Reparei que, quando se fala na guerra no Iraque, há quem use, como se de sinónimos se tratassem, as expressões "guerra preemptiva" e "guerra preventiva".
Analisando a definição destes dois conceitos no dicionário, podemos ver que possuem sentidos distintos:
- Preventiva: executada por medida de segurança, profiláctica.
- Preemptiva: este termo deriva de preempção, palavra que, juridicamente, significa "cláusula contratual pela qual o primitivo vendedor tem preferência para readquirir o objecto vendido, caso este seja posto à venda; preferência na compra".
A primeira expressão não deixa dúvidas, mas a segunda - que tem sido muito usada pela administração Bush - pressupõe que os Estados Unidos venderam algo que era seu (o Iraque) a Saddam Hussein, e que este, há cerca de ano e meio, colocou o país à venda, razão pela qual os americanos activaram a sua preferência de compra... à força, porque o ditador iraquiano não queria cumprir essa cláusula do contrato.
(Se calhar estava em letras pequeninas, junto à parte em que falava exaustivamente acerca dos poços de petróleo do Iraque, a qual Saddam leu na diagonal porque se queria concentrar na trama do seu livro "Zabiba e o Rei".)
Qual delas será a mais adequada a este caso concreto?
Publicado por Luís Humberto Teixeira em outubro 4, 2004 01:25 AMPREEMPT - apropriar-se, ter prioridade.
Como vê, eles até são francos... dão-se ao luxo de serem claros como água.
Os nossos comentadores é que traduzem eufemisticamente por guerra preventiva ou alarvemente preemptiva!!!!!
Eu não acredito nessa história da venda, pá! Onde é que o Saddam colocou o anúncio de venda do Iraque? Eu consulto o Expresso Imobiliário todas as semanas e não vi lá nada!
Tenho cá para mim que o que aconteceu foi uma acção de despejo, porque os americanos nunca venderam realmente o Iraque ao Saddam, só o alugaram. Essa é que é essa!
Afixado por: casimiro em outubro 4, 2004 01:35 PM