dezembro 29, 2004

Sexto sentido

Ardia em febre e sentia que, internamente, o seu corpo se mexia de forma anormal, provocando distúrbios de vária ordem. Não era coisa que lhe agradasse, mas pouco podia fazer contra isso.
Chegou a pensar que talvez um descanso lhe fizesse bem, mas sempre tinha ouvido dizer aos mais velhos que “parar é morrer”... e morrer era coisa que não lhe agradava!
Ia continuar a dar as voltas que sempre tinha dado, fazendo de conta que nada se passava. Afinal, tudo nela permanecia praticamente inalterado.
A água continuava a ser o elemento maioritário do seu corpo, o sol a sua fonte de luz e inspiração, só as cores que apresentava a quem a via é que já não eram tão boas, mas nisso quase não se reparava, pois vivia num corrupio constante.
Ainda ponderou a hipótese de insolação como causa para a febre, mas afastou-a prontamente pois o sol continuava a ter a intensidade de sempre. O sol só poderia ser um problema se as suas defesas estivessem em baixo, devido à acção de vírus ou bactérias malignas.
Desconfiava seriamente que era esse o problema, mas não foi ao médico. Limitou-se a esperar que a acção das suas defesas internas e de algumas bactérias benignas fizesse desaparecer o problema.
Mal sabia ela que as defesas internas não distinguem as bactérias benignas das malignas nas suas acções de combate, e levam tudo à frente... por vezes em números aterradores.
É que, nesses momentos de purga, só escapam mesmo alguns organismos com um sexto sentido muito apurado.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em dezembro 29, 2004 05:07 PM
Comentários

Que é esquisito, isso é verdade.
Daí à conclusão... vai uma certa distância!

Afixado por: mfc em dezembro 29, 2004 09:44 PM

Claro que vai, Manuel.
Este texto foi apenas uma forma diferente de apresentar a curiosa notícia que descobri num site neo-zelandês. :-)

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em dezembro 29, 2004 10:01 PM