março 10, 2004

Os anos do cavaquismo

Para quem achava que 715.676 votos era muito voto para ser desperdiçado, fazer um estudo aos anos do cavaquismo é assustador.

Em 1987, aquando da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, foram ignorados para a contabilização de mandatos os votos de 862.547 portugueses!
Desses, 219.715 foram depositados em partidos que não obtiveram representação parlamentar (PPM, PDC, UDP, PSR, MDP/CDE, MRPP, PC(R) e POUS).
Entre os partidos com assento parlamentar, o que teve menor excesso de votos foi o PSD, com 93.521, seguido da CDU (106.723), do PS (133.756), do PRD (139.613) e do CDS (169.219).

Em 1991, na segunda maioria absoluta do PSD, o total de votos em vão diminuiu, cifrando-se em 779.695 o número de portugueses que não foi considerado para o apuramento dos mandatos dos deputados.

Desses eleitores ignorados constam 41.883 que votaram no PSN, 95.547 que acreditaram no PSD, 141.088 que escolheram o CDS, 150.459 que optaram pelo PS, 154.064 que colocaram a cruz na CDU e 196.654 cuja preferência foi para partidos que não obtiveram representação parlamentar (PSR, UDP, FER, MRPP, PRD, PDA e PPM).

Um dado curioso acerca do sistema eleitoral vigente é que, em termos absolutos e percentuais, o PSD obteve mais votos em 1991, os quais acabaram por não se reflectir nos mandatos de deputados, uma vez que, em 1987, o partido de Cavaco Silva teve 148 deputados (59,2% dos mandatos) e, em 1991, elegeu 135 parlamentares (58,7% dos mandatos).
(Nota: em 1991 o número de deputados na AR foi reduzido para os actuais 230)

Por aqui se vê a justiça deste sistema.
Mesmo para os grandes partidos, mais votos não significa automaticamente maior expressão no parlamento.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em março 10, 2004 12:39 PM
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