Sempre que criticamos algo ou alguém, convém que o façamos de forma justificada, apresentando argumentos válidos e, se possível, avançando com propostas alternativas adequadas à situação que merece a nossa crítica.
Por isso, é essencial que nos informemos sobre as condições e as regras que pendem sobre os alvos da nossa crítica, de modo a não corrermos o risco de, indevidamente, difamar uma entidade ou pessoa.
Vem isto a propósito de uma entrada de João Tilly sobre a má construção de uma notícia da Lusa...
Sem se informar primeiro sobre o que é o jornalismo de agência e quais as suas regras (eu conheço-as porque estagiei lá), João Tilly decidiu pegar numa notícia da Lusa e criticá-la parágrafo a parágrafo.
Eis a minha resposta à análise por ele feita:
"Antes de fazer críticas aos "escrevinhadores de jornalismo" da Lusa, tente informar-se sobre algumas regras básicas de jornalismo de agência.
1. A repetição do nome Felgueiras soa mal, mas em agência a regra é a de identificar sempre o melhor possível a pessoa em causa, pelo que o nome era imprescindível no primeiro parágrafo.
2. Penso ser perfeitamente perceptível que 11 e 16 aparecem assim por serem superiores a 10, enquanto cinco, quatro, três e dois surgem por extenso em virtude de serem inferiores a 10.
3. A lista de arguidos era extensa demais para ficar num só parágrafo, daí a separação em dois. Caso não saiba, o jornalismo de agência é caracterizado pelos parágrafos curtos.
4. É verdade que "estes últimos todos" não soa bem, mas pelo menos é coerente com a fórmula que estava a ser usada: nome do arguido seguido da profissão.
Se a peça fosse de minha autoria, teria optado por algo como: "(...) António Bragança da Cunha, professor, e os industriais Anastácio Macedo, Guilherme Almeida, Joaquim Pinto, José Manuel Silva, Carlos Teixeira e Maria Augusta Neves.""
Sei que esta é já a segunda vez que aqui escrevo sobre críticas, em meu entender, mal fundamentadas de João Tilly. Se o faço não é por nenhuma embirrância especial contra este senense, mas porque gostaria de o ver fundamentar melhor algumas das opiniões que emite.