julho 24, 2004

Desvio de votos

O desvio de votos ocorrido nas Autárquicas 2001 em Lisboa foi noticiado, mas passou praticamente despercebido.
Para quem não estiver a par do caso e se quiser informar, pode consultar o Adufe, pois o Rui Cerdeira Branco fez o favor de reproduzir o artigo publicado pelo Portugal Diário.

É verdade que esse desvio de votos permitiu que Pedro Santana Lopes fosse eleito presidente da Câmara de Lisboa e, nos dois anos e meio que lá esteve, tivesse aberto, qual toupeira, grandes buracos na cidade. Os mais conhecidos são o das finanças da autarquia e o do Túnel do Marquês.

Mas isso não interessa nada, porque, segundo o tribunal, «as irregularidades detectadas, designadamente na elaboração das actas das secções de voto, são compatíveis com uma falta de preparação técnica e com a falta de conhecimento adequados ao exercício das funções das mesas de voto».

Corrijam-me se não for verdade, mas a preparação técnica e os conhecimentos adequados para exercer funções numa mesa de voto não se resume a saber ler, escrever e contar?
Ler para perceber em que partido foi depositado o voto (embora também se possa ver pelo símbolo), escrever para dar conta da votação nas actas e contar para chegar ao resultado final dessa mesma votação. É preciso mais do que isto?

Porém, a culpa não está apenas do lado dos cidadãos que prescindem do seu domingo para tomar parte activa no processo eleitoral. Afinal, como podem eles acertar com a contagem dos votos quando, no concelho de Lisboa, estão inscritos 568.267 eleitores para a Assembleia Municipal, 568.087 para a Câmara Municipal e 568.853 no total de todas as Assembleias de Freguesia?

O problema não é o elevado número de pessoas, mas as discrepâncias nos números oficiais. Pela lógica, no momento do recenseamento eleitoral um cidadão inscreve-se para votar em todas as eleições e não apenas em algumas.
Então como é que a soma de todas as freguesias apresenta mais 766 eleitores inscritos que aqueles que podem votar para a Câmara Municipal? Esses eleitores terão dito: "inscreva-me só nas votações para a junta, que eu da câmara não quero saber para nada"?

Para terminar, deixo aqui uma pergunta para reflexão: se os cadernos eleitorais apresentam estas falhas a nível municipal, como é que estarão a nível nacional?

Publicado por Luís Humberto Teixeira em julho 24, 2004 10:37 AM
Comentários

Uma coisa é certa o erro na inscrição dos eleitores, proporcionou que a batota favorecesse
o PSD, viciando o resultado.

Afixado por: congeminações em julho 25, 2004 01:10 PM