O Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) renovou recentemente a sua dotação para o Plano Municipal de Prevenção Primária de Toxicodependências de Monção, fruto de uma parceria entre a autarquia e a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM), noticiou o Público.
Sobre esse plano não farei quaisquer comentários, pois não sei qual o seu conteúdo, mas a dotação entregue – 62 mil euros – fez-me recordar uma notícia que fiz há uns anos para o diário “Correio de Setúbal”, acerca de um plano de prevenção da toxicodependência.
A referida acção previa o gasto de dezenas de milhares de euros no fabrico de cartazes e material escolar contendo frases que alertavam para os perigos da toxicodependência.
Questionei-me na altura sobre a eficácia destas medidas. Afinal, para que servem canetas, réguas, horários e afins com frases do tipo “Diz não à droga!”? Nenhuma régua ou horário escolar vai impedir que alguém entre no mundo da droga “só para experimentar”, e certamente não ajuda a sair depois de se estar lá dentro.
Portugal é, como recorda Fernando Negrão, presidente do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT), “o país da União Europeia com maior número de consumidores problemáticos”.
Ora, se temos tantos recursos humanos nesta área, porque não os aproveitamos para fazer uma prevenção diferente, porventura mais eficaz, junto dos nossos adolescentes?
Eu explico. Se somos o país da UE com mais casos problemáticos e se os centros de recuperação têm uma taxa de sucesso relativa, porque é que não se poupa o dinheiro dos cartazes e afins e se aposta na formação de ex-toxicodependentes para falar abertamente sobre as suas experiências com os adolescentes?
Uma conversa em que os jovens fiquem a saber o que leva alguém a entrar no mundo da droga, como passa a ser a vida dessa pessoa depois do vício a agarrar e que esforço é necessário fazer para dele sair e refazer a vida. Sem paternalismos, sem encarar os jovens como pessoas acéfalas, que se ouvirem muitas vezes o refrão “Droga não” vão fugir desta como o diabo da cruz.
Não há nada melhor do que confrontar os adolescentes com uma experiência de vida, deixá-los fazer perguntas e ouvir as respostas de alguém que tenha passado por esse mundo e sobrevivido para contar... e que tenha conhecido de perto os casos de quem não teve a mesma sorte ou a mesma força.
A aposta em figuras conhecidas é opcional. Dá sempre jeito para as campanhas na tv, é certo, mas não se lhes pode exigir que façam um périplo de escola em escola a recordar esses tempos, pois têm a sua vida para viver.
Quem poderia ter a seu cargo esta tarefa de comunicar com os jovens seriam toxicodependentes recuperados que quisessem desta forma iniciar a sua reintegração na sociedade, por exemplo.
Dêem uma hipótese ao contacto pessoal. A acreditar nas estatísticas, parece óbvio que não é com material escolar e cartazes que o problema será minimizado.
Publicado por Luís Humberto Teixeira em março 8, 2004 11:14 PMPorra!!! Acertaste em cheio!!! Nos CAT´s as pessoas vão lá pedir ajuda e esbarram com uma burocracia desmotivante de tál maneira que quando começam a ser tratados já estão na prisão ou já fizeram "tantas" que para recuperá-las é quase impossivel!! Os técnicos parece que vivem noutro planeta.
Afixado por: Luis Filipe em maio 25, 2004 04:23 PMquero encontrar uma escola que tem droga