junho 14, 2004

Criticar é fácil

Criticar é fácil, e por esse motivo muita gente diz mal de tudo e mais alguma coisa, sem nunca pensar nas razões que estão por detrás daquilo que está a criticar.
Eu próprio tenho alturas em que critico sem razão. Porém, tento não usar demasiado a má língua para denegrir algo que desconheço, ou sobre o qual não estou bem informado.

Vem isto a propósito de um comentário que deixei a uma entrada de João Tilly sobre o nosso serviço público de televisão.
Queixava-se o João de excesso de futebolização da estação pública, tendo por base o teor das notícias encontradas numa pesquisa ao termo "Ronald Reagan" (sem aspas) no sítio da RTP.

É óbvio que o futebol tem demasiado tempo de antena quando comparado com outras áreas da vida portuguesa porventura mais importantes. Mas se é isso que se quer criticar, arranjem-se argumentos fortes, mais válidos, como os minutos excessivos dados pelos telejornais a questões menores (em termos de interesse público) como alguns aspectos da vida pessoal dos jogadores ou dos dirigentes.

Segue-se o comentário:

"Já pensou que isso talvez se deva ao facto de, nos últimos anos, Ronald Reagan não ter sido motivo de qualquer notícia, por estar afastado da política e padecer de um grave problema de saúde?
Além disso, as restantes 66 não se referem só a futebol. Duas falam do porta-aviões Ronald Reagan e uma outra refere o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble.
Ou seja, os Ronalds do futebol têm direito a 63 notícias, o que mesmo assim não me parece excessivo, uma vez que a informação desportiva também faz parte do serviço público e o espaço temporal da pesquisa é superior a um ano (a última notícia é de Fevereiro de 2003). E isto representa uma média inferior a uma notícia por semana."

Publicado por Luís Humberto Teixeira em junho 14, 2004 01:05 PM
Comentários

Quanto à abstenção estamos de acordo. (ver intro.vertido) podemos não estar de acordo noutras coisas.É saudável. Também é de registar que se faça parte de uma lista e se critique as políticas da mesma. Eu, como qualquer, tenho as minhas preferências, evitei divulgá-las, apenas apelei ao voto, que entendo ser o 1º passo para qualquer cidadão.

Afixado por: João Norte em junho 14, 2004 01:51 PM

O voto é mesmo o primeiro passo para qualquer cidadão, mas há ainda muita gente que se recusa a andar... e que depois se admira (e reclama) do país estar parado!

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em junho 14, 2004 03:44 PM

Lamenta-se é que tenha pegado num post que não é mais que um fait divers para comentar.
Há, no meu blog, dezenas de textos de fundo sobre o serviço público da RTP, alguns publicados nos mais conhecidos jornais do país.
Podia ter comentado um texto sério em vez de uma brincadeira...
Mas está bem.

Afixado por: João Tilly em junho 18, 2004 07:14 AM

Caro João,
Se a entrada é um fait divers e não um texto sério, é algo que como leitor não posso apurar, porque não estão criadas tais categorias no seu blog.

O que critico na entrada é a existência de dados incorrectos - que são usados como argumento (há 63 notícias sobre futebol, não 66, e 5, não 3, sobre Reagan, se contarmos com as do porta-aviões) - e a omissão de um facto importante: os limites temporais da pesquisa, que são superiores a um ano.
Neste contexto, uma notícia de futebol por semana não é razão válida para atacar o serviço público de televisão!

A sua argumentação esteve melhor na entrada "4 das 5 notícias em destaque na RTP online são de futebol", porque a delimitação temporal em causa era menor.
Mas, mesmo aí, revela algum desconhecimento de causa face ao jornalismo online, cujo sistema de destaques funciona um pouco como os blogues, dando maior importância ao que é mais recente, ainda que aborde o mesmo assunto e não seja tão importante como uma notícia dada horas antes.

Para terminar, gostaria de saber onde posso ler os artigos de fundo sobre o serviço público que escreveu para os "mais conhecidos jornais do país". Só para completar a minha opinião.

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em junho 18, 2004 10:58 AM