fevereiro 28, 2004

Taras e manias

Não, não é a canção do Marco Paulo. É mesmo a tara das garrafas de vidro que tinha referido na entrada anterior.
As manias, essas, aparecem aqui a propósito das garrafas de plástico que se transformaram numa verdadeira moda para tudo quanto é líquido (até vinho!).

São cada vez mais raros os estabelecimentos que vendem bebidas em garrafas de vidro com tara. Aliás, um estudo da Quercus revela que antes de 1995 as embalagens com tara eram as mais utilizadas nos refrigerantes. A situação inverteu-se nesse ano e tem vindo a piorar de então para cá, a ponto de em 1999 dois terços das embalagens de refrigerantes serem de tara perdida.

Sabendo que a reutilização de embalagens representa uma poupança nos gastos de produção e que as garrafas de vidro que não sejam reutilizadas podem ser recicladas, tendo um rendimento de 100%, é incompreensível esta tendência.

No entanto, é isso que sucede. Basta ir a um supermercado e vemos, sobretudo, garrafas de plástico na secção de refrigerantes. As de vidro que lá surgem são, regra geral, de tara perdida.

Quais são as justificações possíveis para esta tendência?
O facto do plástico ser inquebrável e mais leve que o vidro, por exemplo. Esta é aliás uma mais-valia do plástico no Verão, pois muitas pessoas gostam de levar as bebidas para a praia, e quanto menos peso carregarem melhor. Durante o resto do ano não lhe vejo grandes vantagens, bem pelo contrário.

Daí que tenha uma proposta a fazer aos responsáveis pelas marcas de bebidas engarrafadas e aos seus directores de imagem: apostem nas embalagens de plástico como exclusivo da altura de Verão e voltem a usar as embalagens com tara durante o resto do ano.

O ambiente agradecerá e os consumidores também vão apreciar a mudança.
Primeiro porque a entrega das garrafas de vidro para reutilização seria acompanhada da devolução do valor da tara, pago aquando da compra inicial.
Segundo, porque as garrafas de plástico passariam a estar associadas à chegada do Verão - altura por excelência das férias.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em fevereiro 28, 2004 11:55 PM
Comentários

Totalmente de acordo. Aliás acho que devemos matraquear este tema tal é a sua importância e implicações no nosso dia a dia.

Afixado por: OLima em fevereiro 29, 2004 10:48 AM