janeiro 31, 2004

Voltando à reciclagem do sistema eleitoral...

Depois de ter explicado como é que estamos a ser governados por uma coligação cuja representação parlamentar se deve a menos de um quarto da população total do país, é preciso voltar ao campo das soluções, porque de lamentos está a blogosfera cheia.
Assim sendo, volto a propor que se crie um círculo nacional, mas desta vez vou mais longe e sugiro que sejam eleitos dessa forma 200 deputados.
Pegando nesta hipótese, e simulando com os dados das Legislativas 2002, observamos que o desperdício de votos se cifra em 125.161, o que corresponde a 2,33%, ou seja, um em cada 43 portugueses, uma probabilidade muito menor que os um em cada 7,5 do sistema actual.
Assim, seriam tidos em conta para atribuição de mandatos os votos de mais 590.515 portugueses.

Incentivar ao voto
Além de recuperar quase 600 mil votos, a implementação de um círculo nacional poderá contribuir para diminuir a abstenção, por constituir um incentivo ao voto.
Por exemplo, tendo em conta a fraca expressão do CDS-PP em Beja ou da CDU em Viseu, o que é que leva alguém a votar nestas forças por lá? Só uma forte convicção, pois esse voto não se traduzirá num mandato.
Aliás, por saberem disso, muitos eleitores recorrem ao chamado “voto útil” e acabam por não dar o seu voto ao partido da sua eleição. Ou então nem sequer põem os pés nas salas de voto.
Com um círculo nacional, os eleitores de forças políticas sem grande expressão em determinada região teriam um incentivo, que não o da militância partidária, para acorrer às urnas, pois os seus votos passariam a ter maiores hipóteses de aproveitamento na contabilidade eleitoral dos respectivos partidos.

Publicado por Luís Humberto Teixeira em janeiro 31, 2004 10:29 PM
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