fevereiro 28, 2004

Taras e manias

Não, não é a canção do Marco Paulo. É mesmo a tara das garrafas de vidro que tinha referido na entrada anterior.
As manias, essas, aparecem aqui a propósito das garrafas de plástico que se transformaram numa verdadeira moda para tudo quanto é líquido (até vinho!).

São cada vez mais raros os estabelecimentos que vendem bebidas em garrafas de vidro com tara. Aliás, um estudo da Quercus revela que antes de 1995 as embalagens com tara eram as mais utilizadas nos refrigerantes. A situação inverteu-se nesse ano e tem vindo a piorar de então para cá, a ponto de em 1999 dois terços das embalagens de refrigerantes serem de tara perdida.

Sabendo que a reutilização de embalagens representa uma poupança nos gastos de produção e que as garrafas de vidro que não sejam reutilizadas podem ser recicladas, tendo um rendimento de 100%, é incompreensível esta tendência.

No entanto, é isso que sucede. Basta ir a um supermercado e vemos, sobretudo, garrafas de plástico na secção de refrigerantes. As de vidro que lá surgem são, regra geral, de tara perdida.

Quais são as justificações possíveis para esta tendência?
O facto do plástico ser inquebrável e mais leve que o vidro, por exemplo. Esta é aliás uma mais-valia do plástico no Verão, pois muitas pessoas gostam de levar as bebidas para a praia, e quanto menos peso carregarem melhor. Durante o resto do ano não lhe vejo grandes vantagens, bem pelo contrário.

Daí que tenha uma proposta a fazer aos responsáveis pelas marcas de bebidas engarrafadas e aos seus directores de imagem: apostem nas embalagens de plástico como exclusivo da altura de Verão e voltem a usar as embalagens com tara durante o resto do ano.

O ambiente agradecerá e os consumidores também vão apreciar a mudança.
Primeiro porque a entrega das garrafas de vidro para reutilização seria acompanhada da devolução do valor da tara, pago aquando da compra inicial.
Segundo, porque as garrafas de plástico passariam a estar associadas à chegada do Verão - altura por excelência das férias.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:55 PM | Comentários (1) | TrackBack

Blogs de ambiente e a tara das garrafas

Sempre que me quero informar sobre o que saiu na imprensa sobre ambiente basta-me consultar dois blogs: o Estrago da Nação, de Pedro Almeida Vieira, e o Ondas, de Octávio Lima.

O primeiro é da autoria de um jornalista militante da causa ambiental, que lançou há algum tempo um livro com o mesmo nome do blog (melhor dizendo, o blog é que tem o nome do livro).
Consulto-o sobretudo pela análise que Pedro Almeida Vieira costuma fazer da actualidade em termos ambientais.

O segundo é a minha fonte diária de recolha de imprensa nesta área e o principal motivo desta entrada, em virtude de dos comentários que fez às notícias "É preciso duplicar a reciclagem de embalagens" e "Sucatas põem PSD e PS 'à pancada'".

Diz Octávio Lima que os nossos políticos continuam "a derreter cera em longas sessões de assembleias, não em busca de soluções, mas em busca de petardos com que atingir o adversário".
E responde logo acima da melhor maneira possível: identificando um problema e avançando com uma solução.
"Eu quero que me dêem menos lixo para poder mandar menos lixo para o negócio que é a reciclagem. Por exemplo, quando é que se acaba com a estupidez de deixar vender garrafas de refrigerantes mais baratas por serem sem retorno do que as que têm retorno?".

Isto lembra-me algo de que já quase me tinha esquecido: há uns anos, o preço das garrafas de vidro nos supermercados e lojas incluía um pequeno valor para a tara, e esse dinheiro era mais tarde recuperado se o consumidor entregasse as mesmas garrafas vazias.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:36 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 27, 2004

Sou um liberal de esquerda

Fui até ao sítio Political Compass para descobrir onde me posiciono no eixo esquerda-direita. Apesar de acreditar cada vez menos em tal coisa, fiz o teste por curiosidade.

De acordo com o questionário, sou um liberal de esquerda, na onda de Mahatma Gandhi, Nelson Mandela e o Dalai Lama. Também é nesta área política que está inserido, segundo o Political Compass, o partido ecologista britânico.
No extremo oposto - autoritários de direita - estão figuras como Silvio Berlusconi, Ariel Sharon e George W. Bush. Nesta área política estão os Conservadores e o New Labour, de Tony Blair.

Os meus resultados foram:
Economic Left/Right: -6.12
Social Libertarian/Authoritarian: -2.67

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

Acerca de Ralph Nader e do Barnabé

Daniel Oliveira, do Barnabé decidiu falar sobre a candidatura de Ralph Nader à presidência dos Estados Unidos da América, criticando esta por lhe parecer um mero exercício da vaidade deste cidadão de 70 anos (cumpridos hoje).
Considero que a atitude de Nader é tudo menos criticável, e expressei isso mesmo num comentário que passo a transcrever:

"Em relação à candidatura de Nader, quer seja com apoios ou sem eles, penso que é importante, mais não seja porque aumenta o leque de escolha para os cidadãos.
O voto útil é a coisa mais inútil que existe para a democracia. E isso é verdade nos Estados Unidos como em Portugal.
Passe a publicidade, escrevi um livro com uma proposta de reciclagem do sistema eleitoral português depois de ter descoberto que mais de 700 mil pessoas votaram em vão nas Legislativas 2002.
Pode parecer que não tem muito a ver, mas tem. Se tivessemos outro sistema eleitoral o voto útil não seria usado como é para a típica chantagem do "voto neste para não ter lá o outro".
No sistema que proponho, que não constitui um corte demasiado radical com o actual, seria possível recuperar para efeitos de contabilização de mandatos quase 600 mil votos.
Levar estes 600 mil votos em consideração permitiria que o parlamento reflectisse de forma mais fiel a diversidade da sociedade.
O que está errado não é a candidatura de Nader - a qual será sempre útil, mais não seja para o debate de ideias - é o sistema eleitoral norte-americano."

Nesse sentido, acrescento aqui, "e o sistema eleitoral português também".
Sobre os EUA, penso que seria interessante ver um candidato à Casa Branca propor uma mudança na forma de eleição do presidente, no sentido de impedir a repetição de situações como a de 2000, em que o candidato mais votado (Al Gore) acabou por sair derrotado.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:27 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 26, 2004

Eu sei que você sabe

Acabei de ler o livro "Eu sei que você sabe", de Frederico Duarte Carvalho.
Com uma prosa muito bem urdida este livro questiona alguns dos principais factos políticos portugueses dos últimos 30 anos.

Nas teorias da conspiração que monta no seu livro, Frederico Duarte Carvalho recorre apenas à informação pública que está à disposição de quem tenha tempo de cruzar dados.

Em alguns momentos, essas hipóteses estarão próximas da verdade dos factos, noutros nem tanto. Mas, quer se acredite ou não nas teses levantadas pelo autor, uma coisa é certa: a dúvida sai vencedora e deixa-nos sem saber o que pensar das figuras políticas que têm comandado os destinos do país desde o dia 25 de Abril de 1974.

"Eu sei que você sabe" é uma obra útil para reciclar a mente e ver o mundo de outra perspectiva, seguindo uma filosofia semelhante à dos dois livros do jornalista francês Thierry Meyssan sobre o 11 de Setembro de 2001, ou à de alguns capítulos de "Brancos e Estúpidos", do norte-americano Michael Moore.

É um livro para todos aqueles que não se conformam com as verdades oficiais e, sobretudo, com os silêncios que envolvem determinados assuntos.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 04:37 PM | Comentários (3) | TrackBack

fevereiro 23, 2004

Gervásio a ministro

Às vezes, deparo-me com petições que, apesar de parecerem disparatadas, contêm uma atitude crítica e bem humorada... como esta que pretende promover o Gervásio a ministro do Ambiente. ;-)

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 06:48 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 22, 2004

Recorde não homologado

Acerca das Legislativas 2002... porque é que os sete votos do Partido da Solidariedade Nacional (PSN) em Vila Real não apareceram nos resultados oficiais das eleições, publicados em Diário da República?

Porque é que este recorde absoluto - e praticamente impossível de bater - não foi homologado? Será que houve aqui dedo do anterior recordista, o Partido Democrático do Atlântico (PDA), que obteve 438 votos em 1999?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:56 PM | Comentários (2) | TrackBack

fevereiro 20, 2004

Injustiças passadas

Para que o assunto não saia deste blog, quero partilhar convosco mais algumas injustiças que foram provocadas pelo sistema eleitoral que vigora em Portugal.

Recuemos então até 1980, ano em que AD obteve a maioria absoluta na Assembleia da República, apesar de ter tido menos de metade do total de votos.
Nessas eleições, o Partido Operário de Unidade Socialista/Partido Socialista dos Trabalhadores (POUS/PST) mereceu os votos de 83.095 pessoas. Número de deputados? ZERO.

Nessas mesmas eleições, o Partido Socialista (PS) conseguiu eleger três deputados a título individual, isto é, fora da coligação Frente Republicana e Socialista (FRS), que constituiu com a ASDI e a UEDS. Número de votos? 67.081.
Ou seja, com menos 16.014 votos obteve representação parlamentar: TRÊS deputados.

Em comparação com o PS, até a União Democrática Popular (UDP) teve razões para se queixar, pois obteve 83.204 votos e somente UM deputado.

E depois digam que não precisamos de outro sistema...

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:06 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 19, 2004

TRIBO e STRESS

A força do projecto descrito na entrada anterior começa logo no nome CUTE, que em inglês significa ‘perspicaz, inteligente, atraente’. Uma sigla assim facilita o encontrar de slogans para campanhas publicitárias.
Em meu entender, as boas ideias para o ambiente deviam sempre assentes em conceitos simples e apelativos, com os quais os utilizadores se identificassem.

Por exemplo: o uso de transportes colectivos amigos do ambiente em percursos escolares, seria uma excelente forma de sensibilizar desde cedo os mais jovens para as vantagens de uma solução ecológica, certo?

Então, seguindo a mesma filosofia da sigla CUTE, poderiamos apelidar essa rede de transportes escolares do 1º ao 9º ano de TRIBO – Transportes Rodoviários para a Instrução Básica Oficial, enquanto uma sua congénere destinada ao ensino secundário e superior se poderia chamar STRESS – Sistema de Transportes Rodoviários para o Ensino Secundário e Superior.
Melhor ainda, para salvaguardar a eventual introdução de meios de transporte não rodoviários nesta rede podia-se mudar o Rodoviários para Regulares. Assim seria possível incluir barcos, comboios e metropolitanos nestas redes de transporte colectivo.

Já imaginaram as campanhas publicitárias que se poderiam fazer com estes nomes?
Os mais novos teriam facilidade em absorver o conceito de TRIBO, uma vez que a escola é, por norma, o local onde se criam os primeiros grupos de amigos.
Quanto aos estudantes mais velhos, estou certo de que compreenderiam perfeitamente o uso da sigla STRESS... especialmente na altura dos exames!

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:35 PM | Comentários (1) | TrackBack

Autocarros movidos a hidrogénio

Três autocarros movidos a hidrogénio estão a servir há cerca de um mês a cidade do Porto, como parte integrante do projecto CUTE – Clean Urban Transport for Europe.
Com capacidade para 70 passageiros e uma autonomia de 200 quilómetros, estes veículos podem atingir a velocidade máxima de 80 km/h, são silenciosos, não poluem e usam como combustível o hidrogénio, que é só o elemento mais abundante do universo.
Além do Porto, estes autocarros estão à experiência em outras oito cidades da União Europeia – Madrid, Barcelona, Londres, Luxemburgo, Amesterdão, Estugarda, Hamburgo e Estocolmo –, havendo projectos idênticos em Reiquejavique (Islândia), para testar a solução em climas muito frios, e em Perth (Austrália), onde o objectivo é verificar a eficácia deste meio de transporte em climas quentes e em trajectos muito longos que precisam de ser percorridos rapidamente.

Para saber mais informações, consulte o sítio da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto e do Fuel Cell Bus Club.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:18 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 18, 2004

CDs feitos de milho

Se as previsões se confirmaram, já estão aí os MildDiscs, CDs feitos a partir de milho. Eu ainda não os vi, mas gostava de ver, pois são uma ideia excelente para o ambiente.
O press-release está no sítio da Sanyo, mas também vale a pena ver o tratamento jornalístico dado pela PC World.
Segundo a Sanyo, que inventou o produto, uma maçaroca dá para dez CDs e estes são tão resistentes como os habituais CDs de policarbonatos, com um período de vida de 50 a 100 anos e suportando temperaturas entre os -20º e os 50° Celsius.
Quando me deparei com esta informação ocorreram-me de imediato uma certeza e uma dúvida:

Certeza: Os Korn vão lançar o próximo CD apenas em MildDiscs, por uma questão de coerência com o nome da banda.
Dúvida: Será que, em caso de calor excessivo, os CDs se transformam em pipocas?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 09:35 PM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 16, 2004

A propósito da campanha

Para não defraudar quem aqui vem devido à campanha publog que coloquei a circular, aqui ficam as ligações para as principais entradas acerca do sistema eleitoral. É verdade: 715 mil portugueses votaram em vão e a prova está neste blog e num livro chamado "Reciclemos o sistema eleitoral!".

Pode começar por consultar "A pergunta óbvia", onde se explica como se chega a esta conclusão e como estamos a ser governados com base nos votos de menos de um quarto da população do país.

Depois pode ver o que é, em Portugal, "Igualdade de voto?!", e de que forma nos afectam realmente "Os "fantasmas" eleitorais".

Em seguida, tem à sua disposição contributos para a eventual resolução deste problema, em "Voltando à reciclagem do sistema eleitoral...", "Uninominais" e "Legitimação".
Se não estiver com muito tempo, pode consultar a "Proposta resumida".

Caso seja um eleitor português residente no estrangeiro, comente por favor a solução apresentada para "A questão dos emigrantes".

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 04:28 PM | Comentários (1) | TrackBack

fevereiro 15, 2004

Acabaram-se os PSs

Quando se pretende acrescentar algo a um texto que já está escrito é normal fazer-se um PS (Post Scriptum).
Porém, é rara a vez que não oiço um comentário do tipo "PS? Agora deste em socialista?"
Por isso já decidi. Acabaram-se os PSs.
Agora, passo a usar as Mensagens Pós-Texto (MPT). Assim já ninguém me pode acusar de ser vira-casacas.

E como não quero que amigos meus sejam acusados do mesmo, aqui vão algumas sugestões.
Aos social-democratas sugiro os Post Scriptum de Direita (PSD).
Aos comunistas os Pensamentos Cogitados Posteriormente (PCP).
Aos bloquistas que passem a usar Bitaites Extra (BE).
Aos populares os Comentários Depois da Sesta - Particularmente Prementes (CDS-PP)

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 12:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 13, 2004

Utilidade pública

Enquanto a mudança de visual não chega, aqui fica alguma informação sobre um projecto interessante do Departamento de Vegetarianismo da Liga Portuguesa de Direitos do Animal, para todos aqueles que acreditam na causa e têm algum tempo livre.

O Departamento de Vegetarianismo da LPDA vai iniciar um projecto onde o objectivo é levar um debate sobre produção animal e vegetarianismo às escolas e faculdades de todo o país.

Os debates serão organizados por cada voluntário, sendo necessário falar com o director da escola para pedir a sala e vídeo e pedir para divulgar o debate por todos os professores para que possam levar as suas turmas. Estima-se cerca de uma hora de debate mais 15min com um vídeo. Mesmo para pessoas muito ocupadas e sem tempo, esta iniciativa não rouba mais do que duas tardes (por debate), não é necessário que se visite mais do que uma escola por semestre, pelo menos, e dá um resultado enorme para o esforço que se teve.

Este trabalho tem uma enorme importância na educação e sensibilização de jovens na altura em que mais facilmente reflectem sobre o seu regime alimentar e sobre que rumo querem seguir na sua vida.

Se estiverem interessados em colaborar neste e noutros projectos tornem-se voluntários da LPDA para que recebam de seguida toda a informação.

Fonte: Sítio da LPDA

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 01:51 AM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 09, 2004

Aos resistentes

Aos resistentes que ainda aqui vêm, obrigado por não desistirem. O blog está parado há alguns dias por motivos de reciclagem gráfica. Espero não demorar muito mais tempo.
Obrigado pela compreensão.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 05:15 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 04, 2004

Angústias eleitorais

O Janela para o Rio PT está a sofrer de angústia pré-eleitoral. É compreensível.
A comunicação social faz as sondagens sempre com os mesmos cinco partidos (a única excepção foi a inclusão do PND pouco depois da sua criação) e os eleitores ficam sempre a pensar que estão limitados àquelas opções.
Se todos os portugueses votassem em consciência e não em função de impedir que este ou aquele fosse eleito, talvez tivessemos uma melhor vida política.
Eu não escondo de ninguém que costumo votar MPT, por uma questão de coerência com os meus princípios. E assim evito angústias pré-eleitorais.
Sofro apenas das pós... visto que poucas são as pessoas que optam por votar de forma diferente daquela que se espera (isto é: PSD, PS, CDS-PP, CDU ou BE).

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 03, 2004

Proposta resumida

Aqui vai então um resumo da proposta de reciclagem do sistema eleitoral que foi aqui exposta ao longo da última semana.

Proponho que os deputados à Assembleia da República sejam eleitos através de um círculo nacional de 200 deputados e 22 círculos uninominais, correspondentes aos 18 distritos do continente, às regiões autónomas (Açores e Madeira) e aos emigrantes (da Europa e de Fora da Europa).

Deste modo aplicar-se-ia ao sistema eleitoral o princípio dos 3R’s: Reduzir (o número de deputados), Reutilizar (os círculos de eleição) e Reciclar (o sistema propriamente dito).

No processo, os portugueses ganhariam uma democracia renovada, em que uma percentagem muito menor de votos seria desperdiçada (13,34% no sistema actual contra 2,33% no proposto) e em que o inútil “voto útil” perderia grande parte da sua razão de ser.

Além disso, os eleitores “fantasma” perderiam a influência que actualmente detêm nas eleições, onde provocam situações injustas como a de 88 mil pessoas elegerem cinco deputados pelos Açores enquanto 89 mil elegem apenas três por Évora.

O próprio acto de votar não seria muito mais complicado, com o eleitor a ter de colocar apenas duas cruzes – uma no partido da sua escolha para o círculo nacional, e outra no seu candidato preferido no círculo uninominal.

Simulando a aplicação deste sistema às Legislativas 2002: o PSD elegeria 95 deputados, em vez de 105; o PS ficaria com 89, no lugar de 96; o CDS-PP obteria 18, e não 14; a CDU conquistaria 14, contra os 12 que obteve; o BE ganharia 5, mais do que os 3 actuais; e o PCTP-MRPP colocaria um deputado na Assembleia da República, quando actualmente não está sequer representado.

Assim teríamos um parlamento mais plural e mais próximo da vontade dos portugueses, pois a diferença entre a votação real (% votação) e a sua conversão em mandatos (% mandatos) seria significativamente menor. Seguem-se as tabelas comparativas.

Sistema actual

Partido

Votação

% votação

Mandatos

% mandatos

Variação

PSD

2.200.765

41,02%

105

45,65%

(+4,63%)

PS

2.068.584

38,56%

96

41,74%

(+3,18%)

CDS-PP

477.350

8,90%

14

6,09%

(-2,81%)

CDU

379.870

7,08%

12

5,22%

(-1,86%)

BE

149.966

2,80%

3

1,30%

(-1,50%)

Outros

88.542

1,64%

0

0%

(-1,64%)

Sistema proposto

Partido

Votação

% votação

Mandatos

% mandatos

Variação

PSD

2.200.765

41,02%

95

42,79%

(+1,77%)

PS

2.068.584

38,56%

89

40,09%

(+1,53%)

CDS-PP

477.350

8,90%

18

8,11%

(-0,79%)

CDU

379.870

7,08%

14

6,31%

(-0,77%)

BE

149.966

2,80%

5

2,25%

(-0,55%)

PCTP-MRPP

36.193

0,67%

1

0,45%

(-0,22%)

Outros

52.394

0,97%

0

0%

(-0,97%)

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 07:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 02, 2004

A questão dos emigrantes

Antes de terminar a reciclagem deste primeiro artigo – o sistema eleitoral – aqui no Reciclemos!, gostaria de falar ainda dos emigrantes.
Quando se elaborou a actual legislação, o receio de um peso excessivo da diáspora levou à atribuição de quatro mandatos aos emigrantes: dois para os que residiam na Europa e outros dois para os que viviam fora dela.
Contudo, o número de portugueses recenseados no estrangeiro tem contrariado as preocupações iniciais, verificando-se uma taxa elevadíssima de abstenção.
Como tal, defendo a incorporação dos emigrantes num círculo nacional e a atribuição de um circunscrição uninominal para cada um dos actuais círculos da emigração.
Assim, os emigrantes poderão escolher o seu representante, à semelhança do resto do país e não terão um peso nem maior nem menor que qualquer outro português na escolha dos 200 deputados do círculo nacional.

E se os milhões de portugueses lá de fora se vão recensear e começam a decidir o destino de quem vive no país?
Para não contrariar os receios – legítimos ainda que não confirmados – de um peso excessivo de cidadãos que não residam no país, poder-se-ia impor um limite ao recenseamento, em lugar de um limite aos mandatos, nos círculos da emigração.
Essa limitação poderia ser indexada ao número de inscritos nos cadernos eleitorais do distrito administrativo menos populoso de Portugal.
Tendo as Legislativas 2002 como base, essa região seria Portalegre, com os seus 110.624 eleitores. O valor em causa é bastante superior ao dos cadernos da emigração, que contêm 85.539 inscritos na Europa e 77.074 fora dela, o que ainda deixa uma boa margem de progressão.
Desta forma incentivar-se-ia a limpeza dos cadernos eleitorais dos círculos da diáspora e até o próprio recenseamento de cidadãos, dado que perante um numerus clausus, quem se sentisse inclinado para o exercício da cidadania portuguesa tentaria, desde logo, assegurar a sua entrada nos cadernos.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:12 PM | Comentários (0) | TrackBack

Legitimação

Qual é a legitimidade dos 22 círculos uninominais propostos?
Esta opção pela reutilização dos 22 círculos eleitorais actuais tem duas razões de ser: princípios históricos e a vontade de manter um elemento de continuidade em relação ao sistema actual, para que os eleitores não sejam subitamente confrontados com uma configuração eleitoral totalmente nova.
Não se baseando na regra da proporcionalidade – para tal já temos o círculo nacional que dará igual peso a todos os portugueses – esta é uma medida de discriminação positiva do interior e de outras regiões menos populosas do país, que merecem ter representantes no parlamento.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 10:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

fevereiro 01, 2004

Uninominais

É claro que o círculo nacional comporta riscos, e um deles é o afastamento maior entre eleitores e eleitos, por se quebrar entre estes a proximidade gerada pelos círculos parciais actualmente em vigor.
Penso que os problemas que já aqui foram colocados em relação ao actual sistema de 22 círculos eleitorais plurinominais são mais nefastos para a democracia do que este potencial afastamento.
Porém, como não quero ser acusado de ignorar esta relação entre eleitores e eleitos, aqui vai uma solução.

Podiamos obrigar as listas nacionais a incluírem pessoas ligadas a cada um dos 22 círculos actuais nos primeiros 44 lugares elegíveis. Mas como é que se fiscalizava essa ligação?
Além disso, é preciso ver que uma norma como esta condicionaria as candidaturas de partidos de menor expressão, como o Partido Democrático do Atlântico, que está implantado sobretudo nas regiões autónomas.

Por este motivo, o que defendo é algo diferente: reutilizar os actuais 22 círculos eleitorais plurinominais e passá-los a uninominais.
Deste modo, os eleitores continuariam a ter o seu actual círculo eleitoral como referência e, teoricamente, até se estreitariam os laços entre eleitores e eleitos, pois estes últimos seriam escolhidos pelo que são, não por pertencerem a determinado partido.
Afinal, as condições para se introduzirem em Portugal os círculos de um só deputado estão criadas desde 1997. Porque não testá-los, para ver se resultam?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em 11:56 AM | Comentários (0) | TrackBack