Ontem a política portuguesa bateu no fundo e vai demorar muito tempo até recuperar a sua credibilidade junto dos eleitores.
Com a sua decisão, Jorge Sampaio ignorou por completo o artigo 3º da Constituição da República Portuguesa, que diz que "a soberania [do país], una e indivisível, reside no povo".
Pelos vistos a soberania mudou de residência, morando agora nas negociatas de corredor e nas pressões exercidas pelos grandes grupos ecónómicos, que apesar dos lucros chorudos que obtêm prosseguem políticas de despedimento e de contenção salarial e ordenados baixos para os trabalhadores.
A credibilidade deste Presidente da República - que para mim já tinha sido posta em causa em assuntos como os touros de morte ou as Presidências Abertas do Ambiente - desapareceu por completo durante o discurso cinzento, tanto na forma como no conteúdo, em que anunciou ao país que indigitaria Santana Lopes como primeiro-ministro.
Se os portugueses quisessem Santana Lopes como primeiro-ministro podiam ter votado nele, em eleições antecipadas. Mas nem essa possibilidade tiveram, apesar das falsas esperanças criadas pelo processo de consulta presidencial a diversas personalidades.
Sampaio passou mais de uma semana a ouvir figuras das mais diversas áreas e até convocou um Conselho de Estado - mas só para fazer figura de democrata, porque quando viu que a decisão poderia pender para a soberania popular optou por nem aos conselheiros dar o direito de voto (ver Público).
É triste viver num Portugal que, 30 anos depois de Abril, tem um Presidente, supostamente socialista, que nega ao povo o direito à liberdade de expressão nas urnas.
Publicado por Luís Humberto Teixeira em julho 10, 2004 11:19 AME depois de ter assumido esta decisão que contraria a vontade popular permitiu-se aludir no seu discurso que continua a ser o PR de todos os portugueses, desengane-se pois que a partir de agora assim não será, vai ter pela frente muitos dissabores com a manifesta perda de popularidade e correrá até o risco numa ou noutra
visita oficial a ser alvo de vaias populares.