os convencem? A solução é simples, candidatem-se!

Isto é o que penso e foi esta a linha de raciocínio que segui para aceitar o convite de Luís Marques para integrar as listas do MPT ao Parlamento Europeu. Ficar parado a reclamar não me serve de nada. É preciso dar a cara por aquilo em que se acredita.

José de Brito Apolónia, director do quinzenário "O Rio", ex-eurodeputado pela CDU e ex-presidente da CM Moita, recordou na mais recente edição desse jornal que os tempos logo a seguir ao 25 de Abril foram "vividos com grande intensidade e puro voluntariado. Naquela altura, toda a gente reivindicava e pugnava pela resolução dos problemas da sua rua, do seu bairro, da sua terra. Foi um período de grande expressão do poder popular, em que a vontade de 'fazer coisas' era genuína".

Teríamos um país certamente melhor se voltassemos a ter gente com vontade genuína de fazer as coisas, em vez de simplesmente ficar em casa a olhar para a televisão e a "cortar na casaca" de todos os que nela aparecem.

Voltando às declarações de VPV, destacaria ainda aquela de que o problema dos portugueses é que se estimam demais e nunca fazem críticas directas, o que leva a que Portugal esteja "cheio de nulidades nas mais altas instâncias em que ninguém toca".
Neste ponto, e por uma questão de coerência com o seu discurso, VPV devia ter dito quem são essas nulidades intocadas. Provavelmente não o fez por a lista ser demasiado extensa... (mas isto é a minha língua portuguesa a funcionar ;-))

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:44 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 19, 2004

A não perder...

... estes dois artigos interessantes sobre a relação entre ecologia e política n'O Observador, de André Abrantes Amaral, e em (o vento lá fora), de Paulo Querido.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:58 PM | Comentários (1) | TrackBack

Os blogosféricos candidatos a eurodeputados

Exagerando, o Pedro Guedes, do Último Reduto, diz que quase meia blogosfera é candidata ao Parlamento Europeu. Eu só conheço quatro exemplos (os quais indico abaixo, por ordem alfabética). Caso alguém saiba de outros, pode deixar a informação nos comentários.

Como é provável que exista pelo menos um bloguista em cada lista, quem sabe se o ciberespaço não pode albergar o debate a 13 que os órgãos de comunicação social tradicionais se recusam a fazer?

Candidatos ao Parlamento Europeu com blog:
Ana Gomes (Causa Nossa) - PS - 3º lugar
João Carvalho Fernandes (Fumaças) - PND - 19º lugar
Luís Humberto Teixeira (Reciclemos!) - MPT - 11º lugar
Pedro Guedes (Último Reduto) - PNR - 14º lugar

ACTUALIZAÇÃO:
Bruno Oliveira Santos (Nova Frente) - PNR - 5º lugar
Duarte Branquinho (Pena e Espada) - PNR - 9º lugar

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:59 PM | Comentários (10) | TrackBack

maio 18, 2004

Pois é... sou candidato a eurodeputado

Fui adiando a publicação desta informação para que ela saísse primeiro no sítio oficial do Partido da Terra: ocupo o 11º lugar da lista do MPT às Europeias 2004, como independente.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 08:44 PM | Comentários (5) | TrackBack

Esclarecimento

Uma análise aos blogues de ambiente publicada no Turing Machine, de Porfírio Silva, levou-me a colocar por escrito aquilo que penso deste Reciclemos!. Aqui vai:

"Por vezes, também eu me questiono se o Reciclemos! é um blog ambientalista ou se é, simplesmente, um blog de um ambientalista.
O nome denota as minhas preocupações ambientais, mas foi escolhido devido ao livro "Reciclemos o sistema eleitoral!", onde proponho a aplicação da política dos 3 R's à lei eleitoral portuguesa, de modo a acabar com o desperdício de milhares de votos válidos (por exemplo, nas Legislativas 2002, mais de 700 mil votos foram em vão, pois não foram convertidos em mandatos).

É por causa dessa relação que o blog foge regularmente para campos mais políticos do que ambientais.
Seria certamente mais comedido nesse aspecto se não existissem blogs com tão bom trabalho em prol do ambiente como o Ondas, o Estrago da Nação, o Bioterra, Os Ambientalistas e todos os outros referidos na entrada.
Como sei que, com eles, a defesa do planeta está bem representada, permito-me divagar pelas águas da "ecologia política", dando de quando uma vez um ou outro contributo mais prático para um mundo mais verde."

Nota: O comentário original não possui quaisquer links.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 08:02 PM | Comentários (2) | TrackBack

Proposta de extinção do ICN e do IPJ

Elementos do PSD vão apresentar no próximo Congresso do partido uma moção que, entre outras coisas, defende a extinção do Instituto de Conservação da Natureza (ICN) e do Instituto Português da Juventude (IPJ).

Vale a pena ler a análise feita por Pedro Almeida Vieira, do Estrago da Nação, àquilo que já se conhece da referida moção, na entrada "Farpas Verdes LXXVIII".

Em relação a esta problemática fiz dois comentários e lancei um dado novo para a discussão, o qual obtive via Jornal de Notícias. Republico-os abaixo.

Dois comentários e um dado novo:

"O discurso ambientalista é, hoje em dia, politicamente correcto. Por isso, em altura de pré-campanha, o PSD decidiu aderir à onda, talvez para contrariar a má publicidade que resultou da análise da EU VoteWatch.

Se os subscritores desta "moção geracional" a apresentam "sem concessões de autoridade ou tiques de poder", porque é que propõe uma medida tão concreta como a extinção de dois institutos públicos, só porque estes não têm uma "orientação política actual"?

Segundo notícia do JN - http://jn.sapo.pt/textos/out2015.asp -, uma das figuras conhecidas ligada a esta moção é a ex-presidente da Liga para a Protecção da Natureza, Helena Freitas, que foi vice-presidente do IPJ entre Janeiro e Outubro de 1998."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:42 PM | Comentários (0) | TrackBack

Eu disse isto?! - Curtas

Europa, Código da Estrada, piqueniques, falta de quórum na Assembleia da República e graffitis. Eis os assuntos que se seguem...

Quartzo, Feldspato & Mica, a 5 de Maio:

"Gostei Rui.
Um verdadeiro discurso europeísta, no melhor sentido que o termo possa ter.
Essa é também a minha Europa."

Os Cães Ladram e a Caravana Passa, a 6 de Maio:

"Para promover o respeito pelas regras tanto entre ricos como entre pobres, o melhor era seguir o exemplo da Finlândia, onde as multas são proporcionais aos rendimentos dos autuados.
Lembram-se da multa ao presidente da Nokia?"


Bioterra, a 11 de Maio:

"Para mim, só é pena ser aí no norte, porque um piquenique desses não estava nada mal visto..."


Blasfémias, a 15 de Maio:

"Nos blogs não estavam a mexer (pelo menos publicamente), pois até ao momento só José Magalhães deu uso ao seu."


Ondas, a 16 de Maio:

"Por isso é que "quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais", como dizia Alexandre Herculano..."


Sadinos, a 17 de Maio:

"Diz o Paulo Simões: "Quem estraga o visual dos “graffs” são aqueles que vandalizam as paredes com mensagens estúpidas a amigos ou inimigos e com frases contra o governo (legitimas ou não)."
Se forem apenas frases, meras pichagens, posso até concordar com o Paulo, mas penso que este princípio não se poderá aplicar aos chamados murais.
Os murais marcaram o discurso político de forças como o MRPP e, actualmente, têm paralelo nas mensagens pintadas pela JCP e pelo BE em várias paredes.
O facto de terem uma mensagem política clara não impede que alguns deles também sejam arte, à semelhança dos graffitis do Colman, autor das imagens captadas pelo fotógrafo."

"É na Bela Vista, no edifício da ACM."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:26 PM | Comentários (0) | TrackBack

Eu disse isto?! - sobre a legitimidade política do PEV

Acerca da legitimidade política do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) contestada na Assembleia da República por Durão Barroso, fiz os seguintes comentários nas entradas "Legitimidade política das coligações", no Grão de Areia, "Farpas Verdes LXXII", no Estrago da Nação, e "Eu simpatizo muito...", no Blogue de Esquerda:

Grão de Areia, a 5 de Maio:

"Parabéns, pois os argumentos utilizados são excelentes para ilustrar a falta de razão e de espírito democrático do primeiro-ministro.
No entanto, entende-se a atitude de Durão Barroso. Ele ataca o PEV porque não lhe convém atacar para dentro da coligação de governo...
É que, a fazer fé nas sondagens, o CDS-PP vai obter dois eurodeputados no âmbito da coligação com o PSD. Se concorresse sozinho não elegeria nenhum.
E, para piorar a disposição de Durão, os 36,5% que as sondagens dão ao PSD correspondem a 10 eurodeputados... número idêntico ao que resulta dos 39,1% relativos à soma dos dois partidos."


Estrago da Nação, a 12 de Maio:

"E que nome teria esse partido renascido das cinzas? O mesmo? Ou seria preferível mudá-lo por questões de marketing político?"


Blogue de Esquerda, a 17 de Maio:

"Na questão do machismo penso que nada mais há a acrescentar. Quanto a uma outra questão colocada pelo Filipe - a legitimidade do PEV - também a considero válida.
Não critico os Verdes por terem sempre concorrido no seio de coligações. Afinal, estas são mecanismos permitidos aos partidos para evitar dispersão de votos. Veja-se o caso paradigmático da união pré-eleitoral de UDP, PSR e PXXI. O Bloco de Esquerda resultante alcançou resultados que nunca os três partidos alcançaram em separado. Foi uma vitória da inteligência, pois uniram-se esforços depois de descobertos pontos em comum.
Voltando aos Verdes, o que é que os levou a coligarem-se com o PCP nas eleições para a autarquia de Barrancos em 2001? O candidato apresentado pela CDU (PCP-PEV) foi António Pica Tereno, grande defensor dos touros de morte. Ora, nenhum partido ecologista que queira ser levado a sério entra numa coligação encabeçada por alguém que tem esta noção de direitos dos animais!
Mas se discordo desta actuação do PEV, também não concordo mais com a atitude de Durão Barroso na AR. Se ele não reconhece validade política ao PEV por este ter concorrido numa coligação pré-eleitoral, qual será a validade política do governo, que resulta de uma coligação pós-eleitoral e, como tal, nunca colocada à consideração dos eleitores?"

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

Uma ideia minha faz parte do espólio

Continuando com a política como assunto, aqui ficam dois comentários que fiz acerca do desperdício de votos nas Legislativas portuguesas. Embora seja um tema que aqui tem sido bastante esquadrinhado, em breve publicarei dados novos sobre o assunto.
O primeiro comentário foi publicado no Acanto, enquanto o segundo no República Digital, do deputado socialista José Magalhães. Aliás, foi deste último comentário que retirei o título desta entrada.

Acanto, a 4 de Maio:

Então e que me diz a esta interpretação (não manipulação) dos números?
Mais de 715 mil portugueses votaram em vão nas Legislativas 2002, pois os seus votos não foram convertidos em mandatos na AR.
E a média de todas as Legislativas em Portugal desde o 25 de Abril (11 ao todo) é superior a 770 mil votos ignorados por eleição!


República Digital, a 12 de Maio:

Caro José Magalhães,
Tal como você, também eu estranhei a falta de informações em torno da Comissão de Reforma do Sistema Político.
De facto, seria importante que questões como o voto electrónico ou outras formas de participação (a esse propósito, tenho uma sugestão em http://reciclemos.weblog.com.pt/arquivo/105661.html) tivessem sido mais debatidas.
Afinal, essa falta de publicitação, fez com que fossemos privados de "excelentes análises de aspectos críticos do nosso sistema político - feitas a várias vozes e com protagonistas incontornáveis", o que seria sempre útil para a discussão da democracia que temos e da democracia que queremos.
Apesar de nunca ter presenciado os trabalhos da referida Comissão, contribui para a discussão através do envio de um exemplar do meu livro "Reciclemos o sistema eleitoral!" a seis deputados nela envolvidos: Leonor Beleza (PSD), Vera Jardim (PS), Diogo Feio (CDS-PP), António Filipe (PCP), Francisco Louçã (BE) e Isabel Castro (PEV).
Sobre este meu contributo para o espólio da Comissão de Reforma do Sistema Político destacaria dois factos: os votos de mais de 700 mil pessoas de nada serviram no apuramento de mandatos na sequência das Legislativas 2002; e 89 mil eleitores de Évora elegeram 3 deputados, enquanto 88 mil açoreanos elegeram 5.
Perante estes dados torna-se evidente a urgência em mudar o sistema eleitoral. No livro, avanço com uma proposta feita do ponto de vista do eleitor que se preocupa com o impacto do seu voto, um eleitor que pretende que a sua opinião tenha mais possibilidades de ser tida em conta do que acontece actualmente.
Outras leituras que fiz entretanto levaram-me a modificar alguns aspectos da proposta de então, mas no essencial ela mantém-se: criação de um círculo nacional que eleja a maior parte dos deputados e implementação de círculos uninominais para compor o resto da AR.
Com ela, teria sido possível aproveitar quase 600 mil votos mais nas Legislativas 2002, neutralizar-se-ia o peso dos eleitores-fantasma e teríamos um parlamento mais plural.
Para finalizar, gostaria de lhe dar os parabéns por ser o pioneiro destes blogs parlamentares, os quais me parecem uma belíssima ideia para aproximar os eleitos dos eleitores que têm acesso à Internet (o qual, infelizmente, não está mais generalizado).

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:01 PM | Comentários (0) | TrackBack

Votar no PS para que António Vitorino seja Presidente?

Para encerrar o ciclo de comentários de alguma forma ligados às Europeias que fiz durante estes últimos 15 dias, aqui fica a minha parte de uma discussão com Alexandre Rosa, do Por Santiago, acerca da necessidade do voto no PS para que António Vitorino seja Presidente da Comissão Europeia.

"Em 1999 foi o apelo ao contributo decisivo para que Mário Soares fosse presidente do Parlamento Europeu (PE). O PS ganhou, mas Soares não foi presidente do PE.
Então para quê repetir a dose, com a "chantagem" de que a eleição de António Vitorino para a Presidência da Comissão Europeia depende do voto no PS?
As pessoas já sabem, ou pelo menos deviam saber, que não é votando no PS que este ou aquele português ocupa um cargo importante a nível europeu, pois esses são definidos pelas maiorias políticas resultantes das eleições nos 25 países da União Europeia."

"Caro Alexandre Rosa,
Também eu reconheço a importância de um família socialista europeia forte e até gostaria que ela tivesse maior peso no PE que o Partido Popular Europeu, de que faz parte o PSD.
Tenho esta posição porque, como ecologista, estive atento às votações dos vários grupos em matéria de ambiente, área em que tenho de dar os parabéns aos eurodeputados do PS Carlos Lage, Joaquim Vairinhos e Paulo Casaca.
Por fim, gostaria de esclarecer o uso do termo "chantagem". As aspas são propositadas porque, no momento em que estava a escrever o comentário, a frase não me veio como eu queria.
A ideia que pretendia passar era algo do tipo: "Então para quê repetir a fórmula, dizendo que a eleição de António Vitorino para a Presidência da Comissão Europeia depende do voto no PS?""

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

Eu disse isto?! - sobre sondagens para as Europeias

O estudo que fiz sobre quem serão, na prática, os nossos eurodeputados, caso as sondagens se confirmem, partiu de uma dúvida expressa por cparis, do Acanto.
Além de ter dado origem a seis entradas no Reciclemos! (esta, esta, esta, esta, esta e esta), ele também levou a comentários noutros blogs, os quais seguem abaixo.

Blogquisto, a 5 de Maio:

"Se as sondagens acertarem, a coligação é uma jogada que só favorece o CDS-PP, que assim manterá os dois eurodeputados, em vez de os perder. Para uma explicação mais completa consulte o Reciclemos!."


Acanto, a 5 e 7 de Maio:

"Pegando na sua sugestão, traduzi em eurodeputados as percentagens do tal barómetro da Marktest. Eis os resultados:
PS - 11 / PSD-PP - 10 / CDU - 2 / BE - 1
Nestas contas, fiz com que os 4,8 por cento que faltam (a soma das forças sondadas dá 95,2%) se dispersassem de modo similar pelos restantes partidos (MRPP, MPT, PPM, PH, POUS, PNR, PDA, PND e M-D).
Mas, caso algum desses partidos não sondados obtivesse 3,7% ou mais, elegeria um deputado, às custas da CDU.
Este exercício serviu ainda para ver que o PP sai beneficiado da união ao PSD, pois, a confirmarem-se as sondagens, não elegeria qualquer eurodeputado. A opção tomada sempre lhe permite manter os dois de 1999 (que ocupam o 4º e 9º lugar nas listas da coligação)."

"Eu não quero (no sentido de ser essa a minha vontade) concluir que o PP sai beneficiado em dois lugares.
Simplesmente, é nesse sentido que apontam os dados do Barómetro de Abril da Marktest, que me propus a converter em mandatos.
É uma mera interpretação das projecções existentes, projecções essas que, como todos sabemos, são falíveis.
Caso concorresse sozinho, o PP tanto poderia ter um resultado abaixo do indicado como acima. Tudo dependeria da vontade dos eleitores nas urnas.
Quanto ao facto da coligação existir para impedir que os partidos que a compõem se defrontem em campanha, isso tem vantagens e desvantagens.
Se é certo que uma coligação minimiza o desperdício de votos, também é evidente que esta coligação soa a falso, dadas as posições públicas de um e de outro partido em relação à Europa.
Partindo, agora sim, para a opinião, considero que o CDS-PP é o mais beneficiado por esta coligação, pois o slogan escolhido - "Força Portugal" - está, simbolicamente, mais próximo dos ideais nacionalistas do partido de Paulo Portas."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:34 PM | Comentários (1) | TrackBack

Votar num partido "pequeno"?

Em três blogs distintos - Acanto, Dito Cujo e Adufe - fiz a apologia do voto nos pequenos partidos, como opção possível para todos aqueles que estão desacreditados dos partidos estabelecidos.

Acanto, a 4 de Maio:

"Em matéria de ambiente foram quase todas (ver esta entrada).
Vasco Graça Moura (o nº 2 da lista PSD/PP) foi até o eurodeputado português que menos quis saber da defesa do ambiente.
Nos outros assuntos não sei, ainda não investiguei.
Porém, há uma outra questão importante: estas eleições, assim como todas as outras, não se resumem a PS e PSD.
Quem não gostar de um e de outro tem mais 11 à escolha: CDU, BE, MRPP, MPT, PPM, PH, POUS, PNR, PDA, PND e M-D."


Dito Cujo, a 5 de Maio:

"Compreendo a indignação, mas votar em branco não é solução, uma vez que nunca terá qualquer efeito prático nos resultados, à semelhança da abstenção ou do voto nulo.
Eu, como não me revejo nos quatro ou cinco partidos que são constantemente apresentados como "as opções" (neste caso: PSD/PP, PS, CDU, BE e PND), vou votar num dos "partidos pequenos" que tenham ideais mais próximos dos meus.
As hipóteses de eleger um eurodeputado são remotas, mas pelo menos vou estar de consciência tranquila, por saber que não depositei o meu voto num qualquer "mal menor"."


Adufe, a 13 de Maio.

"Nestas eleições há 13 partidos a concorrer, por isso se só 4 listas estão descartadas (PSD/PP, PS, CDU, BE), ainda lhe restam nove hipóteses.
Se o problema é estar farto do mal menor e do voto útil, então os chamados partidos pequenos são a melhor opção.
Uma abstenção em massa é normal e vão-se inventar mil razões para a justificar.
O voto em branco também já tem culpados: os leitores de "Ensaio sobre a Lucidez", de José Saramago.
Só a opção de muitos eleitores pelos pequenos partidos não terá justificação fácil do lado dos grandes e médios... E como até há o risco de eleição, seria interessante ver como se safavam os comentadores do costume no momento da análise, em caso de eleição de eurodeputados do MRPP, POUS, MPT, PH, PDA, PPM, PND, M-D ou PNR..."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

Eu disse isto?! - sobre a tortura no Iraque

A questão das torturas a prisioneiros iraquianos por parte das tropas da coligação foi muito debatida por toda a blogosfera.
Como o assunto é claramente condenável, apenas me pronunciei, a 8 de Maio, no Barnabé, quando numa caixa de comentários vi a sugestão de levar os militares perante um Tribunal Internacional.

"Reaça,
Essa solução seria a ideal, mas o problema é que os EUA não reconhecem autoridade ao TPI e, através da chantagem financeira, conseguiram que outros países, incluindo Portugal, assinassem acordos de não-extradição de cidadãos norte-americanos acusados pelo TPI.
O primado do dinheiro defendido pela administração Bush surge ainda na (vã?) promessa de Rumsfeld de indemnizar as vítimas, como se os dólares dos contribuintes norte-americanos bastassem para fazer justiça..."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:04 PM | Comentários (0) | TrackBack

Eu disse isto?! - O regresso

Depois de duas semanas de ausência, volto a colocar aqui os comentários que tenho posto noutros lados. Apesar de ter tido conselhos para seguir esta nova lógica mensalmente, penso que o melhor é fazê-lo, para já, de duas em duas semanas.

Como tal, aqui fica um resumo dos assuntos que abordei noutros lados desde 4 de Maio:
. Tortura no Iraque
. A diversidade de opções nas Eleições Europeias (são 13 as listas candidatas)
. Tradução das sondagens em eurodeputados e análise desses resultados
. A legitimidade política do Partido Ecologista "Os Verdes"
. António Vitorino na Presidência da Comissão Europeia
. Razões para a reformulação do sistema eleitoral português
. Piqueniques e animais
. Uma ideia de Europa
. Novas multas do código da estrada
. A falta de quórum na AR
. Graffitis - arte ou vandalismo?
. Comentário à moção que propõe a extinção do ICN e do IPJ

O conteúdo segue dentro de momentos...

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 04:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 15, 2004

As petições são como o whiskey

No sítio da Assembleia da República consta a informação de que ainda está pendente uma petição entregue a 9 de Julho de 1992.
Infelizmente, não nos é possível aceder ao conteúdo do referido documento, relativo a um protesto de vários cidadãos contra as "situações anómalas que resultaram da aplicação dos diplomas respeitantes ao novo sistema retributivo (NSR)".

Seria interessante saber se a situação que originou a petição ainda se mantém, doze anos volvidos, e qual a posição de quem a assinou perante o estado do documento na Assembleia da República.

Aliás, esta petição poderá justificar uma outra pergunta:
Será que os deputados pensam que as petições são como o whiskey, sabem melhor quando têm doze anos?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:33 AM | Comentários (1) | TrackBack

Falta de quórum ou "a ausência de sentido de oportunidade de Ferro Rodrigues"

A falta de quórum na Assembleia da República, aquando da votação do Código do Trabalho (uma das prioridades do Governo), não mereceu grande destaque na comunicação social e passou praticamente despercebida na blogosfera.
Aqui, honrosas excepções sejam feitas ao Irreflexões, ao Blasfémias, à Grande Loja do Queijo Limiano e ao Janela para o Rio (se outros falaram do caso, informem, sff).

Se é certo que a ausência de deputados da maioria é embaraçosa para o Governo, por denotar falta de respeito para com as prioridades do executivo, também não são menos condenáveis as faltas dos deputados da oposição que, caso tivessem comparecido em peso, poderiam ter feito valer a sua vontade de chumbar o diploma, embaraçando ainda mais o Governo.

Assim se prova a falta de sentido de oportunidade político de Ferro Rodrigues, que para cúmulo, ao que parece, foi um dos ausentes... como se já não lhe bastasse "imitar" o BE (vejam-se as declarações de ontem: "Os portugueses e as portuguesas não podem perder o dia 13 de Junho para ajustar contas com quem lhes mentiu").

Quanto à nova votação, ficou agendada para quarta-feira, dia 19. Ainda bem que a final da Liga dos Campeões é na quarta-feira seguinte, 26, ou lá teríamos novo adiamento...

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:25 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 14, 2004

Uma sondagem mais bipolarizada

Pelo que me deu para perceber desta sondagem da Universidade Católica para Público, Antena 1 e RTP, o PS terá 44,3%, contra 40,7% da coligação PSD/CDS-PP, 5,5% da CDU (não é explícito), 5,2% do BE e 0,8% do PND.

Traduzindo em mandatos, estes resultados representam 11 eurodeputados para PS e para a coligação de governo, e 1 para CDU e para BE. A confirmarem-se estas previsões, teríamos a representar Portugal no Parlamento Europeu:

PS - Sousa Franco, António Costa, Ana Gomes, Francisco Assis, Elisa Ferreira, Paulo Casaca, Sérgio Pinto, Fausto Correia, Edite Estrela, Capoulas Santos e Jamila Madeira
PSD/CDS-PP - João de Deus Pinheiro, Vasco Graça Moura, Assunção Esteves, Luís Queiró (CDS-PP), José Silva Peneda, Sérgio Marques, Duarte Freitas, Carlos Coelho, Ribeiro e Castro (CDS-PP), Pedro Duarte e Regina Bastos
CDU - Ilda Figueiredo
BE - Miguel Portas

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 09:12 AM | Comentários (0) | TrackBack

maio 12, 2004

Blogs parlamentares

Faz esta quinta-feira uma semana que foram estreados os blogs do Parlamento.
Até ao momento de publicação desta entrada, apenas estava activo o República Digital, do socialista José Magalhães, contendo três entradas e 24 comentários.
Espero que esta seja uma boa maneira de aproximar eleitos de cibereleitores.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 09:23 PM | Comentários (1) | TrackBack

Votar em qualquer lugar

Na entrada "Há mar e mar há ir e votar", tentei ilustrar uma ideia que me ocorreu para baixar os níveis de abstenção em Portugal.
A proposta é simples: colocar todos os eleitores do país numa única base de dados, a qual pode ser acedida por via electrónica em qualquer das mesas de voto.
Desta forma, um cidadão que esteja longe da sua mesa de voto, mas em território português, poderá votar na mesma, ficando o seu nome bloqueado na base de dados a partir do momento em que deposita o seu voto.

Para pôr esta medida em prática, seria necessário que todas as mesas de voto tivessem um computador com ligação à Internet. Tal não representará grande esforço, uma vez que as mesas de voto costumam ficar em escolas, escolas essas que, com o apoio da União Europeia, têm vindo a ser equipadas com computadores e ligações à Internet, no âmbito do programa eEurope.

Informaticamente, também não seria nada de mais criar uma base de dados como a que proponho e pô-la a funcionar em circuito fechado.

Só um problema se levantaria com esta medida: os boletins de voto. Sendo estes distribuídos de acordo com o número de eleitores inscritos numa determinada zona, em caso de excesso de afluência a essa mesa de voto por parte de pessoas não recenseadas nessa região, não haveria boletins suficientes para dar vazão à procura.
Contudo, esse seria um caso excepcional e, quem sabe, fácil de resolver. Bastaria para tal que, para essas situações, pudessem ser emitidos boletins de voto ad-hoc, impressos a partir da Internet mediante autorização da Comissão Nacional de Eleições.

Aliás, ecologicamente, talvez até se justificasse o abandono da produção em massa de boletins, passando estes a ser emitidos da forma acima descrita e à medida das necessidades em cada mesa de voto, consoante o número de eleitores que exercessem esse direito.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:32 PM | Comentários (2) | TrackBack

maio 10, 2004

Discos em papel

Depois do milho, aí vêm os discos em papel.
Mais pormenores sobre o assunto, em inglês.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 06:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

Há mar e mar, há ir e votar

Quinta-feira, 10 de Junho. Uma família da zona dos Olivais, em Lisboa, dirige-se ao aeroporto para embarcar no voo das 8h00 da TAP, com destino à Terceira, nos Açores.
Ouviram falar muito do arquipélago e por isso aproveitaram o fim-de-semana prolongado para fazer esta viagem. Sabem que existem eleições no dia 13 e todos pretendem exercer o seu direito de voto, razão pela qual marcaram o regresso para o voo das 10h25 de domingo, que chega a Lisboa pelas 13h35.
Aliás, não fossem as eleições e teriam optado por um dos outros dois voos de regresso à capital, um às 18h55, com chegada prevista para as 22h05, e outro às 21h10, com aterragem calculada para pouco depois da meia-noite. Ambos permitiriam o descanso necessário para, no dia seguinte, estarem de volta ao trabalho.
Os dias nos Açores são bem aproveitados e, no sábado anterior à viagem de regresso, Portugal vence o jogo de abertura no Euro'2004! Os festejos prolongam-se noite dentro, e a família junta-se à festa.
Acordam na manhã seguinte mesmo em cima da hora do voo e perdem-no por pouco. No aeroporto tranquilizam-nos dizendo que ainda podem regressar nesse mesmo dia, pois há vagas no avião da tarde.

Para aproveitar o tempo, dão uma última volta pela ilha e vêem alguns cidadãos dirigirem-se às respectivas mesas de voto. Lembram-se então que é dia de eleições e que, apesar de se encontrarem em Portugal, terem os seus documentos e estarem a metros de uma mesa de voto, não vão poder dar o seu contributo para a eleição dos 24 eurodeputados portugueses.
Sem quererem, contribuíram para a abstenção, que se revelou elevada, não obstante as mesas de voto terem estado abertas até às 22 horas, como sugeriu Ferro Rodrigues.

Frustrado com a situação, o filho vira-se para a mãe e pergunta: "Se as listas são iguais em todo o território porque é que eu sou obrigado a votar na zona em que estou recenseado?"
Sem nunca ter pensado no caso, esta diz-lhe que sempre foi assim e que certamente é impossível votar fora da área de residência por questões de logística, de organização do próprio processo eleitoral.
Atento às novas tecnologias, o filho reflecte um pouco e responde:
"Talvez tenhas razão, mãe. Mas a verdade é que se podia usar a Internet nas mesas de voto. Afinal, o programa eEurope previa que todas as escolas do país estivessem ligadas à Internet até ao final de 2001, não era? Mesmo que ele esteja atrasado, não há-de estar muito longe da conclusão..."
"Estás a falar do voto electrónico, filho?"
"Nem era preciso ir tão longe. Bastava que os responsáveis pelas mesas de voto pudessem, via Internet, confirmar os dados de um eleitor numa base de dados comum a todo o país. Depois de feita essa verificação, o nome desse cidadão ficaria bloqueado na base de dados, impedindo-o de votar segunda vez, em qualquer outra mesa de voto."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:19 PM | Comentários (1) | TrackBack

maio 07, 2004

Os nossos eurodeputados serão... (2)

Aplicando a este estudo da Eurosondagem o mesmo tratamento que dei ao Barómetro de Abril da Marktest, aqui fica a potencial lista dos nossos eurodeputados:

PS - Sousa Franco, António Costa, Ana Gomes, Francisco Assis, Elisa Ferreira, Paulo Casaca, Sérgio Pinto, Fausto Correia
PSD/CDS-PP - João de Deus Pinheiro, Vasco Graça Moura, Assunção Esteves, Luís Queiró (CDS-PP), José Silva Peneda, Sérgio Marques, Duarte Freitas, Carlos Coelho
PND - Manuel Monteiro, José Adelino Maltês, Nuno Montenegro e Paulo Ferreira da Cunha
BE - Miguel Portas, Violante Saramago Matos e João Semedo
CDU - Ilda Figueiredo

Em relação à simulação anterior, saem Edite Estrela (PS), Capoulas Santos (PS), Jamila Madeira (PS), Ribeiro e Castro (CDS-PP), Pedro Duarte (PSD) e Sérgio Ribeiro (CDU), entrando para os seus lugares Manuel Monteiro, José Adelino Maltês, Nuno Montenegro e Paulo Ferreira da Cunha (todos do PND) e Violante Saramago Matos e João Semedo (ambos do BE).

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 03:28 PM | Comentários (2) | TrackBack

As variações das sondagens

Averiguando apenas a popularidade dos cabeças-de-lista de cinco das forças candidatas às Europeias, um estudo de opinião da Eurosondagem para a Renascença, SIC e Expresso, realizada entre os dias 29 de Abril e 4 de Maio, deu os seguintes resultados:

Sousa Franco (PS) – 27%
Deus Pinheiro (PSD/PP) – 26,2%
Manuel Monteiro (PND) – 12,5%
Miguel Portas (BE) – 12%
Ilda Figueiredo (CDU) – 4,4%

Estes valores totalizam 82,1%, ou seja, 17,9% dos entrevistados não optou por qualquer dos nomes apresentados. É normal, ainda não estamos em campanha e existem mais oito partidos na corrida.

Porém, se transpusermos estes resultados para os partidos respectivos, esquecendo que as listas não dependem só da popularidade dos cabeças-de-lista e ignorando os 17,9% de eleitores cuja intenção de voto desconhecemos, teremos a seguinte distribuição de lugares:

PS - 8 | PSD/CDS-PP - 8 | PND - 4 | BE - 3 | CDU - 1

Como vemos, são valores muito diferentes dos do Barómetro de Abril da Marktest. Porém, é preciso não esquecer que os 17,9% de opiniões fora das opções sondadas podem corresponder a 4 ou 5 mandatos e, quem sabe, até alterar a relação de forças entre os partidos do estudo.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 03:12 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 05, 2004

Os nossos eurodeputados serão...

Continuando esta simulação relativa às próximas Europeias, aqui ficam os nomes dos eurodeputados portugueses, caso o Barómetro de Abril da Marktest se confirme nas urnas:

PS - Sousa Franco, António Costa, Ana Gomes, Francisco Assis, Elisa Ferreira, Paulo Casaca, Sérgio Pinto, Fausto Correia, Edite Estrela, Capoulas Santos e Jamila Madeira
PSD/CDS-PP - João de Deus Pinheiro, Vasco Graça Moura, Assunção Esteves, Luís Queiró (CDS-PP), José Silva Peneda, Sérgio Marques, Duarte Freitas, Carlos Coelho, Ribeiro e Castro (CDS-PP) e Pedro Duarte
CDU - Ilda Figueiredo e Sérgio Ribeiro
BE - Miguel Portas

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:06 PM | Comentários (2) | TrackBack

A relevância de 4,8%

A análise dos dados do Barómetro de Abril da Marktest levanta uma outra questão: para onde vão 4,8% das intenções de voto?
Digo isto porque a soma dos resultados atribuídos aos cinco partidos sondados (PSD, PS, CDU, BE e CDS-PP) dá apenas 95,2%. A quem cabem os 4,8% restantes?
Dividem-se de forma igual pelos partidos não presentes (MRPP, MPT, PPM, PH, POUS, PNR, PDA, PND e M-D)? Correspondem a votos em branco ou nulos? A abstencionistas? A indecisos? Não sabemos. A sondagem não nos diz.

Por isso, depois de extrapolar vários cenários possíveis, cheguei à conclusão de que caso algum dos partidos não presentes na sondagem obtivesse 3,7% ou mais, isso seria suficiente para eleger um eurodeputado, às custas da CDU, que assim veria a sua representação europeia reduzida a metade.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 06:08 PM | Comentários (0) | TrackBack

PSD elege 10 eurodeputados com ou sem CDS-PP

Com ou sem o CDS-PP, o PSD elege 10 eurodeputados nas próximas europeias, caso se confirmem os resultados avançados pelo Barómetro de Abril da Marktest para o DN e a TSF.

Fiz esta simulação na sequência de um desafio lançado pelo cparis, do Acanto, para traduzir em eurodeputados os valores que nos são apresentados pelas sondagens.

Assim, baseando-me nos dados do Barómetro de Abril da Marktest, os resultados são:

PS (41,9%) - 11 eurodeputados
PSD/CDS-PP (36,5%+2,6%) - 10 eurodeputados
CDU (7,3%) - 2 eurodeputados
BE (6,9%) - 1 eurodeputado

Porém, se PSD e CDS-PP concorressem em separado, os resultados seriam:
PS (41,9%) - 11 eurodeputados
PSD (36,5%) - 10 eurodeputados
CDU (7,3%) - 2 eurodeputados
BE (6,9%) - 1 eurodeputado
CDS-PP (2,6%) - 0 eurodeputados

Daqui se depreende que a coligação PSD/CDS-PP favorece apenas o CDS-PP, que conseguirá eleger dois eurodeputados (4º e 9º) às custas do PSD, dado que sozinho nada conseguiria.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 03, 2004

Nuno da Câmara Pereira

Se o Partido Popular Monárquico (PPM) concorre às eleições europeias... o que é que faz Nuno da Câmara Pereira no 20º lugar das listas da coligação "Força Portugal"?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:05 PM | Comentários (5) | TrackBack

Os treze que vão a votos

Terminado que está o prazo de entrega das listas de candidatos às eleições europeias, são treze as forças políticas portuguesas que vão disputar os 24 lugares que cabem a Portugal no Parlamento Europeu.
Comparando com as Europeias de 1999, em que foram onze as listas candidatas, os portugueses vão ter mais duas opções.

Vão então entrar na corrida: a coligação "Força Portugal" (PSD/CDS-PP); o PS; a CDU (PCP/PEV); o BE; o PCTP/MRPP; o MPT - Partido da Terra; o PPM; o PH; o POUS; o PNR; o PDA; o PND; e o Movimento do Doente.

Espero que, agora que já é oficial, as sondagens os incluam a todos.
É que as opções que temos são 13, não apenas 4 ou 5.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 09:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 02, 2004

Eu disse isto?! - 54

Sexta-feira e sábado comentei no Barnabé questões como os lucros dos bancos, a bolsa e a Taxa Tobin, tendo como principal interlocutor o Miguel, do Intermitente.
A minha parte da discussão segue abaixo.

"Caro João Miranda,
Tem toda a razão quando diz que se podem partilhar os lucros dos bancos, dado que estes estão cotados em bolsa.
O que está errado é dizer "todos", porque nem "todos" possuem as condições de vida necessárias para se arriscarem a jogar na bolsa, dado que quase todo o dinheiro que ganham é para entregar ao banco, por forma a saldar as dívidas contraídas para a obtenção de casa ou de cuidados de saúde.
Ou seja, de certa forma, a banca tira aos pobres, que lhe vão pedir emprestado, para dar aos ricos, que compram as suas acções."

"Gostava de esclarecer que não sou do BE e que, para mim, ser rico não é pecado. É uma situação de vida que resultará de herança familiar, de trabalho bem sucedido e/ou de sorte no momento de arriscar.
E é neste último ponto que entra a bolsa. Como já esclareceu o Ariann, os ricos são "os que têm verba disponível e podem sofrer as perdas/ganhos".
É uma constatação, não é uma crítica. O Miguel diz que eu "(inexplicavelmente)" acredito que o risco de jogar na bolsa é inexistente para quem é rico. Eu nunca afirmei tal coisa. Mas digo que jogar na bolsa é muito mais arriscado para quem tem o dinheiro contado.
É uma questão matemática: ao comprar mil euros em acções, alguém que tenha economizado exactamente mil euros arrisca-se a perder tudo o que poupou. Mas quem tiver dez mil euros, já só arrisca 10%... e quem tiver cem mil, arrisca 1%.
Por isso, quem não é rico opta pelo totoloto, onde pode arriscar 1% das suas poupanças.
E já que falo em totoloto, é preciso notar em mais uma diferença: os jogos da Santa Casa distribuem os lucros por várias causas sociais; a bolsa não. E esta é uma das razões que me levam a defender a Taxa Tobin."

"Caro Miguel,
Como mercado baseado na especulação, a bolsa exige sempre uma ponta de sorte. Tal como o totoloto, ela é um jogo de probabilidades.
Quanto ao conceito de risco, não me faz qualquer confusão. O exemplo que deu é igual ao que eu dei, com uma simples diferença: eu exemplifico com valores absolutos, você recorre aos percentuais. Eu falo em dinheiro real, você fala em dinheiro relativo.
É como os salários: um aumento de 3% para quem ganha 500 euros corresponde a mais 15 euros. Para quem ganha 10.000 são 300 euros extra.
Em termos relativos é o mesmo, em termos reais é muito diferente.
Mas concordo consigo quando diz que os lucros das empresas pertencem aos accionistas, que fazem com eles o que quiserem.
Apenas acho que, sendo a bolsa uma entidade sem qualquer fim social - como é o caso da Santa Casa - não deveria estar isenta de um imposto.
Conheço perfeitamente os riscos de fuga de capitais derivados da aplicação da Taxa Tobin. E é por isso que penso que ela deveria ser implementada a nível mundial, sendo as receitas entregues a uma entidade como a ONU, por exemplo."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:53 AM | Comentários (0) | TrackBack

Eu disse isto?! - 53

Eis aquilo que comentei, na passada sexta-feira, no Barnabé acerca do barómetro político DN/TSF.

"As sondagens são redutoras e condicionadoras, pois não incluem todos os partidos legalizados em Portugal como opção.
Já alguém viu sondagens com o MRPP, o MPT, o PNR, o POUS? Não digo o PND porque já as vi, embora não compreenda qual é a lógica de se "sondar" um partido acabado de nascer e não outro (PD), e ignorando por completo alguns que já cá andam há anos.
Quanto aos outros pontos da discussão, penso que é errado colocar-se Esquerda - 56,1%, Direita - 39,1%, uma vez que o PS não é, na prática, um partido de esquerda.
Viu-se isso logo em 1983. Soares podia ter virado o país à esquerda, aliando-se à APU, mas optou por formar o Bloco Central.
Não sei se os portugueses estariam melhor ou pior, mas a verdade é que logo aí ficou provado que o PS não é realmente de esquerda. Talvez seja de centro, não sei.
Por fim, apenas alguma água para a fervura entre o Pedro Sales e o JCD. É verdade que não temos uma ministra da Educação desde Ferreira Leite, mas temos uma ministra, Graça Carvalho, que tutela parte da Educação: o Ensino Superior. Terá havido uma falha na comunicação."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:44 AM | Comentários (1) | TrackBack