O ministro Arlindo Cunha, responsável pela pasta das Cidades, Ordenamento do Território e "Ambiente", viabilizou o avanço da barragem no Baixo Sabor, contra os pareceres técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e os argumentos da Plataforma Sabor Livre, que está a estudar a hipótese de contestar a decisão nos tribunais nacionais e comunitários.
Tudo aponta para que a decisão tenha sido tomada para servir os interesses económicos da EDP, como explica Pedro Almeida Vieira numa entrada colocada a 15 de Junho no seu Estrago da Nação.
Os políticos a quem cabe tomar as decisões pensam no curto prazo, nunca no médio e muito menos no longo, e tentam passar a imagem de que os ambientalistas não querem o desenvolvimento da região, o que é falso.
Em notícia publicada no DN há algumas semanas, o socialista Aires Ferreira, presidente da câmara de Torre de Moncorvo, assumia-se como grande defensor do projecto e acreditava que a barragem ia trazer desenvolvimento à sua região, fomentando o comércio durante o tempo da construção e ajudando a fixar as populações naquele concelho transmontano.
No entanto, o contacto da jornalista que escreveu o artigo com a população jovem de Torre de Moncorvo demonstrava que a barragem era indiferente para a fixação de pessoas. Isso consegue-se com o emprego, que o próprio autarca reconheceu que não ia chegar à região com a barragem no Baixo Sabor.
A opção por um turismo de qualidade em contacto com a natureza selvagem do rio Sabor não será melhor para o desenvolvimento de Moncorvo, como defende a Plataforma Sabor Livre? Cria empregos, gera riqueza e leva pessoas diferentes a Torre de Moncorvo, dando maior animação à região.
Outra questão: Será que a produção de electricidade - que se pode obter de outras formas renováveis que não a hídrica - compensará a destruição irreversível do vale de Felgar, "uma das zonas mais férteis de Trás-os-Montes" e onde se produz anualmente cerca de 60.000 litros de azeite de elevada qualidade? Pois é. Mais riqueza e alguns empregos que se perdem com a opção da barragem.
Dito isto, será que a barragem, ao invés de ser o elemento fixador de populações defendido por Aires Ferreira, não acabará por promover o abandono progressivo dos territórios rurais?
Para travar esta barragem, não parece valer a pena apelar ao governo. Afinal, o Ministério nem sequer deu atenção aos técnicos do ICN.
Restam assim as opções de assinar a petição "Por um rio Sabor sem barragens!" e esclarecer a população local sobre os prós e contras deste projecto e das suas alternativas. Sem o apoio da população local à barragem - que existe em virtude das promessas de desenvolvimento - será mais difícil avançar politicamente com o projecto.
E, neste sentido, gostaria de terminar lançando um apelo aos bloguistas do "Desenvolvimento Sustentável": dado que fazem parte do PS, tentem fazer ver ao vosso camarada Aires Ferreira o erro em que incorre com o apoio àquele que é considerado "o maior atentado ambiental dos últimos anos".
Gosto de cá vir:)
E um acordo de afectos dilacera
O âmago da piedade esquecida
O acordo taciturno na cratera
De que fiz parte em devida medida;
E as atracções da grave fotosfera,
Propõem dura ausência desmedida
De que sou habitante e não prudente.
Findei-me sobre o círculo que mente.
albertovelasquez.blogspot.com
Barragem Baixo Sabor aprovada -as mudanças climáticas são mais rápidas que as mudanças de mentalidades.
Afixado por: João Soares em junho 16, 2004 07:31 PM