setembro 04, 2004

Politkovskaya e Beslan

Infelizmente, nada do que eu aqui disser pode devolver a vida às crianças e adultos que a perderam em Beslan, na Ossétia do Norte.
Por isso, deixo apenas aqui um facto pouco divulgado e que, talvez, quem sabe, podia ter alterado o desfecho deste caso: o envenenamento de Anna Politkovskaya.

Digo isto porque esta jornalista não tem, junto dos grupos separatistas da Federação Russa, a imagem da russa alinhada com o Kremlin, muito em virtude dos seus artigos e livros críticos - para ambos os lados - acerca da guerra na Chechénia.
Além disso, Anna Politkovskaya foi uma das pessoas que tentou mediar a crise de reféns no teatro Dubrovka, em Outubro de 2002, a qual terminou, tal como a de Beslan, da pior maneira, com a morte de 118 reféns após a intervenção das forças russas.

Por esse motivo, ninguém melhor que ela poderia ter mediado a libertação dos reféns na escola de Beslan, talvez recordando aos sequestradores o desfecho trágico no teatro Dubrovka.
Segundo notícias locais citadas pelo Comité para a Protecção dos Jornalistas, foi com esse objectivo que Anna Politkovskaya se dirigiu, a 1 de Setembro, do aeroporto de Moscovo para o de Rostov-on-Don, de onde partiria em direcção a Beslan, não fosse o envenenamento de que foi alvo.

A jornalista garante que a intoxicação só pode ocorrido no avião, onde lhe serviram um chá, dado que não comeu nada antes de embarcar no segundo avião (a entrada num primeiro avião foi-lhe negada).

Logo na chegada a Rostov-on-Don, a repórter russa começou a sentir-se mal e foi levada para o hospital, onde ficou internada e lhe foi diagnosticado o envenenamento. No dia seguinte foi transferida para Moscovo, horas antes do início da intervenção armada na escola de Beslan, a qual provocou, ao que tudo indica, mais de 200 mortos e inúmeros feridos.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em setembro 4, 2004 02:24 AM
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