Durão Barroso diz esta terça-feira se vai apresentar ou não a demissão do cargo de primeiro-ministro para assumir a presidência da Comissão Europeia.
Caso esse cenário se concretize, Jorge Sampaio terá de decidir se indigita um novo primeiro-ministro, sustentado pela configuração actual da Assembleia da República, ou se convoca eleições antecipadas.
Se optar pela indigitação de um novo primeiro-ministro, o Presidente da República estará a seguir a via da estabilidade do ciclo eleitoral, o que não é sinónimo de estabilidade política.
Para que a estabilidade política se verifique, é necessário que os portugueses reconheçam legitimidade ao novo governo. E isso só acontecerá se o nome escolhido por Sampaio agradar ao Bloco Central (PSD + PS).
Porquê? Porque se é certo que o PSD venceu as últimas Legislativas, também é verdade que dois anos e meio depois o PS recolheu nas Europeias um apoio semelhante ao que obtivera em 1999, em plena época guterrista.
Porém, essa solução não deverá agradar nem a socialistas, nem a social-democratas, pois um governo de Bloco Central neste momento corre o risco de desgastar a imagem de ambos os partidos.
Por esse motivo, a marcação de eleições antecipadas para o mais breve possível - Outubro, talvez, de modo a coincidir com as eleições regionais na Madeira e nos Açores - parece a única solução para o caso de Durão Barroso abandonar o barco.
Esta situação levaria a que a governação do país parasse durante uns meses, afectando ainda o crescimento económico, que deveria ficar em standby, à espera dos resultados.
Além disso, os partidos teriam de preparar as listas e a campanha eleitoral em tempo recorde, com tudo o que isso implica em termos de logística e de custos, já para não falar de riscos.
Com a saída de Durão, será preferível para o PSD concorrer coligado com o CDS-PP ou sozinho?
E o PS? Avançará com Ferro Rodrigues, apesar da sua baixa popularidade, ou procurará alternativas?
Conseguirá a CDU suster a queda que tem vindo a sofrer a cada eleição que passa? E manterá o BE a tendência para subir? Será que algum outro partido vai, no meio da confusão, eleger deputados?
Para já, resta-nos ficar à espera da decisão de Durão Barroso, prometida para esta terça-feira. Quanto a Jorge Sampaio, provavelmente só decidirá depois da final do Euro'2004. Também só nessa altura é que o país lhe dará a atenção que este assunto exige...
Publicado por Luís Humberto Teixeira em junho 28, 2004 08:51 PMEstou muito apreensivo quanto à decisão, embora tenha uma réstia de esperança. Mas se for aceite a solução da sucessão não tenho dúvidas que podem ser vários os candidatos a 1º. ministro, mas nunca e avaliar pela impopularidade interna será Santana Lopes, embora tenha afirmado encontrar-se disponível para qualquer cargo, isso sempre o soubemos.
Afixado por: congeminações em junho 29, 2004 12:10 AMREBATE
Minha terra,
Meu povo,
Que sempre vos amei,
Que sempre vos cantei,
E que nunca jurei
O vosso nome em vão.
Minha terra,
Meu povo,
Dizei-me nesta hora de agonia
Que essa fidelidade
Desafia
Quem à sombra da noite e à luz do dia
Negue no mundo a vossa eternidade.
Diário XII, p. 180.
Afixado por: João Soares em junho 29, 2004 02:57 PM