março 25, 2004

Manifesto contra o voto útil

Vem com algum atraso, eu sei, mas foi só porque estive a pensar se respondia ou não ao apelo feito por Ferro Rodrigues e Sousa Franco de optar pelo voto útil no PS nas eleições europeias.
A justificação para tal, segundo estes dois senhores, é porque "a coligação de direita só pode perder para o PS e, como tal, há uma utilidade no voto nos socialistas."

Usem os argumentos que quiserem e convençam quem quiser ser convencido. Da minha parte, deixo já bem claro que não vou encarar o meu voto pela negativa, isto é, votar neste para não ter lá o outro.

Se a coligação de direita perder é porque os eleitores não votaram nela, e não porque optaram pelo PS. Que sobranceria é essa de pensar que só o vosso partido pode vencer a coligação PSD-PP? Será que o sistema está viciado e apenas permite a vitória do PS ou do PSD? Espero que não!

Quando eu voto pretendo demonstrar que este ou aquele partido está mais próximo das ideias que defendo. Pouco me interessa que me digam que o partido da minha escolha não tem hipóteses de ganhar. Afinal de contas, ninguém sabe quantos deputados serão eleitos por cada partido até se contarem todos os votos e se aplicar o método de distribuição consagrado na lei.
Além disso, se eu não me revir em qualquer das forças concorrentes, tenho sempre o direito de votar em branco ou anular o meu voto com um risco de alto a baixo no boletim.

As opções acima podem até nem ter resultados práticos, mas considero-as preferíveis à abstenção. Quem se abstém permite que os outros decidam por si e perde a autoridade moral para reclamar das atitudes de quem foi eleito.

E o mesmo acontece com quem opta pelo voto útil porque, ao não votar de acordo com os seus ideais, fica sem argumentos para criticar quem foi eleito pelo seu acto insconciente, uma vez que participou activamente na entrega do poder a esse "mal menor".

Publicado por Luís Humberto Teixeira em março 25, 2004 11:38 PM
Comentários

Estas eleições são mais importantes do que parecem.
À partida podemos votar em quem quer que seja excepto na coligação PSD/PP. Não só pelo que tem feito (ou não tem feito) internamente mas também pela sua acção externa.
Por outro lado também não dá grande futuro votar em partidos europeistas...
Assim, a quem se sentir à esquerda, resta o voto no PCP e a quem se sentir à direita, resta o voto no PND.
Quem não sabe onde está pode fazer como o Saramago diz, vota em branco...

Afixado por: O Raio em março 30, 2004 01:51 PM

Discordo de que reste o voto no PCP à esquerda e o voto no PND à direita.
Existem muitos outros partidos no espectro político e todos eles poderão constituir uma opção válida.
Os partidos que aponta, assim como o BE, são aqueles que têm maior visibilidade por figurarem nas sondagens.

Um dia destes gostava de ver uma sondagem em que entrassem todos os partidos concorrentes às eleições, em vez de surgirem só os cinco com representação parlamentar, acompanhados em alguns casos da Nova Democracia (embora não se saiba bem porquê, pois é força que nunca foi a votos).

É porque ao não colocarem partidos como o MRPP, o MPT, o PPM, o PH, o PNR, o POUS e o recém-formado Partido do Doente os responsáveis pelas sondagens estão a partir do princípio de que estas forças não são opções, quando elas, na realidade, o são.

E só quem não se sentir próximo de nenhuma das muitas opções é que deve votar em branco, como diz Saramago.

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em março 30, 2004 02:53 PM