maio 21, 2004

O Cavalo de Tróia

Na abertura da campanha "Portugal Positivo", Vasco Pulido Valente foi um autêntico cavalo de Tróia, tendo mesmo dito que "se houver mais dinheiro as pessoas começam logo a sentir-se melhor, nem precisam deste tipo de conferências".
Baseando a sua argumentação numa análise a séculos de história, VPV lembrou a tendência portuguesa para atribuir as culpas sempre a uma minoria e não ao grosso da população, sendo que esses bodes expiatórios acabam por criar uma sensação de "completa impunidade".

O bode expiatório actual, segundo VPV, são os políticos. Seja de forma merecida ou não, são eles que arcam com as culpas pelo que vai mal. Vai-se dizendo que "eles são todos iguais" e fala-se mal a torto e a direito.
(A propósito desta tendência para dizer mal dos outros, já dizia o Padre António Vieira que "e suposto que à Espanha lhe coube a cabeça [do diabo], cuido eu que a parte dela que nos toca ao nosso Portugal, é a língua")

E propostas, onde é que as há? E alternativas, quem é que as cria? As pessoas! Mas para isso têm de sair da confortável posição de espectadores da vida e passarem a ser actores. Os principais candidatos a cargos políticos não os convencem? A solução é simples, candidatem-se!

Isto é o que penso e foi esta a linha de raciocínio que segui para aceitar o convite de Luís Marques para integrar as listas do MPT ao Parlamento Europeu. Ficar parado a reclamar não me serve de nada. É preciso dar a cara por aquilo em que se acredita.

José de Brito Apolónia, director do quinzenário "O Rio", ex-eurodeputado pela CDU e ex-presidente da CM Moita, recordou na mais recente edição desse jornal que os tempos logo a seguir ao 25 de Abril foram "vividos com grande intensidade e puro voluntariado. Naquela altura, toda a gente reivindicava e pugnava pela resolução dos problemas da sua rua, do seu bairro, da sua terra. Foi um período de grande expressão do poder popular, em que a vontade de 'fazer coisas' era genuína".

Teríamos um país certamente melhor se voltassemos a ter gente com vontade genuína de fazer as coisas, em vez de simplesmente ficar em casa a olhar para a televisão e a "cortar na casaca" de todos os que nela aparecem.

Voltando às declarações de VPV, destacaria ainda aquela de que o problema dos portugueses é que se estimam demais e nunca fazem críticas directas, o que leva a que Portugal esteja "cheio de nulidades nas mais altas instâncias em que ninguém toca".
Neste ponto, e por uma questão de coerência com o seu discurso, VPV devia ter dito quem são essas nulidades intocadas. Provavelmente não o fez por a lista ser demasiado extensa... (mas isto é a minha língua portuguesa a funcionar ;-))

Publicado por Luís Humberto Teixeira em maio 21, 2004 10:44 AM
Comentários